domingo, 2 de agosto de 2026

A Nova Biblioteca do Blog


 Olá, Araras Azuis!!!

Lembram daquele drive que eu tinha montado? Infelizmente, alguns arquivos foram corrompidos, e muitas pessoas reclamavam que não conseguiam abrir os EPUBs e outros formatos.

Por isso, desta vez estou montando um novo drive com artigos, livros e pesquisas sobre araras, todos em PDF. Assim, ele será muito mais acessível para todos, além de os arquivos estarem organizados e separados entre materiais em português e em inglês.

Espero que essa nova versão seja muito mais útil e prática para todo mundo! 

sábado, 1 de agosto de 2026

Comportomaneto reprodutivo e monogâmico da Arara Azul

 

Olá, Araras Azuis!!!!

Hoje eu trouxe um artigo sobre o comportamento reprodutivo e monogâmico da arara-azul. Espero que vocês gostem da leitura e aprendam um pouco mais sobre essa espécie tão incrível e fascinante!!!!

A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) é uma das aves mais emblemáticas da fauna brasileira, reconhecida por sua plumagem azul intensa, grande porte e elevada inteligência. Além de sua importância ecológica como dispersora de sementes, essa espécie desperta interesse científico devido ao seu complexo comportamento social e reprodutivo. Um dos aspectos mais marcantes de sua biologia é a formação de casais estáveis, característica frequentemente associada à monogamia. No entanto, a monogamia observada nas araras-azuis deve ser compreendida como uma estratégia comportamental que favorece o sucesso reprodutivo e a sobrevivência da prole, sendo resultado de milhões de anos de adaptação evolutiva.

As araras-azuis atingem a maturidade sexual por volta dos seis aos oito anos de idade. Antes da reprodução, os indivíduos passam por um longo período de interação social até estabelecerem um vínculo com um parceiro. A escolha do casal é acompanhada por diversos comportamentos de aproximação, como vocalizações frequentes, limpeza mútua das penas, troca de alimento e voos sincronizados. Essas interações fortalecem o vínculo entre macho e fêmea, aumentando a cooperação durante a reprodução e a criação dos filhotes.

A espécie apresenta monogamia social, ou seja, macho e fêmea permanecem juntos durante várias temporadas reprodutivas e, frequentemente, por muitos anos. Embora seja comum afirmar que as araras-azuis escolhem um parceiro para toda a vida, essa afirmação não significa que o indivíduo jamais formará outro casal. Caso um dos parceiros morra ou desapareça, o sobrevivente pode estabelecer um novo vínculo reprodutivo. Dessa forma, a monogamia representa uma estratégia adaptativa baseada na cooperação entre os indivíduos e não uma impossibilidade biológica de formar novos pares.

Durante o período reprodutivo, os comportamentos de corte tornam-se mais intensos. O casal permanece constantemente próximo, realiza demonstrações de afeto por meio da limpeza das penas e da alimentação compartilhada, além de emitir vocalizações específicas que reforçam a comunicação entre os parceiros. Após esse período ocorre a cópula, geralmente repetida diversas vezes durante a estação reprodutiva para aumentar as chances de fecundação.

A reprodução depende diretamente da disponibilidade de locais adequados para nidificação. No Pantanal, principal área de ocorrência da espécie, as araras-azuis utilizam principalmente cavidades naturais presentes em árvores de manduvi (Sterculia apetala). Como essas cavidades levam décadas para se formar, a escassez de árvores antigas representa um dos principais fatores limitantes para a reprodução da espécie. Os casais costumam reutilizar o mesmo ninho durante vários anos, realizando apenas pequenas adaptações antes do início de uma nova estação reprodutiva.

A fêmea normalmente coloca um ou dois ovos, embora eventualmente possa ocorrer a postura de um terceiro ovo. A incubação dura aproximadamente trinta dias e é realizada quase exclusivamente pela fêmea, enquanto o macho permanece responsável pela obtenção de alimento e pela defesa do território ao redor do ninho. Essa divisão de tarefas demonstra a elevada cooperação existente entre os parceiros e constitui uma das principais vantagens da monogamia social observada na espécie.

