quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Estudo mapeia áreas prioritárias para reduzir mortes de araras por choque elétrico

 


Olá Araras Azuis! Trago postagens novas!

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie endêmica do norte da Bahia, quase foi extinta nos anos 1990. Graças a ações de conservação, sua população se expandiu para 2.500 indivíduos atualmente. A expansão das araras, porém, coincidiu com outra bem mais rápida, a da rede elétrica da região, que cresceu cerca de 30% entre 2018 e 2023. Como resultado, apenas entre janeiro e agosto de 2025, 35 araras foram encontradas mortas com sinais de eletroplessão, como se denomina a morte ou lesão acidental causada por energia elétrica.


Para mitigar o problema, um estudo apoiado pela FAPESP apontou os locais mais propícios para esse tipo de acidente nos municípios onde a espécie ocorre, 90% da população na região conhecida como Raso da Catarina. Entre outros fatores, o mapeamento levou em conta 78 eletroplessões relatadas entre 2005 e 2022, a composição da malha elétrica da região e a área de atividade da espécie.


No trabalho, publicado no Journal of Applied Ecology, os autores apontam que mudanças em 10% dos postes com maior risco levariam a uma redução de cerca de 80% dos acidentes conhecidos.


“O principal objetivo é apontar áreas prioritárias para mitigação, onde podem ser feitas alterações nos postes e evitar novas mortes e potenciais interrupções no fornecimento de energia. Nossas estimativas apontam um bom custo-benefício tanto para a empresa fornecedora quanto para a conservação da espécie”, afirma a brasileira radicada no Reino Unido Larissa Biasotto, senior science officer na BirdLife International e primeira autora do estudo.


Ainda no doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Biasotto conseguiu os dados de toda a rede elétrica nacional, fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio da Lei de Acesso à Informação. Sua ideia era entender as principais espécies de aves e biomas afetados pela rede elétrica.


Um dos primeiros resultados foi publicado em 2021. Aquele mapeamento já indicava a arara-azul-de-lear como uma das espécies prioritárias em relação ao risco de eletroplessão e desenvolvimento de medidas de mitigação.


Quando Biasotto publicou o artigo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cemave-ICMBio), e a pesquisadora Erica Pacífico estavam justamente observando um aumento significativo de eletroplessões da espécie em municípios como Canudos e Euclides da Cunha, na Bahia, onde Pacífico realiza suas pesquisas desde 2008. Apenas pela contagem de carcaças recolhidas próximas aos postes de energia elétrica por moradores, eram mais de 70 aves mortas desde então.


“Este é um número conservador, porque não considera todas que podem ter morrido em áreas pouco habitadas ou cujas carcaças foram consumidas por cachorros ou aves carniceiras. Há estimativas de que, na Caatinga, uma carcaça de animal dure no máximo três dias”, explica Pacífico, coautora do trabalho, coordenadora do grupo Pesquisa e Conservação Arara-azul-de-lear e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).


O trabalho integra o projeto “Uso de novas ferramentas de biorrastreamento e analíticas para o estudo da ecologia do movimento e conservação de aves na Caatinga”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Francisco Voeroes Dénes, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).


O estudo tem ainda entre os autores Fernanda Paschotto, que realizou mestrado no IB-USP sobre a área de vida e seleção de hábitat da arara-azul-de-lear com bolsa da FAPESP.



Casal de araras-azuis-de-lear em uma das áreas onde vivem, no sertão baiano: vegetação baixa da Caatinga pode ser uma das razões para aves pousarem em postes de energia elétrica (foto: Erica Pacífico)


Custo-benefício


Pacífico realiza o monitoramento contínuo da espécie desde 2008, catalogando ninhos e contando a população. Em 2017 passou a aplicar biologgers, coleiras que fornecem a localização por GPS, para coletar informações inéditas sobre o potencial de deslocamento diário de algumas das araras-azuis-de-lear e definir melhor sua área de atividade, composta em grande parte pelos locais de alimentação onde ocorre o licuri (Syagrus coronata). Os frutos da palmeira são a principal fonte de alimento da arara-azul-de-lear. Não por acaso, áreas de ocorrência do licuri são onde ocorre a maior parte das eletroplessões relatadas.



