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domingo, 26 de julho de 2026

Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo


Olá, araras azuis!!!

Hoje eu trago notícias revoltantes, que me deixaram com muita, mas muita raiva. Confesso que fiquei completamente indignada quando soube do que aconteceu, e acho importante compartilhar isso com vocês.

Animais silvestres e aves exóticas, incluindo uma arara-azul — espécie ameaçada de extinção —, uma arara-canindé, uma coruja suindara, cacatuas, papagaios e jabutis, além de felinos mantidos em caixas, foram resgatados pela Polícia Federal durante uma operação contra o tráfico de animais realizada na manhã desta quarta-feira (15), em Várzea das Moças, na Região Oceânica de Niterói. Um homem foi preso em flagrante por manter animais silvestres em cativeiro e por maus-tratos.

Batizada de Operação Bicho Solto, a ação foi realizada por agentes do Grupo de Repressão a Crimes Ambientais da Delegacia da Polícia Federal em Niterói, com apoio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado.


No imóvel, foram encontrados animais da fauna silvestre e aves exóticas mantidos em cativeiro, alguns em situação de maus-tratos. Entre as espécies identificadas estavam coruja suindara, cacatua galah, cacatua galerita, papagaio-verdadeiro, jandaia, marianinha, ring neck, arara-canindé, arara-azul e jabutis.


Além dos animais, os agentes apreenderam documentos com indícios de fraude, dinheiro e mídias que serão analisadas no decorrer da investigação.


Segundo a Polícia Federal, o investigado já havia sido alvo de apurações por suspeita de chefiar uma quadrilha interestadual especializada no tráfico de aves raras. Os animais seriam capturados em diferentes estados do país, incluindo espécies ameaçadas de extinção.


— A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação de combate ao tráfico de animais silvestres. No local, foram encontradas diversas espécies da fauna brasileira, algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul, além de espécies exóticas, todas mantidas em situação irregular. Alguns animais também estavam em situação de maus-tratos. Eles estão sendo recolhidos e encaminhados para um local apropriado, enquanto o responsável pelo imóvel foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Niterói e autuado em flagrante — afirmou o delegado federal Fernando César, responsável pela investigação.

Após a prisão, o suspeito foi levado para a Delegacia da Polícia Federal em Niterói, onde foi autuado em flagrante. Em seguida, será encaminhado ao sistema prisional do estado e ficará à disposição da Justiça.

sábado, 25 de julho de 2026

Video: Em extinção Arara Azul de Lear Procria em centro de conservação

 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bahia participa da maior contagem simultânea de araras-azuis do mundo; veja como colaborar

 


Olá, araras azuis!!!

Hoje eu trago boas notícias! Espero que vocês gostem e fiquem tão felizes quanto eu ao saber delas. Espero também que essas novidades alegrem o dia de vocês. Vamos conferir?

Nos próximos dias 1º e 2 de agosto, o Instituto Arara Azul promove a segunda edição do chamado Big Day das Araras-Azuis. Trata-se de uma mobilização internacional de ciência cidadã voltada para o registro da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) em áreas de ocorrência da espécie no Brasil, Bolívia e Paraguai. A iniciativa é considerada a maior contagem simultânea de araras-azuis realizada na natureza.Inspirado no Global Big Day, tradicional evento mundial de observação de aves que reúne milhares de participantes para registrar espécies em campo, o Big Day das Araras-Azuis busca mapear a presença da arara-azul-grande, símbolo da biodiversidade brasileira. A espécie é monitorada pelo Instituto Arara Azul há mais de 30 anos e ainda enfrenta ameaças à sua conservação. primeira edição do Big Day das Araras-Azuis foi realizada em 2025 e trouxe resultados considerados expressivos pelos pesquisadores. Segundo a médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, os números demonstram o potencial da mobilização.

“No Brasil, Mato Grosso do Sul liderou a contagem, com 409 araras-azuis registradas e uma grande mobilização de observadores em diferentes municípios. O Pará também teve uma participação muito expressiva, com 335 indivíduos registrados e forte envolvimento da comunidade local”, explica.


domingo, 28 de junho de 2026

Arara-Azul-Grande volta para lista nacional de espécies ameaçadas de extinção

Olá, Araras Azuis!!

Hoje eu trago péssimas notícias. Fiquei muito mal e devastada ao ler tudo o que aconteceu. Meu coração ficou apertado, e confesso que foi muito difícil receber essas informações hoje. 

O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) colocou, pela segunda vez, a arara-azul-grande na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (18).


A nova lista reúne 789 espécies ameaçadas e nove extintas entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. De acordo com o MMA, a versão substitui a lista anterior, de 2022, e contempla os resultados das avaliações conduzidas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).


As araras-azuis, especificamente, voltaram a integrar a relação após 12 anos. A espécie foi colocada pela primeira vez na década de 1980, onde, segundo o Instituto Arara-azul, mais de 10 mil aves foram retiradas da natureza em decorrência ao tráfico e a caça.

Espécies ameaçadas

Segundo o MMA, entre as espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como Criticamente em Perigo (CR), das quais 25 são consideradas Possivelmente Extintas (CR-PE). Enquanto outras 285 encontram-se na categoria Em Perigo (EN) e 336 são classificadas como Vulneráveis (VU).

Apenas a espécie mutum-do-nordeste (Pauxi mitu) permanece na categoria Extinta na Natureza (EW), com exemplares mantidos apenas em cativeiro.

Já os invertebrados terrestres representam o maior grupo da lista de ameaçados de extinção, com 264 espécies ou subespécies. Na sequência aparecem as aves, com 242 registros, os répteis, com 123, os mamíferos, com 102, e os anfíbios, com 59 espécies ou subespécies.

Aproximadamente 180 espécies ou subespécies foram incluídas na lista de ameaçadas após o resultado do balanço técnico. Conforme descrito pelo MMA, esse grupo reúne espécies que demonstraram agravamento em seu estado de conservação.

Os principais destaques se dão pela reinserção da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus) na lista.

Embora o número seja considerado elevado, ainda houve uma melhora no indíce de espécies que deixaram a lista de ameaçados. O balanço aponta que cerca de 150 espécies não são mais consideradas por risco de extinção.

O MMA aponta que a mudança ocorre em função de diferentes fatores, como o avanço do conhecimento científico sobre as espécies, revisões taxonômicas e melhorias no estado de conservação de algumas populações.