Após a eclosão, os filhotes permanecem totalmente dependentes dos pais durante vários meses. Ambos os adultos participam da alimentação da prole, embora o macho costume dedicar maior parte do tempo à busca de alimento, enquanto a fêmea permanece protegendo o ninho e aquecendo os filhotes durante as primeiras semanas de vida. Em muitas ocasiões apenas um filhote sobrevive até a fase de independência, consequência da competição entre irmãos e da limitação dos recursos alimentares disponíveis. Esse fenômeno, apesar de parecer desfavorável, representa uma adaptação natural que aumenta as chances de sobrevivência do filhote mais desenvolvido quando o alimento é insuficiente para todos.

Mesmo após deixarem o ninho, os jovens continuam acompanhando os pais por vários meses. Durante esse período aprendem técnicas de alimentação, reconhecimento de predadores, escolha de áreas de descanso e formas de interação social com outros indivíduos da espécie. Esse longo período de aprendizagem evidencia a importância da participação conjunta do casal no desenvolvimento da prole, reforçando a necessidade de manutenção do vínculo entre os parceiros.

O comportamento monogâmico proporciona diversas vantagens ecológicas. A cooperação entre macho e fêmea aumenta o sucesso reprodutivo, melhora a proteção contra predadores, reduz conflitos durante a criação dos filhotes e favorece a sobrevivência dos jovens até a independência. Casais experientes também tendem a apresentar maior eficiência na utilização dos ninhos e na criação da prole quando comparados a casais recém-formados, demonstrando que a estabilidade do vínculo pode contribuir para o aumento do sucesso reprodutivo ao longo dos anos.

Apesar dessas adaptações, a reprodução da arara-azul enfrenta inúmeras ameaças decorrentes das atividades humanas. A destruição do habitat, a remoção de árvores antigas utilizadas para nidificação, os incêndios florestais, as mudanças climáticas e o tráfico ilegal de animais silvestres reduzem significativamente as oportunidades de reprodução da espécie. A perda de árvores com cavidades naturais limita diretamente a formação de novos casais reprodutivos e compromete a manutenção das populações naturais.

Nas últimas décadas, diversos programas de conservação têm contribuído para a recuperação das populações de arara-azul em algumas regiões do Brasil. Entre as principais ações estão a instalação de ninhos artificiais, o monitoramento de casais reprodutores, a proteção das áreas de ocorrência e o desenvolvimento de projetos de educação ambiental voltados às comunidades locais. Essas iniciativas demonstram que a conservação do habitat é indispensável para garantir o sucesso reprodutivo da espécie e assegurar sua permanência nos ecossistemas brasileiros.

Conclui-se que o comportamento reprodutivo da arara-azul está intimamente relacionado à sua estratégia de monogamia social e ao elevado investimento parental realizado por ambos os indivíduos do casal. A cooperação entre macho e fêmea, a utilização de ninhos por vários anos e o longo período de cuidado com os filhotes representam adaptações fundamentais para o sucesso da espécie. Dessa forma, compreender esses aspectos comportamentais é essencial para orientar ações de conservação, contribuindo para a preservação de uma das aves mais importantes e simbólicas da biodiversidade brasileira.


domingo, 26 de julho de 2026

Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo


Olá, araras azuis!!!

Hoje eu trago notícias revoltantes, que me deixaram com muita, mas muita raiva. Confesso que fiquei completamente indignada quando soube do que aconteceu, e acho importante compartilhar isso com vocês.

Animais silvestres e aves exóticas, incluindo uma arara-azul — espécie ameaçada de extinção —, uma arara-canindé, uma coruja suindara, cacatuas, papagaios e jabutis, além de felinos mantidos em caixas, foram resgatados pela Polícia Federal durante uma operação contra o tráfico de animais realizada na manhã desta quarta-feira (15), em Várzea das Moças, na Região Oceânica de Niterói. Um homem foi preso em flagrante por manter animais silvestres em cativeiro e por maus-tratos.

Batizada de Operação Bicho Solto, a ação foi realizada por agentes do Grupo de Repressão a Crimes Ambientais da Delegacia da Polícia Federal em Niterói, com apoio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado.


No imóvel, foram encontrados animais da fauna silvestre e aves exóticas mantidos em cativeiro, alguns em situação de maus-tratos. Entre as espécies identificadas estavam coruja suindara, cacatua galah, cacatua galerita, papagaio-verdadeiro, jandaia, marianinha, ring neck, arara-canindé, arara-azul e jabutis.


Além dos animais, os agentes apreenderam documentos com indícios de fraude, dinheiro e mídias que serão analisadas no decorrer da investigação.