Arara com cachos de licuri no bico. Eletroplessões ocorrem sobretudo em áreas de ocorrência da palmeira, cujo fruto é o principal alimento da espécie (foto: Tathiana Andrade)


“Uma das inovações do trabalho é que não usamos a área de distribuição da espécie como um todo, como se costuma fazer em mapeamentos do tipo, mas a área de atividade, onde a probabilidade de eletroplessão é maior. É nesses locais que elas passam a maior parte do dia, se alimentando, interagindo entre si e se empoleirando em postes e fios de média tensão. Por serem mais altos do que a vegetação nativa, esses pontos oferecem uma visão privilegiada do território”, conta Biasotto.


A eletroplessão ocorre quando os animais tocam ao mesmo tempo um fio em que passa a corrente de energia e em outro em que ela não passa ou a voltagem é mais baixa. Por isso, uma solução proposta pelo Ministério Público da Bahia, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), é aumentar a distância entre os fios, o que demanda a troca dos postes iniciada pela empresa.


Segundo a análise de custo-benefício realizada pelos pesquisadores, ao mitigar os possíveis efeitos em 1% dos postes da área de risco mais alto de eletroplessão, 35% dos acidentes poderiam ser prevenidos, o que requereria intervenção em pelo menos 5.668 postes.


Uma vez que essa redução poderia ser insuficiente para a viabilidade populacional da espécie, os autores realizaram os cálculos considerando também 5% da área de maior risco (22.037 postes), o que preveniria 60% das eletroplessões.


Ao ampliar a modelagem para 10% e 20% das áreas de maior risco (o que requereria alterações em 37.412 e 63.966 postes, respectivamente), a redução de acidentes seria superior a 80% e 90% em cada cenário.


Conservação


A arara-azul-de-lear atualmente é definida como “ameaçada” tanto na lista brasileira de espécies em extinção quanto na da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Sua população é estimada em menos de 2.600 indivíduos, segundo o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Caatinga, do ICMBio. Por isso, os autores argumentam que reduzir as fatalidades em 60% pode não ser suficiente para garantir que a população seja viável em longo prazo.


“Até termos um estudo de viabilidade populacional da espécie, uma redução mais próxima de 90% seria mais cautelosa, realizando mudanças em 10% a 20% dos postes”, argumenta Pacífico.


Segundo Biasotto, além da troca dos postes, que provavelmente teria um custo elevado, outra solução seria o desenvolvimento de dispositivos que isolassem as estruturas elétricas e fornecessem um pouso seguro para as aves. Uma das tentativas foi isolar os fios com estruturas tubulares plásticas e, portanto, não condutoras. É uma solução em países europeus para proteger as aves de rapina, principais vítimas das eletrocussões naquela parte do planeta.


“No entanto, nos locais onde foram instaladas para testes na Bahia, as estruturas foram danificadas, provavelmente pela ação das condições climáticas e da instalação inadequada”, afirma a pesquisadora.


Diferentemente dos solitários rapinantes, as araras se congregam em grupos de até 50 indivíduos, exploram bastante o ambiente em que vivem e destroem com facilidade o material com seus bicos poderosos. Por isso, seria necessário desenvolver um dispositivo adequado à realidade do sertão e das aves que lá ocorrem.


Além de guiar futuras ações de mitigação de acidentes e proteger a arara-azul-de-lear, os pesquisadores argumentam que o modelo usado para o mapeamento pode, no futuro, incluir outras espécies de aves que ocorrem na região. O exemplo mais emblemático seria a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), extinta na natureza e atualmente parte de um programa de reintrodução. Por ter hábitos similares aos da arara-azul-de-lear, a ararinha-azul também poderia se beneficiar de um projeto de mitigação de eletrocussões.