Além disso, também houve alterações relacionadas a revisões taxonômicas e à reclassificação de espécies para categorias não ameaçadas, como Menos Preocupante (LC), Quase Ameaçada (NT) ou Dados Insuficientes (DD).

FONTE: CNN BRASIL

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ameaçadas de extinção, araras-azuis nascem em zoológico de São Paulo


 Olá, araras azuis!

Perdão pelo meu sumiço. Estive muito ocupada com provas e trabalhos acadêmicos da faculdade de Biologia.

Mas hoje trouxe notícias maravilhosas para compartilhar com vocês! Estou muito feliz em voltar e contar todas as novidades.

Duas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) nasceram no Zoológico de São Paulo no fim de abril. As imagens dos filhotes foram divulgadas nesta sexta, 22, que celebra o Dia Internacional da Biodivesidade. Os novos integrantes se juntam a outros 21 pássaros da espécie ameaçada de extinção que nasceram na instituição nos últimos onze anos, como parte do programa de conservação dos animais. Os filhotes são descendentes do casal de aves Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie registrados no zoológico na capital paulista. Parte das aves nascidas na instituição já foram incorporadas ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas conhecidas de ocorrência natural da espécie.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

As pistas invisíveis no combate ao tráfico de araras-azuis-de-lear

 Olá Araras Azuis, hoje trago uma matéria muito importante! Quero compartilhar algumas informações e curiosidades que muita gente não conhece, então leiam com atenção e, se possível, ajudem a divulgar para mais pessoas.

Mesmo após décadas de esforços de conservação, a arara-azul-de-lear ainda enfrenta uma ameaça persistente: o tráfico ilegal. Para ajudar a combater esse problema, a pesquisadora Isabela Prado, selecionada no Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro (2025) pelo Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla em inglês), ela usa pistas químicas deixadas no corpo das aves para revelar a origem de aves vítimas deste crime ambiental e, por meio da análise científica, gerar dados que fortaleçam as estratégias para conservação da espécie.


Endêmica da Caatinga do norte da Bahia, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) já esteve à beira da extinção. Em 1987, estimava-se que apenas 60 indivíduos viviam na natureza. Hoje, graças a ações de conservação, como proteção do habitat e programas de reintrodução, a população chega a aproximadamente 2,5 mil aves. Ainda assim, a espécie segue classificada como “Em Perigo”. Sua distribuição restrita, a dependência de áreas específicas para alimentação e reprodução e a baixa taxa reprodutiva aumentam sua vulnerabilidade.


Entre as ameaças, o tráfico se destaca. Casos recentes de araras apreendidas no Suriname e no Togo, além de registros de tráfico de ovos da ave, mostram que a espécie, com alto valor no mercado ilegal, segue na mira dos criminosos. 


É nesse contexto que entra o projeto de pesquisa de Isabela. Sua proposta é usar informações químicas presentes em tecidos como penas, sangue e unhas para desvendar a origem e o histórico ambiental recente dos indivíduos. 


“Tudo o que o animal consome e o ambiente em que vive deixam registros naturais no corpo”, explica a doutoranda da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no sul da Bahia. Essas marcas, que os cientistas chamam de assinaturas isotópicas, permitem identificar as características ambientais próprias de cada região, que resultam em combinações distintas, funcionando como registros naturais do local onde viveram ou se alimentaram.


“Essa abordagem é especialmente relevante porque araras podem ser capturadas ilegalmente na natureza, mantidas em criadouros clandestinos e posteriormente traficadas. Quando uma ave é resgatada, muitas vezes não existem informações confiáveis sobre sua procedência ou sobre o tempo que permaneceu em determinado ambiente”, detalha Isabela. “Podemos usar essas informações para reconstruir parte da trajetória de aves apreendidas no tráfico”, destaca. Isso abre caminho para decisões mais seguras sobre ações de manejo, como a reintrodução, e até para fiscalização. 


Para executar sua pesquisa, Isabela irá a campo nas duas unidades de conservação em que a espécie ocorre: a Estação Ecológica Raso da Catarina e o Parque Nacional Boqueirão da Onça, onde serão coletadas amostras biológicas das araras em vida livre. Somado a isso, o estudo irá acompanhar indivíduos que passaram por mudanças de ambiente em situações monitoradas, como processos de reintrodução; analisar amostras de aves apreendidas do tráfico; e as assinaturas de animais mantidos sob cuidados humanos no Brasil e no exterior. Todo esse esforço de coleta irá permitir a comparação isotópica entre diferentes contextos ambientais que servirão de base para criação de um banco de dados de referência para futuras ações de conservação da arara-azul-de-lear. 


“O apoio do programa Bolsas FUNBIO é fundamental para viabilizar as análises laboratoriais das assinaturas isotópicas, que possuem custo elevado, além de contribuir para despesas relacionadas ao campo, coleta e processamento das amostras biológicas”, pontua a doutoranda.


Na prática, os resultados podem orientar estratégias de combate ao tráfico e o planejamento de ações mais eficientes de conservação, destaca. Ao transformar sinais invisíveis em informação concreta, a pesquisa abre novas possibilidades para proteger a arara-azul-de-lear e mostra como a ciência pode ser uma aliada decisiva na conservação da biodiversidade brasileira.

quarta-feira, 25 de março de 2026

CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR E SUAS IMBRICAÇÕES COM O TURISMO DO RASO DA CATARINA

 

 Olá, araras-azuis! 

Hoje eu trouxe um artigo sobre a conservação da arara-azul-de-lear. Espero que gostem!

