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domingo, 11 de outubro de 2026

Zoo indiano e governo brasileiro negociam “parceria estratégica” para espécies ameaçadas

Olá Araras Azuis!! Trago Noticias!!! 

  • Documentos obtidos pela Mongabay revelam que o Vantara, o polêmico zoológico privado na Índia administrado pelo bilionário Anant Ambani, iniciou negociações com o governo brasileiro para firmar uma “parceria estratégica de conservação” voltada para as espécies ameaçadas do Brasil.

  • O zoológico também propôs uma parceria de conservação para a ararinha-azul, espécie endêmica do Brasil e extinta na natureza; 26 dessas aves foram enviadas da Alemanha para o Vantara em 2023 sem o consentimento do governo brasileiro.

  • Representantes do Vantara se reuniram com membros do ICMBio e dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores em 2025 para discutir essa parceria. Uma delegação brasileira planejava visitar o zoológico indiano em 2026, mas a viagem foi cancelada na última hora.

  • Conservacionistas defendem que haja transparência quanto a qualquer acordo firmado com o zoológico, que é alvo de investigações no Brasil e no exterior pela suposta ligação com o tráfico de animais silvestres.



Os riscos da humanização de psitacídeos

Olá Araras Azuis!!

Você sabia que a humanização de psitacídeos pode trazer consequências negativas para a saúde física e comportamental dessas aves? Araras, papagaios, cacatuas e periquitos são animais extremamente inteligentes, sociáveis e capazes de desenvolver vínculos afetivos. Entretanto, essas características não significam que devemos tratá-los como seres humanos ou ignorar suas necessidades naturais.

A humanização acontece quando atribuímos às aves comportamentos, sentimentos e necessidades exclusivamente humanos, interpretando suas atitudes apenas pela nossa perspectiva. Isso pode levar a práticas inadequadas, como impedir que expressem seus comportamentos naturais, estimular uma dependência excessiva dos tutores ou desconsiderar a importância das interações sociais próprias da espécie.

Um dos principais riscos é o desenvolvimento de problemas comportamentais. Psitacídeos que vivem em ambientes pouco estimulantes, sem oportunidades adequadas de exploração, forrageamento, voo quando possível e interação social, podem apresentar estresse, vocalizações excessivas e comportamentos repetitivos. Em algumas situações, também podem desenvolver arrancamento de penas, embora esse comportamento tenha diferentes causas e precise de avaliação veterinária.

Outro problema é a interpretação equivocada de suas necessidades. Uma ave que procura constantemente a atenção humana não necessariamente está demonstrando apenas carinho: seu comportamento também pode estar relacionado ao ambiente, à rotina, à aprendizagem e à falta de estímulos. Da mesma forma, interpretar determinados comportamentos como ciúmes ou birra pode levar o tutor a adotar medidas inadequadas, em vez de investigar o que o animal realmente precisa.

A humanização também pode prejudicar a socialização. Quando uma ave é estimulada a depender exclusivamente de uma pessoa, pode apresentar dificuldades para lidar com mudanças na rotina, com a ausência do tutor ou com outras pessoas e aves. Além disso, o manejo inadequado, a alimentação imprópria e a falta de acompanhamento veterinário podem comprometer sua saúde e qualidade de vida.

É importante lembrar que amar uma ave não significa tratá-la como uma pessoa, mas compreender e respeitar suas necessidades como animal. Os psitacídeos precisam de alimentação equilibrada, ambiente seguro, enriquecimento ambiental, estímulos cognitivos, oportunidades de expressar comportamentos naturais e acompanhamento de um médico-veterinário especializado em animais silvestres e exóticos.

Isso não significa que devemos evitar vínculos afetivos com nossas aves. Pelo contrário! É perfeitamente possível construir uma relação de confiança, carinho e respeito sem desconsiderar sua natureza. O problema não está em amar, conversar ou interagir com elas, mas em colocar nossas expectativas humanas acima de suas necessidades biológicas e comportamentais.

A educação ambiental e a conscientização são fundamentais para combater práticas inadequadas de criação e promover o bem-estar desses animais. Quanto mais conhecemos a biologia e o comportamento dos psitacídeos, mais preparados estamos para oferecer cuidados responsáveis.

Respeitar a natureza de uma ave também é uma forma de demonstrar amor. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A triste maneira como a sociedade antiga enxergava as Araras no passado

 Olá, araras azuis!!!!

Hoje vim falar sobre uma realidade triste do passado, mas que, felizmente, vem mudando ao longo dos anos.