No seu livro de 2002 sobre a saga para salvar a ararinha-azul, o autor Tony Juniper sugere que o último indivíduo da espécie teria morrido, justamente, eletrocutado.


O artigo Mapping priority areas to mitigate the risk of electrocution of range-restricted bird species pode ser lido em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70133.

 

Arara azul é resgatada em porta-malas de carro e morre no PI; ave tinha o bico serrado

 

Olá Araras Azuis!!! Hoje trago notícias revoltantes!!

Uma arara-azul foi resgatada após ser encontrada sendo transportada ilegalmente no porta-malas de um carro na BR-316, em Monsenhor Gil, na manhã desta quarta-feira (4). Apesar do resgate, a ave morreu.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a arara apresentava sinais graves de maus-tratos, incluindo o bico serrado.

O resgate foi realizado após a PRF receber uma denúncia sobre o transporte irregular do animal.

Durante a fiscalização, a PRF constatou também o transporte irregular de passageiros. A ave estava sendo levada sem autorização dos órgãos ambientais e enrolada em um arame.

"Apresentava sinais evidentes de maus-tratos", relatou o inspetor.

O condutor foi autuado. A arara foi encaminhada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

FONTE: G1

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Adeus para sempre! A IUCN confirma extinção de seis animais em 2025

 

Olá Araras Azuis!!! Hoje trago péssimas notícias. (Clique aqui para ler a matéria original.)

Algumas perdas passam despercebidas. Não vêm acompanhadas de manchetes urgentes ou imagens virais. Simplesmente acontecem. E quando finalmente são nomeadas, já não se trata de uma notícia recente ou de um alerta oportuno, mas sim de uma confirmação tardia de que uma forma de vida desapareceu sem testemunhas.


Desde 1964, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) tornou-se a fonte de informação mais abrangente do mundo sobre o estado de conservação global de animais, fungos e plantas. É um barômetro da vida. Extinções não são declaradas levianamente.


Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, em inglês) confirmou que pelo menos seis espécies animais desapareceram oficialmente do planeta.

Para que uma espécie seja considerada extinta, décadas devem transcorrer sem observações confirmadas, após buscas exaustivas em seus habitats históricos. Quando um nome ultrapassa esse limiar, não se trata apenas de mais uma estatística. Esse nome marca o encerramento definitivo de uma história evolutiva que não se repetirá.


Atualmente, mais de 48.600 espécies estão oficialmente ameaçadas de extinção, representando 28% de todas as espécies avaliadas. Entre esses grupos em risco, alguns, como os corais construtores de recifes, apresentam taxas de ameaça ainda maiores. Essas porcentagens não apenas refletem a perda de biodiversidade, mas também destacam a vulnerabilidade.


Pensar na extinção no presente é doloroso porque destrói uma ilusão profundamente humana. Acreditamos que sempre haverá tempo para agir. Mas essas espécies não desapareceram da noite para o dia. Elas foram se extinguindo lentamente, à medida que o mundo ao seu redor mudava, até que a ausência deixou de ser uma possibilidade e se tornou um ponto final.


Onde a vida parou

O maçarico-de-bico-fino era uma ave migratória que, durante séculos, percorreu a Eurásia e o Norte da África. Com sua silhueta esguia e bico curvo, habitava zonas úmidas e costas hoje profundamente transformadas. Seu canto suave, melancólico e raro era tão fácil de se perder na paisagem quanto a própria ave. O último registro confirmado data de meados da década de 1990. Desde então, silêncio.


A perda de habitat, a pressão humana nas áreas de invernada e a caça dizimaram o maçarico-de-bico-fino, uma espécie que já era rara antes de seu desaparecimento.

Outro caso particularmente simbólico é o da musaranha-da-ilha-Christmas, um pequeno mamífero insetívoro endêmico de uma ilha australiana. Tão discreta quanto vulnerável, foi vista pela última vez na década de 1980. Sua extinção resultou de uma combinação de ameaças: espécies invasoras, doenças introduzidas e a alteração progressiva de seu ambiente.