Se quiserem ler o PDF original, clique aqui

INTRODUÇÃO
Presente na contemporaneidade, a perspectiva conservacionista aponta
especificidades sobre o fazer humano no ambiente em que vive. Por isso, é importante buscar
compreender como as questões a ela relacionada se desenvolvem no cotidiano das populações
humanas, especialmente em áreas de conservação ambiental. Rotondaro et. al (2021; p. 274-
275 ) aponta a existência de duas correntes de pensamento conservacionista que trazem
compreensões sobre a relação do homem com a natureza: uma com o olhar de natureza
“intocada”, em que os recursos devem ser preservados; e outra que traz a ideia de
desenvolvimento sustentável em que o ser humano utiliza-se dos recursos disponíveis
buscando minimizar os impactos gerados.
É importante compreender como essa perspectiva se desenha nas sociedades
pósindustriais, marcadas por um desenvolvimento acelerado que tem repercussão nos modos
de vida de todas as espécies que habitam o planeta. Sabe-se hoje que é pertinente traçar
reflexões sobre como manter o equilíbrio entre conservação e desenvolvimento regional.
Frente a esse cenário, este texto apresenta resultados de uma etnografia multiespécie
(Tsing 2019; Dooren, Kirskey e Münster, 2016) que busca compreender as relações entre
humanos e não humanos no Raso da Catarina, região localizada no centro-norte da caatinga,
bioma exclusivamente brasileiro. Trata-se de um investimento em observar a prática do
cuidado interespecífico (entre duas ou mais espécies) que permite o surgimento de práticas
de desenvolvimento sustentável do local. Ela tem como enfoque principal a análise da relação
entre a conservação da Arara-Azul-de-Lear e o turismo ligado à natureza, bem como suas
consequentes reverberações na geração de renda para os moradores do Raso da Catarina -
Bahia. A região fica localizada no norte da Bahia, entre os municípios de Paulo Afonso,
Canudos e Macururé, no sertão baiano. O Raso da Catarina atrai turistas e pesquisadores do
mundo inteiro, para atividades de lazer, estudos e/ou pesquisas.
A Arara-Azul-De-Lear é uma espécie que, de acordo com o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sofre por ser alvo do tráfico de animais silvestres e
também por conta da destruição do seu habitat. Além dessas problemáticas, a espécie sofre
com o risco de morte por eletrocussão causadas pelo avanço do sistema de iluminação na
zona rural da região. Um outro problema é o conflito com agricultores que cultivam milho,
pois as araras passaram a alimentar-se do milho, causando danos a esses produtores, que
passaram a atacar as aves para afastá-las das lavouras. Por fim, há o risco de extinção de
uma das principais fontes de alimentação das araras, a palmeira licurizeiro, que produz o
coquinho Licuri.
Então, por meio de um mapeamento de atividades econômicas de turismo que levam
as comunidades a apoiar a conservação das Araras de Lear, conforme é conhecida por
ativistas, a pesquisa traz um olhar sobre a situação atual do turismo na região. Desse modo,
ao refletir sobre o contexto existente, a hipótese levantada é que tais atividades podem ser
utilizadas como uma maneira de proteger as Araras de lear e, por conseguinte, a caatinga,
com a ajuda da população da região. Assim, este texto busca apresentar resultados e
discussões em torno de dados colhidos em duas viagens a campo para pesquisa etnográfica
in lócus, ocorridas entre 6 a 14 de Agosto de 2023, e entre os dias 21 e 31 de Outubro de
2023, tendo como destino as cidades de Paulo Afonso-BA e Jeremoabo- BA, respectivamente.
METODOLOGIA
Para a realização do estudo, foi necessário a divisão das atividades em etapas. A
primeira consistiu em um mapeamento de conflitos relacionados à Arara-azul-de-lear
(Anodorhynchus leari) e de agências e práticas de turismos relacionados a natureza, no Raso
da Catarina. Nessa primeira etapa, foi possível realizar o estranhamento inicial do etnógrafo
e a narração de histórias, como sumarização dos conflitos mapeados. Na etapa seguinte, foi
realizada a observação participante de longa duração e narração de histórias como prática
científica (Despret, 2016), com foco na relação entre conservação da biodiversidade e turismo.
Na terceira etapa, aconteceu uma análise do corpus da pesquisa e as descrições sobre 
subsistência relacionada ao turismo do Raso da Catarina. Assim, visou-se a um retorno às observações e entrevistas focando no acompanhamento das articulações políticas em torno das políticas de turismo do Raso da Catarina, no poder público e nas organizações não governamentais relacionadas à conservação da caatinga. REFERENCIAL TEÓRICO Ancorado no campo de estudos das relações humano-animal, ou Animal Studies, a partir da antropologia (Despret, 2016) esta investigação assume como objeto a relação entre conservação da Arara-Azul-de-Lear, popularmente conhecida como Arara de lear, e o turismo de natureza a ela relacionado, na região do Raso da Catarina. McKercher (2002, p. 13) pondera que o segmento turismo de natureza engloba outros tipos de segmentações, como o ecoturismo, turismo de aventura, turismo educacional e outros tipos de atividades turísticas que proporcionam experiências de lazer ao ar livre, apresentando-se como um turismo alternativo ao turismo de massa. Fleischer (2007) analisa o desenvolvimento do ecoturismo na cidade de São Tomé das Letras apresentando os aspectos positivos e negativos do ecoturismo na localidade, além disso, traz reflexões sobre a relação do turismo com o patrimônio histórico. As discussões abordadas pelo autor revelam compreensões sobre a importância do planejamento turístico e da aplicação de planos de manejo que norteiam as atividades turísticas. Assim, levando em consideração o estudo de Fleischer (2007), fica evidente a importância da observação do turismo no Raso da Catarina-BA com uma visão holística a fim de mapear as relações e reverberações do turismo na região, buscando compreender as singularidades de cada localidade e a ligação com a conservação da biodiversidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO A imprensa, recorrentemente, publica reportagens sobre conflitos socioambientais envolvendo essas aves. O site de notícias TAB UOL de Euclides da Cunha-Ba, por exemplo, em fevereiro de 2020, noticiou que, com o avanço do sistema de iluminação na zona rural da região, muitas araras têm sido encontradas mortas por entrarem em contato com a fiação elétrica dos postes da Neoenergia Coelba. Outra problemática que ameaça a sobrevivência dessas aves é o conflito com agricultores que cultivam milho, pois as araras passaram a alimentar-se desta fonte nutricional (os agricultores consideram-nas como pragas), causando danos a esses produtores que passaram a atacar as aves para afastá-las das lavouras. O site UOL (2020) traz uma matéria que discute a problemática aqui levantada, destacando que esse comportamento das aves pode ser consequência do desmatamento da vegetação nativa que abrigava alimento para as araras. A matéria destaca, ainda, que a palmeira licurizeiro que produz o coquinho licuri, uma das fontes de alimentação das araras, está também ameaçada de extinção. Contudo, por meio da coleta de dados sobre iniciativas que envolvem
 turismo e conservação será possível analisar a possibilidade do turismo de natureza, em especial o ecoturismo, ser utilizado como ferramenta a favor da conservação da biodiversidade da região. Sob essa ótica, os dados iniciais deste estudo permitem afirmar que o Rio São Francisco é muito importante para os humanos e não humanos que se articulam em torno da conservação das Araras de Lear, sendo um elemento importante para os seres que habitam o Raso da Catarina e um local de potente atividade turística. Ele é alvo de visitação dos seus moradores e turistas que desfrutam da composição de uma paisagem única; ou seja é um espaço de lazer para os nativos e para os turistas. O local apresenta áreas formadas por planaltos e depressões, como o cânion do Rio São Francisco, a Serra do Umbuzeiro e parte do Raso da Catarina, característica essa que lhe concede muitos visitantes e praticantes do turismo de aventura e ecoturismo, além de ser o território da espécie endêmica da AraraAzulde-Lear. Em diálogo com um turismólogo que atua em uma das prefeituras da região, surgiram apontamentos que indicam a necessidade de planejamento deste segmento do turismo que pode ser um grande aliado da conservação das Araras de Lear, por ser uma espécie carismática, capaz de atrair a atenção da a conservação de muitas outras espécies da região e da caatinga em sua integralidade. Segundo ele e outros trabalhadores do turismo da região, há um vasto leque de possibilidades de aliar a natureza e a conservação da biodiversidade por meio do turismo, mas que as iniciativas ainda são discretas. Em Jeremoabo - BA, a equipe do projeto a qual este texto reporta identificou a baixa presença de hospedagens e restaurantes. Lá as opções de restaurantes disponíveis apresentam uma culinária rica que guarda características gastronômicas do sertão baiano, fazendo circular historias de comensalidade de como os humanos habitaram o Raso da Catarina. Em Canudos-BA, há uma loja chamada Jardins da Arara de Lear, que está atrelada a iniciativa do Projeto da de Lear que tem como objetivo a conservação da Arara-azul-de-Lear e dos licurizeiros que correm risco de extinção, buscando despertar nos moradores locais o desejo de cultivar esta planta nos jardins de suas propriedades, a fim de que as Araras tenham alimentação garantida, além da utilização da palmeira Licuri para produzir artesanato, trazendo, assim, algum impacto para sua renda. Os dados produzidos sobre a cidade de Paulo Afonso, em comparação às outras cidades da região, indicam a existência de uma infraestrutura maior para receber os visitantes e maior investimento em um turismo de aventura com atividades ligadas a natureza, porém, ainda estuda a possibilidade de planejamento do turismo de observação de aves. Em contrapartida, a cidade de Jeremoabo, apesar de ter uma infraestrutura menor para receber visitantes, abriga iniciativas que estão se organizando para utilizar o turismo como aliado da conservação da biodiversidade local.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Em suma, este trabalho reforça a necessidade de observação prolongada em locais onde são realizadas práticas de turismo e de hotelaria em locais marcados por extinção de espécies, aqui a Arara-Azul-De-Lear. Por meio de cadernos de campo e entrevistas, dados importantes sobre o manejo do turismo e da hotelaria têm sido produzidos, considerando o entendimento do cotidiano dos nativos, seus hábitos e costumes; da observação e visitação a projetos. Tem sido produzidos também dados sobre outros atores que se enredam na problemática, a exemplo dos ativistas, políticos e pesquisadores. Contudo, é válido destacar também que, por ser de longo prazo, são necessárias outras visitações in locus para andamento do projeto. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Estudo mapeia áreas prioritárias para reduzir mortes de araras por choque elétrico