Segundo a Polícia Federal, o investigado já havia sido alvo de apurações por suspeita de chefiar uma quadrilha interestadual especializada no tráfico de aves raras. Os animais seriam capturados em diferentes estados do país, incluindo espécies ameaçadas de extinção.


— A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação de combate ao tráfico de animais silvestres. No local, foram encontradas diversas espécies da fauna brasileira, algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul, além de espécies exóticas, todas mantidas em situação irregular. Alguns animais também estavam em situação de maus-tratos. Eles estão sendo recolhidos e encaminhados para um local apropriado, enquanto o responsável pelo imóvel foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Niterói e autuado em flagrante — afirmou o delegado federal Fernando César, responsável pela investigação.

Após a prisão, o suspeito foi levado para a Delegacia da Polícia Federal em Niterói, onde foi autuado em flagrante. Em seguida, será encaminhado ao sistema prisional do estado e ficará à disposição da Justiça.

sábado, 25 de julho de 2026

Video: Em extinção Arara Azul de Lear Procria em centro de conservação

 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bahia participa da maior contagem simultânea de araras-azuis do mundo; veja como colaborar

 


Olá, araras azuis!!!

Hoje eu trago boas notícias! Espero que vocês gostem e fiquem tão felizes quanto eu ao saber delas. Espero também que essas novidades alegrem o dia de vocês. Vamos conferir?

Nos próximos dias 1º e 2 de agosto, o Instituto Arara Azul promove a segunda edição do chamado Big Day das Araras-Azuis. Trata-se de uma mobilização internacional de ciência cidadã voltada para o registro da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) em áreas de ocorrência da espécie no Brasil, Bolívia e Paraguai. A iniciativa é considerada a maior contagem simultânea de araras-azuis realizada na natureza.Inspirado no Global Big Day, tradicional evento mundial de observação de aves que reúne milhares de participantes para registrar espécies em campo, o Big Day das Araras-Azuis busca mapear a presença da arara-azul-grande, símbolo da biodiversidade brasileira. A espécie é monitorada pelo Instituto Arara Azul há mais de 30 anos e ainda enfrenta ameaças à sua conservação. primeira edição do Big Day das Araras-Azuis foi realizada em 2025 e trouxe resultados considerados expressivos pelos pesquisadores. Segundo a médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, os números demonstram o potencial da mobilização.

“No Brasil, Mato Grosso do Sul liderou a contagem, com 409 araras-azuis registradas e uma grande mobilização de observadores em diferentes municípios. O Pará também teve uma participação muito expressiva, com 335 indivíduos registrados e forte envolvimento da comunidade local”, explica.


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Comportamento em grupo da Ararinha Azul

 Olá, araras azuis!!! Hoje eu trago um artigo escrito por mim, com base nas minhas pesquisas, sobre o comportamento em grupo da ararinha-azul. Vou deixar as fontes utilizadas no final da publicação. Apesar de ser uma espécie muito conhecida, ainda há muitos aspectos interessantes sobre seu comportamento. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma ave altamente social. Ela forma pares duradouros, estabelecendo fortes vínculos com seu parceiro ao longo da vida. Além disso, esses casais interagem com outras ararinhas-azuis e, ocasionalmente, com outras espécies de psitacídeos, principalmente durante a alimentação, o descanso e os deslocamentos. Como acontece com outras araras, a comunicação desempenha um papel essencial em sua sobrevivência. Vocalizações, posturas corporais e o contato próximo fortalecem os laços entre os indivíduos, auxiliam no reconhecimento entre os casais, permitem alertar sobre possíveis ameaças e facilitam a convivência. Registros históricos mostram que a ararinha-azul não costumava formar grandes bandos, como ocorre com algumas outras espécies de araras. O mais comum era encontrá-la em pares ou em pequenos grupos familiares, comportamento que provavelmente está relacionado à disponibilidade de recursos e às características da Caatinga, seu habitat natural. Após décadas de esforços de conservação, a ararinha-azul voltou à natureza por meio de programas de reintrodução. Hoje, pesquisadores acompanham de  perto os indivíduos reintroduzidos para entender como eles estabelecem vínculos sociais, escolhem parceiros, exploram o ambiente e se adaptam à vida livre. Essas informações são fundamentais para aprimorar futuras reintroduções e garantir que novas populações possam se estabelecer de forma saudável. A conservação de uma espécie vai muito além de proteger indivíduos. É necessário compreender seu comportamento, sua ecologia e suas relações sociais para que ela volte a desempenhar seu papel no ecossistema e tenha populações estáveis na natureza. Fontes: ICMBio, ACTP (Association for the Conservation of Threatened Parrots), BirdLife International e publicações científicas sobre Cyanopsitta spixii. 