De fato, a Austrália responde por uma parcela significativa dessas perdas. A IUCN também confirmou a extinção de três espécies de bandicotes, pequenos marsupiais noturnos adaptados a ambientes muito específicos. Esses pequenos animais sobreviveram a climas extremos por milhares de anos.


No entanto, eles não resistiram à chegada de predadores introduzidos, à fragmentação do habitat e às mudanças aceleradas na paisagem. Seu desaparecimento faz parte de uma tendência alarmante: a Austrália é um dos continentes com o maior número de extinções recentes de mamíferos.


A Austrália é um dos continentes com o maior número de extinções recentes de mamíferos.

A lista completa-se com um invertebrado marinho, um caracol-cone pertencente a um grupo em grande parte invisível ao público em geral, mas crucial para a biodiversidade oceânica. O Conus lugubris, um caracol-cone único das costas de São Vicente (Cabo Verde), foi oficialmente declarado extinto após décadas sem avistamentos. O último registo confirmado data da década de 1980.


O desaparecimento deste caracol marinho está principalmente ligado à destruição do habitat costeiro na ilha. A maioria das extinções ocorre longe dos holofotes da mídia. Invertebrados, anfíbios, pequenos mamíferos e espécies insulares muitas vezes desaparecem quase despercebidos até que seja tarde demais.


O que não volta mais

A IUCN há muito alerta que a taxa atual de extinção é muito superior à taxa natural, impulsionada principalmente por atividades humanas. Destruição de habitats, espécies invasoras, super-exploração, poluição e mudanças climáticas estão levando as espécies à beira da extinção.


Estamos perdendo biodiversidade mais rápido do que conseguimos protegê-la ou mesmo compreendê-la. Algumas espécies desaparecem silenciosamente, quase imperceptivelmente. No entanto, até mesmo as menores formas de vida sustentam o equilíbrio de ecossistemas inteiros. E o que existe hoje pode se tornar mais um adeus definitivo amanhã.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Arara-azul-de-lear nascida em centro de conservação do Governo de SP voltará livre para seu habitat na Bahia

 

Olá Araras Azuis!! Trago boas notícias. Caatinga baiana, ganhará novas cores com a sexta soltura de araras-azuis-de-lear. Essa espécie, endêmica da região e já considerada uma das mais raras do planeta, continua a reconquistar seu espaço natural graças a um programa coletivo de revigoramento populacional que reúne órgãos ambientais, instituições de pesquisa e centros de reprodução, entre eles o Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

Desta vez, o momento será especial: Lídia, uma fêmea nascida em 2023 no Cecfau, será devolvida ao habitat onde sua espécie evoluiu. Filha do casal Francês e Lindsay, que juntos já geraram 20 filhotes, Lídia representa a 10ª arara enviada pela instituição para reforçar a população selvagem da espécie. 

No total, oito aves participarão desta nova etapa, sendo sete araras selvagens, repatriadas do tráfico e reabilitadas, e Lídia, criada sob cuidados humanos. Todas passaram por meses de adaptação e treinamento na Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), dentro da Área de Proteção Ambiental Boqueirão da Onça, aprendendo comportamentos essenciais para a sobrevivência, como reconhecer e consumir os cocos de licuri, base da dieta da espécie.

“Ver um animal que nasceu sob nossos cuidados ganhar o céu da Caatinga é a confirmação de que todo esforço vale a pena. Cada soltura é um passo para recuperar uma espécie que quase desapareceu da natureza. A Lídia leva com ela a dedicação de muitas mãos e o compromisso do Estado de São Paulo com a conservação da biodiversidade”, destaca Cauê Monticelli, coordenador de Conservação de Fauna Silvestre e Pesquisas Aplicadas da Semil.