 


Olá Araras Azuis! Trago postagens novas!

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie endêmica do norte da Bahia, quase foi extinta nos anos 1990. Graças a ações de conservação, sua população se expandiu para 2.500 indivíduos atualmente. A expansão das araras, porém, coincidiu com outra bem mais rápida, a da rede elétrica da região, que cresceu cerca de 30% entre 2018 e 2023. Como resultado, apenas entre janeiro e agosto de 2025, 35 araras foram encontradas mortas com sinais de eletroplessão, como se denomina a morte ou lesão acidental causada por energia elétrica.


Para mitigar o problema, um estudo apoiado pela FAPESP apontou os locais mais propícios para esse tipo de acidente nos municípios onde a espécie ocorre, 90% da população na região conhecida como Raso da Catarina. Entre outros fatores, o mapeamento levou em conta 78 eletroplessões relatadas entre 2005 e 2022, a composição da malha elétrica da região e a área de atividade da espécie.


No trabalho, publicado no Journal of Applied Ecology, os autores apontam que mudanças em 10% dos postes com maior risco levariam a uma redução de cerca de 80% dos acidentes conhecidos.


“O principal objetivo é apontar áreas prioritárias para mitigação, onde podem ser feitas alterações nos postes e evitar novas mortes e potenciais interrupções no fornecimento de energia. Nossas estimativas apontam um bom custo-benefício tanto para a empresa fornecedora quanto para a conservação da espécie”, afirma a brasileira radicada no Reino Unido Larissa Biasotto, senior science officer na BirdLife International e primeira autora do estudo.


Ainda no doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Biasotto conseguiu os dados de toda a rede elétrica nacional, fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio da Lei de Acesso à Informação. Sua ideia era entender as principais espécies de aves e biomas afetados pela rede elétrica.


Um dos primeiros resultados foi publicado em 2021. Aquele mapeamento já indicava a arara-azul-de-lear como uma das espécies prioritárias em relação ao risco de eletroplessão e desenvolvimento de medidas de mitigação.


Quando Biasotto publicou o artigo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cemave-ICMBio), e a pesquisadora Erica Pacífico estavam justamente observando um aumento significativo de eletroplessões da espécie em municípios como Canudos e Euclides da Cunha, na Bahia, onde Pacífico realiza suas pesquisas desde 2008. Apenas pela contagem de carcaças recolhidas próximas aos postes de energia elétrica por moradores, eram mais de 70 aves mortas desde então.


“Este é um número conservador, porque não considera todas que podem ter morrido em áreas pouco habitadas ou cujas carcaças foram consumidas por cachorros ou aves carniceiras. Há estimativas de que, na Caatinga, uma carcaça de animal dure no máximo três dias”, explica Pacífico, coautora do trabalho, coordenadora do grupo Pesquisa e Conservação Arara-azul-de-lear e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).


O trabalho integra o projeto “Uso de novas ferramentas de biorrastreamento e analíticas para o estudo da ecologia do movimento e conservação de aves na Caatinga”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Francisco Voeroes Dénes, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).


O estudo tem ainda entre os autores Fernanda Paschotto, que realizou mestrado no IB-USP sobre a área de vida e seleção de hábitat da arara-azul-de-lear com bolsa da FAPESP.