 

domingo, 28 de junho de 2026

Arara-Azul-Grande volta para lista nacional de espécies ameaçadas de extinção

Olá, Araras Azuis!!

Hoje eu trago péssimas notícias. Fiquei muito mal e devastada ao ler tudo o que aconteceu. Meu coração ficou apertado, e confesso que foi muito difícil receber essas informações hoje. 

O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) colocou, pela segunda vez, a arara-azul-grande na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (18).


A nova lista reúne 789 espécies ameaçadas e nove extintas entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. De acordo com o MMA, a versão substitui a lista anterior, de 2022, e contempla os resultados das avaliações conduzidas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).


As araras-azuis, especificamente, voltaram a integrar a relação após 12 anos. A espécie foi colocada pela primeira vez na década de 1980, onde, segundo o Instituto Arara-azul, mais de 10 mil aves foram retiradas da natureza em decorrência ao tráfico e a caça.

Espécies ameaçadas

Segundo o MMA, entre as espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como Criticamente em Perigo (CR), das quais 25 são consideradas Possivelmente Extintas (CR-PE). Enquanto outras 285 encontram-se na categoria Em Perigo (EN) e 336 são classificadas como Vulneráveis (VU).

Apenas a espécie mutum-do-nordeste (Pauxi mitu) permanece na categoria Extinta na Natureza (EW), com exemplares mantidos apenas em cativeiro.

Já os invertebrados terrestres representam o maior grupo da lista de ameaçados de extinção, com 264 espécies ou subespécies. Na sequência aparecem as aves, com 242 registros, os répteis, com 123, os mamíferos, com 102, e os anfíbios, com 59 espécies ou subespécies.

Aproximadamente 180 espécies ou subespécies foram incluídas na lista de ameaçadas após o resultado do balanço técnico. Conforme descrito pelo MMA, esse grupo reúne espécies que demonstraram agravamento em seu estado de conservação.

Os principais destaques se dão pela reinserção da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus) na lista.

Embora o número seja considerado elevado, ainda houve uma melhora no indíce de espécies que deixaram a lista de ameaçados. O balanço aponta que cerca de 150 espécies não são mais consideradas por risco de extinção.

O MMA aponta que a mudança ocorre em função de diferentes fatores, como o avanço do conhecimento científico sobre as espécies, revisões taxonômicas e melhorias no estado de conservação de algumas populações.

Além disso, também houve alterações relacionadas a revisões taxonômicas e à reclassificação de espécies para categorias não ameaçadas, como Menos Preocupante (LC), Quase Ameaçada (NT) ou Dados Insuficientes (DD).

FONTE: CNN BRASIL

sábado, 20 de junho de 2026

Ambiental MS Pantanal doa mudas para recuperar habitat da arara-azul


 

Olá, araras azuis!

Hoje eu trago notícias maravilhosas! É muito bom ver pessoas fazendo o bem pelas araras-azuis e contribuindo para a conservação dessas aves tão especiais.

Um projeto piloto de reflorestamento no Pantanal Sul-Mato-Grossense começou a ser implantado com o objetivo de recuperar áreas degradadas e fortalecer a conservação da fauna nativa. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Arara Azul e conta com a parceria da Ambiental MS Pantanal, que realizou, no dia 27 de abril, a doação de 250 mudas nativas produzidas pelo Viveiro Isaac de Oliveira.


As mudas serão plantadas na região da Fazenda Caiman, em Miranda, em uma área impactada pelos incêndios registrados nos últimos anos, que afetaram diretamente a biodiversidade local. O projeto busca restaurar o ecossistema e fortalecer a preservação da arara-azul-grande, uma das espécies mais emblemáticas do Pantanal. Entre as espécies doadas estão tarumã, angico-preto, manduvi, macaúba, louro-preto, ipê-branco e ipê-roxo, consideradas estratégicas para a recuperação ambiental. Além de contribuírem para a recomposição da vegetação, essas árvores desempenham papel fundamental na alimentação e na reprodução da fauna pantaneira.


De acordo com a diretora-executiva do Instituto Arara Azul, Eliza Mense, o plantio tem impacto direto na sobrevivência da espécie.