O trabalho do Cecfau é reconhecido internacionalmente. Atualmente, é a única instituição brasileira a manter dois casais reprodutivos da arara-azul-de-lear, com 26 nascimentos registrados desde 2019. Dez indivíduos já foram destinados à soltura no Boqueirão da Onça, integrando um programa que envolve órgãos federais, estaduais e parceiros como Criadouro Fazenda Cachoeira para fins de conservação, Programa de Resgate da Arara-azul-de-lear, Loro Vet Consultoria, CEMAVE-ICMBio, Ibama e Polícia Federal.

A história dessa conservação é marcada por desafios: durante décadas, não houve registros de reprodução em cativeiro no mundo. Hoje, São Paulo se soma a um grupo seleto de instituições que tornaram possível a esperança de ver a arara-azul-de-lear voar livre novamente.

domingo, 25 de janeiro de 2026

A vida em bando da Arara Azul Grande

 

Olá Araras Azuis!! 

A arara-azul-grande  apresenta um padrão social caracterizado pela formação de bandos estruturados, especialmente fora do período reprodutivo. Esses agrupamentos têm papel fundamental na sobrevivência da espécie, pois favorecem a proteção contra predadores, a localização de recursos alimentares e a troca de informações ambientais entre os indivíduos. Os bandos podem variar em tamanho, sendo comuns agregações em áreas de alimentação e dormitórios coletivos, principalmente ao entardecer.

No contexto social, a espécie também se destaca pelo comportamento monogâmico. As araras-azuis formam pares estáveis e duradouros, frequentemente mantendo o mesmo parceiro ao longo da vida. Esse vínculo é reforçado por comportamentos afiliativos, como vocalizações coordenadas, proximidade constante e cuidado mútuo da plumagem, os quais contribuem para a coesão do casal e para o sucesso reprodutivo.

Durante o período reprodutivo, embora os indivíduos continuem associados ao bando, cada casal estabelece e defende seu território de nidificação, geralmente em cavidades naturais de árvores. O cuidado parental é biparental, com ambos os parceiros participando da proteção do ninho, da incubação indireta e da alimentação dos filhotes. Essa estratégia aumenta as chances de sobrevivência da prole e garante maior eficiência no investimento energético do casal.

Assim, a organização social da arara-azul-grande reflete uma combinação entre vida gregária e estabilidade conjugal, configurando um sistema adaptativo que favorece a manutenção da espécie em ambientes naturais, especialmente em biomas como o Pantanal e o Cerrado.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Como ocorre imprinting entre aves e humanos

 

Olá, araras azuis!!

Hoje vim trazer um post sobre imprinting entre aves e humanos. Espero que gostem! Imprinting em aves é um tipo de aprendizado rápido e duradouro que acontece nas primeiras horas ou dias de vida do filhote. Nesse período sensível, a ave passa a reconhecer e se apegar ao primeiro “modelo” que vê, que normalmente é a mãe, mas também pode ser um ser humano ou outro animal.

Esse processo é muito importante para a sobrevivência, pois ajuda o filhote a aprender quem seguir, como se comportar, onde buscar alimento e como se comunicar. O imprinting é considerado praticamente irreversível, ou seja, depois de estabelecido, dificilmente pode ser mudado.

Se os pássaros jovens se apegam aos humanos, eles se identificarão com os humanos por toda a vida. Reverter o processo de apego é impossível  esses pássaros se identificarão com os humanos em vez de com sua própria espécie pelo resto de suas vidas. 

Pássaros que sofreram imprinting com humanos não são necessariamente "amigáveis" com humanos, nem significa que sempre gostem da proximidade humana. Pássaros que sofreram imprinting não têm medo de pessoas, e essa ausência de medo pode, às vezes, levar à agressividade e a outros problemas comportamentais complexos. Não é incomum que um pássaro que sofreu imprinting exiba comportamentos territoriais em relação a humanos, assim como faria com membros de sua própria espécie.


Pássaros que sofreram condicionamento humano frequentemente têm dificuldade em se comunicar com outros pássaros da mesma espécie  vocalizações, posturas e o medo de humanos são características que os pássaros aprendem com seus pais, irmãos e outros pássaros. Eles geralmente não são aceitos por outros pássaros da mesma espécie, provavelmente porque exibem comportamentos estranhos e não conseguem se comunicar adequadamente.