Casal de araras-azuis-de-lear em uma das áreas onde vivem, no sertão baiano: vegetação baixa da Caatinga pode ser uma das razões para aves pousarem em postes de energia elétrica (foto: Erica Pacífico)


Custo-benefício


Pacífico realiza o monitoramento contínuo da espécie desde 2008, catalogando ninhos e contando a população. Em 2017 passou a aplicar biologgers, coleiras que fornecem a localização por GPS, para coletar informações inéditas sobre o potencial de deslocamento diário de algumas das araras-azuis-de-lear e definir melhor sua área de atividade, composta em grande parte pelos locais de alimentação onde ocorre o licuri (Syagrus coronata). Os frutos da palmeira são a principal fonte de alimento da arara-azul-de-lear. Não por acaso, áreas de ocorrência do licuri são onde ocorre a maior parte das eletroplessões relatadas.



Arara com cachos de licuri no bico. Eletroplessões ocorrem sobretudo em áreas de ocorrência da palmeira, cujo fruto é o principal alimento da espécie (foto: Tathiana Andrade)


“Uma das inovações do trabalho é que não usamos a área de distribuição da espécie como um todo, como se costuma fazer em mapeamentos do tipo, mas a área de atividade, onde a probabilidade de eletroplessão é maior. É nesses locais que elas passam a maior parte do dia, se alimentando, interagindo entre si e se empoleirando em postes e fios de média tensão. Por serem mais altos do que a vegetação nativa, esses pontos oferecem uma visão privilegiada do território”, conta Biasotto.


A eletroplessão ocorre quando os animais tocam ao mesmo tempo um fio em que passa a corrente de energia e em outro em que ela não passa ou a voltagem é mais baixa. Por isso, uma solução proposta pelo Ministério Público da Bahia, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), é aumentar a distância entre os fios, o que demanda a troca dos postes iniciada pela empresa.


Segundo a análise de custo-benefício realizada pelos pesquisadores, ao mitigar os possíveis efeitos em 1% dos postes da área de risco mais alto de eletroplessão, 35% dos acidentes poderiam ser prevenidos, o que requereria intervenção em pelo menos 5.668 postes.


Uma vez que essa redução poderia ser insuficiente para a viabilidade populacional da espécie, os autores realizaram os cálculos considerando também 5% da área de maior risco (22.037 postes), o que preveniria 60% das eletroplessões.


Ao ampliar a modelagem para 10% e 20% das áreas de maior risco (o que requereria alterações em 37.412 e 63.966 postes, respectivamente), a redução de acidentes seria superior a 80% e 90% em cada cenário.


Conservação


A arara-azul-de-lear atualmente é definida como “ameaçada” tanto na lista brasileira de espécies em extinção quanto na da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Sua população é estimada em menos de 2.600 indivíduos, segundo o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Caatinga, do ICMBio. Por isso, os autores argumentam que reduzir as fatalidades em 60% pode não ser suficiente para garantir que a população seja viável em longo prazo.


“Até termos um estudo de viabilidade populacional da espécie, uma redução mais próxima de 90% seria mais cautelosa, realizando mudanças em 10% a 20% dos postes”, argumenta Pacífico.


Segundo Biasotto, além da troca dos postes, que provavelmente teria um custo elevado, outra solução seria o desenvolvimento de dispositivos que isolassem as estruturas elétricas e fornecessem um pouso seguro para as aves. Uma das tentativas foi isolar os fios com estruturas tubulares plásticas e, portanto, não condutoras. É uma solução em países europeus para proteger as aves de rapina, principais vítimas das eletrocussões naquela parte do planeta.


“No entanto, nos locais onde foram instaladas para testes na Bahia, as estruturas foram danificadas, provavelmente pela ação das condições climáticas e da instalação inadequada”, afirma a pesquisadora.


Diferentemente dos solitários rapinantes, as araras se congregam em grupos de até 50 indivíduos, exploram bastante o ambiente em que vivem e destroem com facilidade o material com seus bicos poderosos. Por isso, seria necessário desenvolver um dispositivo adequado à realidade do sertão e das aves que lá ocorrem.


Além de guiar futuras ações de mitigação de acidentes e proteger a arara-azul-de-lear, os pesquisadores argumentam que o modelo usado para o mapeamento pode, no futuro, incluir outras espécies de aves que ocorrem na região. O exemplo mais emblemático seria a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), extinta na natureza e atualmente parte de um programa de reintrodução. Por ter hábitos similares aos da arara-azul-de-lear, a ararinha-azul também poderia se beneficiar de um projeto de mitigação de eletrocussões.


No seu livro de 2002 sobre a saga para salvar a ararinha-azul, o autor Tony Juniper sugere que o último indivíduo da espécie teria morrido, justamente, eletrocutado.


O artigo Mapping priority areas to mitigate the risk of electrocution of range-restricted bird species pode ser lido em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70133.

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Feliz Ano Novo!!

 

Olá Araras Azuis!!

Um Novo Começo em 2025

Mais um ano está chegando ao fim, e com ele, carrego aprendizados valiosos. Olhando para trás, percebo que, apesar dos momentos bons, também cometi erros. Esses erros me ensinaram lições importantes sobre quem sou e quem desejo me tornar.

Admitir as falhas não é fácil, mas é um passo necessário para o crescimento. Com humildade, reconheço as áreas em que posso melhorar, tanto comigo mesmo quanto com as pessoas ao meu redor. Quero deixar para trás atitudes e comportamentos que não me representam mais e seguir em frente com o compromisso de ser alguém melhor.

2025 será um novo começo. Um ano para renovar as esperanças, corrigir o que ficou para trás e, sobretudo, crescer. Vou me esforçar para cultivar mais paciência, empatia e força de vontade, transformando sonhos em ações e ideias em realizações.

Aproveito este momento para desejar a todos um feliz ano novo, cheio de paz, amor e realizações. Que o próximo ano traga luz para nossos caminhos e coragem para enfrentar desafios. E que, juntos, possamos construir um 2025 mais próspero e cheio de boas transformações.

Com toda a sinceridade, quero que saibam: eu vou mudar. E estou animado para mostrar essa nova versão de mim mesmo ao longo do próximo ano. Um brinde ao recomeço! 🥂✨

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Um poema sobre a Ararinha Azul!!

Olá, Araras Azuis!