“A espécie se alimenta basicamente de cocos como o acuri e a bocaiuva. Já para a reprodução, depende de árvores como o manduvi para a formação de ninhos. Mesmo quando utilizamos ninhos artificiais, é essencial que existam árvores altas e bem posicionadas”, explica. O Instituto Arara Azul e a Ambiental MS Pantanal mantêm parceria oficial desde 2025 em ações voltadas à preservação ambiental no Pantanal, especialmente por meio da doação de espécies nativas.


Para o analista ambiental da concessionária, Carlos Leal, a união entre as instituições amplia os resultados das ações ambientais.  “A parceria permite somar esforços e conhecimentos, ampliando os impactos positivos no ecossistema, na biodiversidade e na saúde do Pantanal”, afirma. Eliza Mense também reforçou a importância da atuação conjunta entre diferentes instituições. “A conservação ambiental exige colaboração. Quando unimos os potenciais de cada parceiro em torno de um propósito comum, conseguimos resultados mais efetivos na preservação da biodiversidade”, destaca.


O projeto ocorre em um cenário de desafios crescentes para o bioma pantaneiro. Assim como em outras regiões do Pantanal, a área enfrenta impactos das mudanças climáticas, com altas temperaturas, estiagem prolongada e aumento da ocorrência de incêndios, fatores que tornam as ações de recuperação ambiental ainda mais necessárias.


O Instituto Arara Azul é uma organização não governamental, de direito privado e sem fins econômicos, voltada à promoção da conservação ambiental. Por meio do Projeto Arara-Azul, a entidade desenvolve, desde 1990, estratégias para manutenção de populações viáveis da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Projeto de reintrodução traz a ararajuba de volta aos céus de Belém

 
Olá, araras azuis!

Eu sei que a ararajuba não é uma arara-azul, mas ela é outra ave, um psitacídeo em risco de extinção, e considero muito importante falar sobre ela.

Quem acompanha o blog desde 2013 sabe que eu sempre procuro abordar não apenas as araras-azuis, mas também outras aves ameaçadas de extinção e até mesmo outros animais. Acredito que conscientizar as pessoas sobre a importância da conservação da fauna é fundamental para a proteção dessas espécies e de seus habitats.

 A ararajuba é tão colorida quanto barulhenta. Penduradas nos galhos, três dessas aves gritam enquanto olham para o biólogo Marcelo Vilarta, alguns metros abaixo, enquanto ele as observa. Também chamada de guarubas, essas parentes de araras e periquitos ostentam plumagem amarela vibrante, com pontas verdes nas asas, que chamam atenção na vegetação amazônica. No entanto, são essas cores que colocam sua população em risco de extinção.


O comércio ilegal de animais de estimação, aliado à perda de habitat, reduziu a população de ararajubas (Guaruba guarouba) a menos de 10 mil espécimes na natureza – um pequeno número para um grande bioma como a Amazônia, o único lugar na Terra onde são encontrados de forma nativa. Eles estão presentes principalmente no estado do Pará, com registros também no Maranhão e no Amazonas.


“Não há ararajubas [na natureza] em nenhum outro lugar do mundo”, diz Vilarta. Ele faz parte de um projeto de reintrodução dessas aves apoiado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e Biodiversidade (Ideflor-Bio) e pela Fundação Lymington.


O programa começou em 2017, e o primeiro bando de ararajubas foi liberado na natureza em janeiro de 2018, no Parque Estadual do Utinga, em Belém, cidade onde essas aves estão extintas há mais de cem anos. Os curiosos espécimes que observam Vilarta da árvore são três dos 50 que foram soltos aqui até agora.


“A ideia do projeto é reduzir a vulnerabilidade da população de ararajubas e criar uma nova população selvagem em uma área onde elas já estavam extintas”, diz o biólogo.

A Fundação Lymington, sediada no estado de São Paulo, tem criado ararajubas com sucesso nos últimos 20 anos para aumentar o número da espécie e, em 2017, uniu-se ao Ideflor-Bio para reintroduzir a ave de volta à natureza, com o apoio do Museu de Zoologia da USP. Belém foi escolhida para a reintrodução para trazer de volta “uma espécie a um lugar onde ela já havia desaparecido”, diz Vilarta.


O Parque Estadual do Utinga, no centro de Belém, é uma unidade de conservação e o maior espaço verde da cidade, com uma área de 1.393 hectares de ambiente amazônico natural amplamente preservado, o habitat preferido da ararajuba. A área é protegida por segurança privada e pela polícia ambiental pública, reduzindo a possibilidade de tráfico e desmatamento.