Aqui está um texto curto:

Durante muito tempo, a sociedade enxergou aves silvestres, como as araras, apenas como animais de estimação exóticos, atrações de circo ou objetos de entretenimento. Essa visão contribuiu para o aumento do tráfico de animais silvestres, já que a captura de filhotes na natureza era incentivada pela alta demanda. Além do sofrimento causado pelo transporte e pelo confinamento, muitas aves desenvolviam estresse crônico, alterações comportamentais e, em muitos casos, morriam antes mesmo de chegar ao destino. A retirada desses animais de seus habitats também causou sérios impactos à biodiversidade, reduzindo populações naturais e comprometendo funções ecológicas importantes, como a dispersão de sementes. Felizmente, a conscientização sobre a importância da conservação das espécies vem crescendo, reforçando que as araras pertencem à natureza e desempenham um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Projeto de reintrodução traz a ararajuba de volta aos céus de Belém

 
Olá, araras azuis!

Eu sei que a ararajuba não é uma arara-azul, mas ela é outra ave, um psitacídeo em risco de extinção, e considero muito importante falar sobre ela.

Quem acompanha o blog desde 2013 sabe que eu sempre procuro abordar não apenas as araras-azuis, mas também outras aves ameaçadas de extinção e até mesmo outros animais. Acredito que conscientizar as pessoas sobre a importância da conservação da fauna é fundamental para a proteção dessas espécies e de seus habitats.

 A ararajuba é tão colorida quanto barulhenta. Penduradas nos galhos, três dessas aves gritam enquanto olham para o biólogo Marcelo Vilarta, alguns metros abaixo, enquanto ele as observa. Também chamada de guarubas, essas parentes de araras e periquitos ostentam plumagem amarela vibrante, com pontas verdes nas asas, que chamam atenção na vegetação amazônica. No entanto, são essas cores que colocam sua população em risco de extinção.


O comércio ilegal de animais de estimação, aliado à perda de habitat, reduziu a população de ararajubas (Guaruba guarouba) a menos de 10 mil espécimes na natureza – um pequeno número para um grande bioma como a Amazônia, o único lugar na Terra onde são encontrados de forma nativa. Eles estão presentes principalmente no estado do Pará, com registros também no Maranhão e no Amazonas.


“Não há ararajubas [na natureza] em nenhum outro lugar do mundo”, diz Vilarta. Ele faz parte de um projeto de reintrodução dessas aves apoiado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e Biodiversidade (Ideflor-Bio) e pela Fundação Lymington.


O programa começou em 2017, e o primeiro bando de ararajubas foi liberado na natureza em janeiro de 2018, no Parque Estadual do Utinga, em Belém, cidade onde essas aves estão extintas há mais de cem anos. Os curiosos espécimes que observam Vilarta da árvore são três dos 50 que foram soltos aqui até agora.


“A ideia do projeto é reduzir a vulnerabilidade da população de ararajubas e criar uma nova população selvagem em uma área onde elas já estavam extintas”, diz o biólogo.

A Fundação Lymington, sediada no estado de São Paulo, tem criado ararajubas com sucesso nos últimos 20 anos para aumentar o número da espécie e, em 2017, uniu-se ao Ideflor-Bio para reintroduzir a ave de volta à natureza, com o apoio do Museu de Zoologia da USP. Belém foi escolhida para a reintrodução para trazer de volta “uma espécie a um lugar onde ela já havia desaparecido”, diz Vilarta.


O Parque Estadual do Utinga, no centro de Belém, é uma unidade de conservação e o maior espaço verde da cidade, com uma área de 1.393 hectares de ambiente amazônico natural amplamente preservado, o habitat preferido da ararajuba. A área é protegida por segurança privada e pela polícia ambiental pública, reduzindo a possibilidade de tráfico e desmatamento.


Os coordenadores do programa montaram dois aviários no meio do parque, onde dez ararajubas estão sendo preparadas para serem reintroduzidos na natureza. A maioria veio do programa de reprodução da Fundação Lymington, mas algumas foram resgatadas do tráfico ou de serem mantidas como animais de estimação. Dentro dos recintos, as ararajubas passam por um período de adaptação e aclimatação que leva pelo menos cinco meses.


O viveiro tem vegetação semelhante à que as ararajubas encontrarão na natureza, e elas são ensinados a reconhecer e consumir alimentos locais. As aves também são treinadas para reconhecer predadores, como jiboias, e para isso Vilarta e sua equipe colocam cobras vivas em segurança perto do recinto. Em seguida, os pesquisadores avaliam as reações das ararajubas às cobras, bem como às aves de rapina locais que caçam na área, e dão a elas uma nota de aprovação se emitirem coletivamente gritos de alarme quando os predadores se aproximam.