Como muitos sabem, eu gosto muito de escrever, e recentemente escrevi um poema sobre a Ararinha-Azul. No começo, hesitei em postar porque achei patético, mas lembrei que, quando era mais nova, costumava compartilhar aqui textos e poemas sobre araras. Então, decidi postar aqui também. Quem sabe isso sirva para algo, nunca se sabe! Espero que gostem.😊

Doce ararinha azul, que encanto és,
Tua cor brilha no céu, um poema sem revés.
Quero ver-te livre, a voar tão feliz,
Deslizando pela caatinga, onde a vida te diz:

“Bem-vinda de volta, ao teu lar natural,
Onde o vento te embala e o sol é teu sinal.”
Quero ver-te segura, sem medo ou perigo,
Um símbolo de vida, um tão puro abrigo.

Ah, como é belo o azul que trazes,
Nas penas claras, em leves fases.
És o respiro da terra, o orgulho que inflama,
Ararinha, és a esperança que sempre nos chama.

Voa, doce ave, pelo céu a brilhar,
Que a caatinga te acolha, e ali possas ficar.
Quero ver-te bem, tua paz preservar,
E pelos teus olhos, o azul festejar.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Novos Projetos?

Olá, Araras Azuis!

Perdoem meu sumiço. Estive ausente devido à minha rotina de estudos, provas, trabalhos da faculdade e alguns probleminhas pessoais. Mas agora estou de volta!

Gostaria de compartilhar uma novidade: estou trabalhando em um novo projeto, uma série de vídeos e artigos sobre araras, que eu mesma irei produzir e postar no blog e no YouTube. O objetivo deste projeto é trazer informações para vocês.

Além disso, pretendo voltar a postar no Instagram, TikTok e X (antigo Twitter). Infelizmente, a falta de tempo me impediu de me dedicar antes.

Bem, é isso. Até breve! Beijos! 😊

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Fogo atinge 80% de santuário das araras azuis no Pantanal


 Olá Araras Azuis!!! Hoje eu trago péssimas notícias!!

No céu sem nuvens tingido de fumaça, dezenas de araras-azuis interrompem o tradicional voo em linha reta para se desviar das chamas que encolhem o seu mundo. Inclemente, o incêndio no Pantanal está devastando a fazenda São Francisco do Perigara, santuário que concentra 15% da população livre da espécie, ameaçada de extinção.

Localizada a 150 km em linha reta de Cuiabá, a propriedade rural, considerada o maior refúgio mundial da arara-azul, já perdeu ao menos 70% dos cerca de 25 mil hectares, quase tudo vegetação nativa. No Pantanal, o fogo neste ano consumiu 1,5 milhão de hectares, ou 10% de sua área.

"No período das chuvas, no início do ano, a fazenda não teve a inundação normal, o Pantanal estava seco", afirmou, via WhatsApp, Ana Maria Barretto, sobre a propriedade adquirida pela sua família em 1960. "Esse cenário de seca descomunal, ventos e calor gerou um desastre sem precedentes."

Descontrolado, o fogo ameaça um esforço de décadas de preservação da espécie na fazenda, resultado do empenho da família Barretto, hoje representada pelas irmãs Ana Maria e Ignez, e de uma aliança com pesquisadores ligados ao Instituto Arara Azul, que monitoram as aves ali desde 2001.O instituto estima que haja 6.000 araras-azuis na natureza, dos quais 700 estão na fazenda São Francisco.Vítima do tráfico e da degradação do habitat, a espécie é a maior entre os psitacídeos, família que reúne também papagaios e periquitos.

Chega a um metro da ponta do bico à cauda e pesa até 1,3 kg. A ave está classificada como vulnerável pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza, na sigla em inglês). A boa notícia é que, em dezembro de 2014, deixou o Livro Vermelho de Espécies Ameaçadas de Extinção do Brasil.

O motivo da concentração na fazenda é contraintuitivo. Em geral vilã do meio ambiente, a pecuária praticada ali interage de forma positiva com as araras-azuis. Antes das queimadas, era comum vê-las perto dos bois, para se alimentar.

Os troncos em brasa lembram que a crise está longe do fim -as chuvas regulares só voltam em outubro.O impacto na fauna é enorme. Um bando de dez macacos-prego jazem no chão, calcinados lado a lado. Um veado morto na terra arrasada atraía urubus. Debilitados e magros, outro veado, jovem, e um cachorro-do-mato usaram as últimas forças para tentar se esconder da nossa presença humana.

"Certamente, afetará a oferta de alimentos", afirma Guedes, professora da Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), em Campo Grande.

Com muito esforço, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso e os funcionários da fazenda conseguiram, até agora, salvar tanto ninhos naturais, localizados nos troncos macios da árvore da espécie manduvi, quanto artificiais, instalados pelos pesquisadores do instituto.

Um importante ninhal agora é uma ilha cercada de vegetação queimada.

Os bombeiros e os funcionários da fazenda isolaram a área por por meio de aceiros (faixas de terra exposta abertas com trator) e da técnica do contrafogo, em que a vegetação próxima é incendiada de propósito durante a noite, quando o fogo é mais brando.

"Com relação à reprodução, as poucas cavidades que restarem serão altamente disputadas e ocupadas por abelhas, o que afetará o sucesso reprodutivo das aves na região. Além das araras-azuis, ao longo dos anos foram registrados a reprodução das araras-vermelhas, ararinha de colar, tucanos, gaviões, corujas, urubus, pato-do-mato e mais 15 espécies", afirma Guedes.

Outro lugar a salvo do fogo é a sede da fazenda, aonde dezenas de araras-azuis e papagaios chegam no final da tarde para dormir nas palmeiras. De início, fazem grande algazarra, mas ficam em silêncio à noite. Acordam por volta das 5h30, em nova algazarra, e partem em busca de comida.

Nesta semana, quatro bombeiros vindos de Cuiabá e três brigadistas do Sesc Pantanal, além dos funcionários da fazenda, combatiam as chamas. Sob um calor de até 40º C e uma fumaça onipresente, o esforço era para controlar o avanço da linha de fogo. Na sexta-feira (13), a jornada durou 14 horas, das 6h às 20h. Mesmo assim, não evitaram que mais dezenas de hectares queimassem.