Os coordenadores do programa montaram dois aviários no meio do parque, onde dez ararajubas estão sendo preparadas para serem reintroduzidos na natureza. A maioria veio do programa de reprodução da Fundação Lymington, mas algumas foram resgatadas do tráfico ou de serem mantidas como animais de estimação. Dentro dos recintos, as ararajubas passam por um período de adaptação e aclimatação que leva pelo menos cinco meses.


O viveiro tem vegetação semelhante à que as ararajubas encontrarão na natureza, e elas são ensinados a reconhecer e consumir alimentos locais. As aves também são treinadas para reconhecer predadores, como jiboias, e para isso Vilarta e sua equipe colocam cobras vivas em segurança perto do recinto. Em seguida, os pesquisadores avaliam as reações das ararajubas às cobras, bem como às aves de rapina locais que caçam na área, e dão a elas uma nota de aprovação se emitirem coletivamente gritos de alarme quando os predadores se aproximam.

A educação ambiental para o público em geral, especialmente em escolas e universidades e para os visitantes do parque, também desempenha um papel fundamental na proteção de longo prazo da ave. “O projeto intensificou a educação para aumentar a conscientização sobre a importância dessa espécie para a cidade de Belém, pois é essa ave que ajuda a propagar as espécies frutíferas típicas de nossa cidade”, diz Monica Furtado da Costa, diretora do Ideflor-Bio. As atividades educativas incluem a distribuição de cartilhas sobre a ararajuba para estudantes, a criação de jogos para crianças e a realização de uma exposição sobre a espécie no Parque Porto do Futuro, em Belém.


Até o momento, o programa de reintrodução está funcionando. Um estudo publicado em 2021 sobre o projeto constatou que “as aves liberadas foram muito bem-sucedidas em encontrar e consumir alimentos nativos, fugindo de predadores, e um casal conseguiu se reproduzir com sucesso”.


Apesar do sucesso, a reintrodução de todas as ararajubas, especialmente as capturadas anteriormente, nem sempre é fácil.


No viveiro, uma fêmea de ararajuba se equilibra na rede de malha dentro do recinto e se aproxima de Vilarta, demonstrando pouco medo das pessoas. O biólogo diz que ela já foi mantida como animal de estimação, criada ilegalmente no Pará, antes que o proprietário a entregasse para o projeto. “Você pode até falar com ela e ela responde”, diz ele.


Outra ave se agarra à rede próxima. Vilarta entra na gaiola, recolhe o animal usando uma vara longa e o coloca perto de uma caixa-ninho para protegê-lo do sol escaldante do meio da manhã. Antes de ser resgatado e entregue ao projeto, esse espécime em particular havia sido mantido em uma gaiola por 15 anos e nunca aprendeu a voar. Vilarta diz que a reintrodução dessas duas aves na natureza será um desafio, se é que será possível, devido à sua incapacidade de se adaptar à vida fora do cativeiro. “Pelo menos esses dois podem ser felizes e seguros aqui”, diz ele.

Atualmente, dez das cinquenta ararajubas selvagens reintroduzidas permanecem no Parque Estadual do Utinga e visitam o recinto diariamente para socializar com as aves em cativeiro e comer nos comedouros que Vilarta deixa para elas. Ele passa todos os dias ao lado dos recintos, monitorando as populações selvagens e em cativeiro.


As outras 40 que foram liberadas anteriormente se dispersaram para outras regiões. Antes de ser solta, cada ararajuba recebe um anel nas pernas e um colar no pescoço para ajudar a manter o controle da população. Os colares de rádio ajudam a monitorar as aves individualmente até certo ponto, mas não são eficazes em longas distâncias.


“Depois que elas são solas, é difícil mantê-las sob controle”, diz Vilarta. O plano agora é expandir o tamanho dos aviários atuais para acomodar mais ararajubas s e, em seguida, soltar outras 50 na natureza nos próximos dois anos. Os pesquisadores e conservacionistas esperam que essas aves continuem a criar suas próprias populações em Belém e além.


“Espero que haja mais filhotes em breve, porque agora eles precisam aumentar sua população naturalmente”, diz Vilarta. “Em algum momento, poderemos parar de soltar novas aves aqui e a população poderá se restabelecer naturalmente.”

FONTE: MONGABY