Em última análise, as aves que sofrem imprinting encontram-se numa "zona cinzenta" não conseguem interagir adequadamente nem com humanos nem com aves da sua própria espécie.

Aves que sofreram imprinting humano são consideradas inadequadas para serem devolvidas à natureza devido a essas interações inapropriadas. 

Estou de Volta!!

 


Olá, Araras Azuis! Estou de volta e ativa no blog.
Perdão pelo meu sumiço, eu não estava muito bem emocionalmente e precisei de um tempo para me reorganizar. Mas agora voltei com tudo! Retornei para a medicina veterinária e prometo trazer muito mais conteúdos interessantes e feitos com carinho para vocês. Obrigada por continuarem aqui comigo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Feliz e próspero ano novo!!

Olá Araras Azuis!!! Que 2026 traga esperança nova, caminhos leves e vitórias sinceras. Que cada dia brilhe com oportunidades, saúde, amor e coragem. Feliz Ano Novo, todos nós merecemos o melhor! Que seus sonhos floresçam.Sempre.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Todas as ararinhas-azuis de vida livre de programa de reintrodução em Curaçá testam positivo para o circovírus

Olá Araras Azuis, hoje eu vim com péssimas notícias que vão deixar todos muito abalados, assim como me deixaram. As nossas queridas e amadas ararinhas-azuis foram contaminadas com um vírus grave. A matéria do Conexão Planeta explica mais sobre isso abaixo.
A notícia não poderia ser mais desoladora. Mas infelizmente, testes realizados após a captura de ararinhas-azuis que estavam em vida livre em Curaçá, na Bahia, confirmaram que todas as onze aves estão contaminadas com o circovírus, causador da Doença do Bico e das Penas dos Psitacídeos (PBFD, na sigla em inglês) – altamente contagioso e sem cura.

As ararinhas fazem parte do programa de reintrodução da espécie, administrado pela empresa brasileira Criadouro Conservacionista Ararinha Azul (anteriormente identificada como BlueSky), em parceria com a organização alemã Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês).

A captura das aves que estavam na natureza foi feita no começo de novembro por determinação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que acompanhou todo o processo. Tanto a ACTP quanto a BlueSky eram contra a medida, que consideravam desnecessária. Elas entraram, inclusive, com o pedido de uma liminar para que as ararinhas não fossem retiradas da vida livre, mas a justiça manteve a ordem do órgão ambiental.

E o resultado dos exames feitos em laboratório, divulgado no último 18 de novembro, apontaram o que todos temiam.
No total, entre as aves de vida livre e as que ainda estavam em cativeiro (mantidas nas dependências internas do criadouro), 31 testaram positivo para o circovírus.

“Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário em que foram cobradas do criadouro, e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 31 indivíduos positivos para circovírus”, diz Cláudia Sacramento, coordenadora da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio que esteve à frente da emergência. “É lamentável. E toda essa demora para capturar essas ararinhas de vida livre colaborou para a disseminação do vírus. O que a gente espera é que o ambiente não tenha sido comprometido, ameaçando a saúde de outras espécies de psitacídeos da nossa fauna.”

“Ter as onze ararinhas que foram soltas positivadas para o circovírus não apenas é um duro golpe no projeto, mas também deixa claro e cristalino que a decisão do governo brasileiro de capturá-las foi certeira desde o primeiro momento, e que os atrasos na execução desta determinação potencialmente podem ter contaminado as aves nativas, que agora precisam ser também monitoradas. Mas é muito triste saber que todas as aves que foram soltas testaram positivo para este vírus”, afirma Luís Fábio Silveira, curador de aves do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), especialista com ampla experiência em projetos de reintrodução de psitacídeos.