"O vento é o maior vilão", afirma o 2º sargento do Corpo de Bombeiro Rogerio Perdigão, 45, que comparou o trabalho a enxugar gelo. Ele diz que nunca havia vivido uma situação parecida ao longo de 17 anos na corporação. "Não tinha um vento forte, mas a brasa atravessou cerca de 400 metros, caiu num determinado ponto, surgiu a chama, abriu-se e foi-se embora. Se me falassem, eu não acreditaria."

Clique Aqui para ver a Materia Original

sábado, 4 de maio de 2024

Boas notícias!!Ararinha-Azul, Uma das espécies mais raras do mundo, ganha centro de conservação no Zoológico de São Paulo.

Olá Araras Azuis!!! Hoje eu trago notícias maravilhosas a Ararinha-Azul, Uma das espécies mais raras do mundo, ganha centro de conservação no Zoológico de São Paulo. Eu pretendo um dia visitar esse centro de conservação! Agora vamos para a postagem:
A Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, participou nesta sexta-feira, 03, da abertura do novo Centro de Conservação ararinha-azul, no Zoológico de São Paulo, zona sul da cidade. O espaço, exclusivo para os animais da espécie, possui 900 m² e conta com salas de incubação de ovos, “maternidade” com controle de temperatura e iluminação e sala para atendimento veterinário. O local ainda possui ambientes para as aves com espaços cobertos e ao livre com capacidade para abrigar até 44 ararinhas.

O objetivo do centro é, principalmente, oferecer padrões de cuidado para os animais existentes e fomentar sua reprodução para possibilitar o retorno de indivíduos à natureza. O grupo do zoológico é composto por seis casais, dos quais um é recém-formado. Os outros 15, são jovens e ainda vão alcançar a maturidade sexual.

“Para nós, essa iniciativa é muito importante. Ter esse espaço como referência, fortalece os nossos programas de parcerias, que trazem os investimentos em vários setores, além de ir ao encontro do Plano de Meio Ambiente, que estimula de forma transversal às políticas públicas em prol da biodiversidade, da fauna e da flora no Estado de SP”, comentou a Natália Resende.

Atualmente, a população mundial de ararinhas-azuis, mantidas sob cuidados humanos, conta com cerca de 334 indivíduos, dos quais 85 estão em instituições no Brasil. O zoológico hoje é responsável pelo cuidado de 27 destes animais, ou seja, aproximadamente 30% de toda a população.

Ararinha-azul – Com nome científico Cyanopsitta spixi, a ave é nativa e endêmica – isto é, não encontrada em nenhum outro lugar – da região de Curuçá, na Bahia, cujo bioma é a Caatinga. A ararinha-azul foi a espécie que inspirou o personagem “Blue” na animação Rio. Atualmente, a ararinha-azul é considerada “Extinta na natureza” de acordo com a Lista Vermelha Global de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN e categorizada como “Criticamente em Perigo de Extinção” (CR) na Lista Brasileira Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Concessão – O Zoológico, Zoo Safari e Jardim Botânico fazem parte do programa de concessões e parcerias público privadas do Governo de SP. Os locais foram concedidos ao Consórcio Reserva Paulista, em 2021. A vencedora, que registrou maior valor de outorga, representando ágio de 132%, tornou-se responsável por revitalizar e administrar essas áreas, além da operação e atendimento aos visitantes no período de 30 anos.
Vale destacar que a Biologa Neiva Guedes símbolo da conservação da Arara Azul Grande marcou presença na inauguração.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Explicando o motivo do Meu sumiço!! Faculdade,Bornout e Hackers!!

Olá, Araras Azuis! Peço desculpas pelo meu sumiço. Nos últimos meses, muitas coisas aconteceram: provas, trabalhos e aulas práticas de medicina veterinária. Além disso, fui diagnosticada com a Síndrome de Burnout, um distúrbio emocional caracterizado por sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, frequentemente resultante de trabalho desgastante que exige muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa dessa doença é, justamente, o excesso de trabalho. Diante disso, meu psiquiatra recomendou que eu me afastasse da faculdade por 30 dias, e eu precisei repousar.
Outro contratempo foi o ataque hacker à minha conta do blog: alguém invadiu minha conta e postou propagandas de um jogo. Felizmente, minhas amigas me avisaram e consegui entrar em contato com o Google. Eles mudaram meu celular e email de recuperação, e recuperar a conta foi um trabalho enorme. Agora que recuperei a conta, estou de volta e vou postar sobre histologia nas aves, uma matéria  que estou aprendendo na faculdade.
Até o próximo post! Prometo voltar com tudo, tanto na faculdade quanto no blog.
Para quem me acompanha no Twitter já viu tudo isso em tempo real kkkk!

sexta-feira, 8 de março de 2024

Atualizações

 

Olá Araras Azuis!!!Perdoem pelo meu sumiço eu ando ocupada com a Faculdade de Medicina Veterinária e com os estudos em si.Não entrei para o grupo de estudos de animais silvestres já estou planejando minha iniciação científica e as aulas práticas de anatomia e histologia já começaram e estou super Feliz com isso em breve terei mais novidades e sim minha iniciação científica será sobre Araras e psitacídeo!!!Aliás minhas matérias favoritas são genética e Embriologia!!!


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Novos Projetos para o Blog!!

 

Olá, Araras Azuis! Eu vim anunciar para vocês os novos projetos do blog. Eles têm a ver com as matérias do primeiro semestre da faculdade de medicina veterinária que estou cursando. Irei trazer textos, artigos e pesquisas sobre embriologia, genética, histologia e anatomia que se concentrem em araras e outras aves, mas o foco é sobre as araras. Também pretendo fazer uma iniciação científica sobre a área de genética nas araras azuis e entrar no grupo de estudos de animais silvestres da faculdade Anclivepa. Irei compartilhar muitas informações interessantes sobre as araras e, às vezes, sobre outras aves e psitacídeos. O foco do blog continuará o mesmo, e ainda postarei notícias e textos de conscientização. Espero que gostem dessas novidades. Até logo, meus caros leitores e amigos!!

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

A Alimentação das Araras em Vida Livre!!


 Olá, Araras Azuis! Hoje eu vim falar sobre a alimentação das Araras em vida livre. Irei abordar as três espécies de araras azuis (arara azul grande, arara azul de lear e ararinha azul), também falarei sobreoutras araras, como a arara canindé, arara vermelha e o maracanã. Lembrando que este post tem como referências minhas aulas do curso de auxiliar veterinário e também foi revisado pelos meus professores Akira e Tais. No final, serão apresentadas as fontes de cada conteúdo, sendo que algumas informações foram extraídas do Instituto Arara Azul, slides das minhas aulas e Wiki Aves. Vamos para a postagem então. As araras Alimenta-se de frutos e sementes, os quais variam de uma região para outra. Alguns frutos que fazem parte da sua dieta são a manga, o tamarindo, o jacarandá e o ingá.Cada espécie de arara, devido ao habitat onde vive ou até mesmo por costumes e fisiologias, possui hábitos, gostos e maneiras diferentes de se alimentar, inclusive seletividade alimentar.