O Criadouro Conservacionista Ararinha Azul contesta o resultado dos exames divulgados pelo ICMBio. “A informação é imprecisa e precipitada”, critica Ugo Vercillo, diretor do criadouro. “O laudo do ICMBio apresenta o teste feito com duas técnicas diferentes: PCR convencional e PCR em tempo real. O PCR convencional, método recomendado pela própria IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza], indica que três aves testaram positivo e as outras oito negativo, sendo que mesmo para as positivas o vírus não foi encontrado no sangue, somente em penas e swab clocal o que pode ser inclusive uma contaminação.”

De acordo com Vercillo, o teste PCR em tempo real, que apresentou resultado para as onze aves, seria “um método extremamente sensível sujeito a um algo grau de contaminação inclusive ambiental e que nem é recomendado no guia da IUCN. Esses resultados ainda diferem dos testes feitos por renomado laboratório brasileiro, com muito mais experiência nesse tipo de teste do que o utilizado pelo governo.”
Contaminação foi detectada meses atrás
Foi no final de julho que se tornou pública a notícia de que um surto de circovírus tinha atingido as ararinhas-azuis no refúgio de vida silvestre onde ocorre o programa de reintrodução da espécie – a Cyanopsitta spixii, endêmica do Brasil e extinta na natureza desde o início dos anos 2000.

A descoberta do surto teria sido feita pela equipe de profissionais do criadouro meses antes, quando um dos filhotes nascido em vida livre apresentou penas brancas em sua plumagem, um dos sinais da contaminação pelo circovírus. Testes realizados nele e em outras aves em cativeiro deram positivo para o vírus.

A PBFD é uma doença que ocorre apenas entre psitacídeos – grupo de aves que inclui araras, papagaios e periquitos. Ela é originária da Austrália, com registros na Europa, e nunca antes havia sido registrada em aves de vida livre no Brasil.

O circovírus provoca perda de penas (que pode ser permanente, comprometendo voo e capacidade de manter temperatura), deformidades no bico e imunossupressão severa. A transmissão se dá através da exposição a penas infectadas e o contato com superfícies contaminadas, como poleiros, comedouros e bebedouros. Ela também acontece de mãe para filhote e entre indivíduos.
Após o ICMBio ter divulgado o caso, BlueSky e ACPT começaram a usar as redes sociais para afirmar que as ararinhas tinham sido infectadas no Brasil, e que se as de vida livre fossem recapturadas, seria uma “segunda extinção para a espécie”.

Vale ressaltar que a ararinha-azul nunca deixou de ser classificada como extinta na natureza por organizações internacionais, como a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), já que isso só acontece quando existe uma população viável em vida livre, e é documentado o nascimento de novas gerações. Em Curaçá, eram apenas onze ararinhas reintroduzidas e que ainda tinham à disposição alimentação suplementar.

Além dessa questão, documentos revelaram que em janeiro de 2025, uma das ararinhas-azuis dentre as 41 que estavam para ser enviadas do criadouro da ACTP, na Alemanha, para o Brasil, testou positivo para o circovírus. Contudo, exames posteriores teriam dado negativo e o indivíduo seguiu viagem.

Próximos passos
Segundo o ICMBio, autoridades e pesquisadores envolvidos no projeto precisam traçar novas estratégias para o programa de reintrodução da espécie. Atualmente o plantel do criadouro de Curaçá possui 103 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs.

“O maior desafio que temos é, de fato, a separação segura dos indivíduos positivos dos negativos para evitar a contaminação desses negativos, dentro das medidas de biossegurança estabelecidas, e assim, não perder o maior plantel que temos aqui no país. E o que esperamos é a colaboração ativa do criadouro nesse processo, com adequações necessárias e a proatividade para realizá-las”, explica Claudia. “O nosso maior objetivo é a conservação desses espécimes, considerando que essa é uma espécie extinta na natureza, e tem um alto valor de conservação para o ICMBio e o país.”

Já Ugo Vercillo disse ao Conexão Planeta que pediu ao ICMBio que realize uma reunião com especialistas e os laboratórios para esclarecer como “tratar essas divergências de resultados para tomarmos a decisão com a informação mais acurada.”