Alimentação da Ararinha Azul
As ararinhas-azuis geralmente viajam em pequenos grupos familiares ou pares, caçando comida ao longo dos rios sazonais e nidificando e empoleirando-se juntas nas copas das árvores. durante o dia são ativas, movimentando-se de acordo com os recursos alimentares e disponibilidade de nidificação.As ararinhas-azuis são herbívoros (granívoros, frugívoros)  ela Gosta de comer sementes de pinhão, frutos do juazeiro, além de outros típicos do seu habitat. na natureza, comendo sementes e também frutas. Em cativeiro, eles geralmente são alimentados com uma variedade de sementes, frutas e nozes, bem como importantes suplementos minerais e vitamínicos através do consumo de pequenas quantidades de carne de cacto e casca de árvore. Se vocês não sabem a carne de Cacto é a Flor Cacto.Os frutos e a flor do cacto são alimentos para aves e abelhas, e a polpa serve para o consumo humano em ensopados, massas e bolos. Por causa das secas da Caatinga Os animais que habitam a Caatinga também possuem estratégias para sobreviverem nas condições climáticas locais, sendo altamente adaptados ao clima quente e seco.
No caso das aves  ocorre um processo de migração durante o período de estiagem, uma vez que essas aves migram para regiões mais úmidas como estratégia para sobreviver ao período mais seco da Caatinga. Já as espécies de mamíferos e répteis, por exemplo, buscam regiões mais úmidas da Caatinga, no geral, áreas próximas das fontes de água, e também, zonas de maior altitude, em razão do microclima desses locais, mais ameno e úmido. 
 Alimentação da Arara Azul Grande
A arara-azul-grande apresenta um bico bastante resistente, o qual a auxilia na sua alimentação. Esses animais alimentam-se, principalmente, de frutos de palmeiras, tais como buriti, licuri e macaúba. Geralmente, as araras-azuis são observadas alimentando-se sobre o solo e em bandos, diferentemente da maioria das espécies de araras que se alimenta no topo de árvores. A alimentação em grupo é uma forma importante de proteção. Elas também gostam de comer  frutas, nozes, sementes e néctar. Suas guloseimas favoritas no zoológico incluem castanhas-do-pará, amendoins e cranberries secas.A fêmea é a responsável pela incubação do ovo, que pode durar cerca de 28 dias. Nesse período, o macho fica responsável por alimentá-la. Quando os filhotes nascem, eles são alimentados pelos pais por cerca de seis meses.



 Alimentação da Arara Azul de Lear

A maior parte da dieta da arara-de-lear consiste nas nozes da palmeira nativa Licurí – outro fator que contribui para a distribuição limitada da ave. As palmeiras Licurí são frequentemente cortadas ou queimadas para dar lugar a campos agrícolas, e o gado doméstico, especialmente cabras, derruba as árvores jovens antes que possam crescer novamente.Cada arara-de-lear pode comer até 350 nozes de Licurí por dia, usando seu bico grande e forte para quebrar as cascas duras. Outras frutas e sementes, flores de agave e culturas cultivadas, principalmente milho, complementam a dieta desta ave quando os frutos de palma são escassos. As araras-de-lear comem desordenadamente, constantemente jogando sementes no chão enquanto se alimentam em pequenos grupos. Desta forma, os papagaios ajudam a sustentar as árvores das quais dependem. Outras aves frugívoras, como o tucano-de-bico-de-quilha e o sino-barbudo , também "replantam" árvores dessa forma durante a alimentação.


Alimentação da Arara Vermelha e Arara CanindéAs araras comem uma variedade de frutas maduras e verdes, nozes e sementes, flores, folhas e caules de plantas e fontes de proteínas como insetos e caracóis. Alguns se especializam em comer frutas duras e nozes das palmeiras. Um truque que eles usam para isso é procurar alimentos em campos onde vive o gado. O gado come as nozes de dendê, que passam pelo sistema digestivo e saem pela outra extremidade sem a casca dura da noz. Isso torna as nozes mais macias e fáceis de comer pelas araras! As araras também visitam margens de rios e falésias de solo argiloso, que comem. Os cientistas acreditam que o solo pode neutralizar quaisquer produtos químicos tóxicos que os pássaros possam comer nas sementes ou nos frutos verdes.
Cerca de 20% do que as araras comem consiste em frutas e vegetais. Seus favoritos são bananas, maçãs, frutas vermelhas, pêssegos, passas e melancia quando se trata de frutas, enquanto vegetais como cenoura, tomate, pimentão e batata doce são os preferidos.As araras obtêm suas proteínas comendo insetos como gafanhotos, besouros, baratas e caracóis.as araras comem argila! Isso geralmente é visto em margens expostas de rios em reservas naturais, onde centenas de araras se reúnem diariamente para lamber argila.Embora os pesquisadores não tenham certeza do que causa esse comportamento de lamber a argila, eles acreditam que é uma forma de incluir sódio na dieta.

Alimentação do Maracanã

Nozes, amendoins, frutas e legumes (pêra, manga, laranja, maçã, ameixas, banana, pepino, milho meio-amadurecido, cenoura, etc), mistura de sementes pequenas e grandes, trigo, aveias, sementes brotadas. Comida de pombo encharcada. Precisa de uma fonte de vitamina regular e suplementos de minerais (especialmente D e B), proteína animal (camarão seco, ovo, carne de galinha e ossos).

 




REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS: 
Nutrient requirements of poultry. 9. ed. Washington: National Academy Press, 1994. 176 p.

SCHNEIDER, L. Estudo etológico de arara azul (Anodorhynchus hyancinthinus) no Pantanal de Miranda MS. 2003. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) - Universidade Federal do Mato Grosso do sul, Campo Grande, 2003.

BORSARI, A.; OTTONI, E. B. Preliminary Observations of Tool Use in Captive Hyacinth Macaws (Anodorhynchus hyacinthinus). Animal Cognition, v. 8, p. 48-52, 2005.