A educação ambiental para o público em geral, especialmente em escolas e universidades e para os visitantes do parque, também desempenha um papel fundamental na proteção de longo prazo da ave. “O projeto intensificou a educação para aumentar a conscientização sobre a importância dessa espécie para a cidade de Belém, pois é essa ave que ajuda a propagar as espécies frutíferas típicas de nossa cidade”, diz Monica Furtado da Costa, diretora do Ideflor-Bio. As atividades educativas incluem a distribuição de cartilhas sobre a ararajuba para estudantes, a criação de jogos para crianças e a realização de uma exposição sobre a espécie no Parque Porto do Futuro, em Belém.


Até o momento, o programa de reintrodução está funcionando. Um estudo publicado em 2021 sobre o projeto constatou que “as aves liberadas foram muito bem-sucedidas em encontrar e consumir alimentos nativos, fugindo de predadores, e um casal conseguiu se reproduzir com sucesso”.


Apesar do sucesso, a reintrodução de todas as ararajubas, especialmente as capturadas anteriormente, nem sempre é fácil.


No viveiro, uma fêmea de ararajuba se equilibra na rede de malha dentro do recinto e se aproxima de Vilarta, demonstrando pouco medo das pessoas. O biólogo diz que ela já foi mantida como animal de estimação, criada ilegalmente no Pará, antes que o proprietário a entregasse para o projeto. “Você pode até falar com ela e ela responde”, diz ele.


Outra ave se agarra à rede próxima. Vilarta entra na gaiola, recolhe o animal usando uma vara longa e o coloca perto de uma caixa-ninho para protegê-lo do sol escaldante do meio da manhã. Antes de ser resgatado e entregue ao projeto, esse espécime em particular havia sido mantido em uma gaiola por 15 anos e nunca aprendeu a voar. Vilarta diz que a reintrodução dessas duas aves na natureza será um desafio, se é que será possível, devido à sua incapacidade de se adaptar à vida fora do cativeiro. “Pelo menos esses dois podem ser felizes e seguros aqui”, diz ele.

Atualmente, dez das cinquenta ararajubas selvagens reintroduzidas permanecem no Parque Estadual do Utinga e visitam o recinto diariamente para socializar com as aves em cativeiro e comer nos comedouros que Vilarta deixa para elas. Ele passa todos os dias ao lado dos recintos, monitorando as populações selvagens e em cativeiro.


As outras 40 que foram liberadas anteriormente se dispersaram para outras regiões. Antes de ser solta, cada ararajuba recebe um anel nas pernas e um colar no pescoço para ajudar a manter o controle da população. Os colares de rádio ajudam a monitorar as aves individualmente até certo ponto, mas não são eficazes em longas distâncias.


“Depois que elas são solas, é difícil mantê-las sob controle”, diz Vilarta. O plano agora é expandir o tamanho dos aviários atuais para acomodar mais ararajubas s e, em seguida, soltar outras 50 na natureza nos próximos dois anos. Os pesquisadores e conservacionistas esperam que essas aves continuem a criar suas próprias populações em Belém e além.


“Espero que haja mais filhotes em breve, porque agora eles precisam aumentar sua população naturalmente”, diz Vilarta. “Em algum momento, poderemos parar de soltar novas aves aqui e a população poderá se restabelecer naturalmente.”

FONTE: MONGABY

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Adeus para sempre! A IUCN confirma extinção de seis animais em 2025

 

Olá Araras Azuis!!! Hoje trago péssimas notícias. (Clique aqui para ler a matéria original.)

Algumas perdas passam despercebidas. Não vêm acompanhadas de manchetes urgentes ou imagens virais. Simplesmente acontecem. E quando finalmente são nomeadas, já não se trata de uma notícia recente ou de um alerta oportuno, mas sim de uma confirmação tardia de que uma forma de vida desapareceu sem testemunhas.


Desde 1964, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) tornou-se a fonte de informação mais abrangente do mundo sobre o estado de conservação global de animais, fungos e plantas. É um barômetro da vida. Extinções não são declaradas levianamente.


Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, em inglês) confirmou que pelo menos seis espécies animais desapareceram oficialmente do planeta.

Para que uma espécie seja considerada extinta, décadas devem transcorrer sem observações confirmadas, após buscas exaustivas em seus habitats históricos. Quando um nome ultrapassa esse limiar, não se trata apenas de mais uma estatística. Esse nome marca o encerramento definitivo de uma história evolutiva que não se repetirá.


Atualmente, mais de 48.600 espécies estão oficialmente ameaçadas de extinção, representando 28% de todas as espécies avaliadas. Entre esses grupos em risco, alguns, como os corais construtores de recifes, apresentam taxas de ameaça ainda maiores. Essas porcentagens não apenas refletem a perda de biodiversidade, mas também destacam a vulnerabilidade.


Pensar na extinção no presente é doloroso porque destrói uma ilusão profundamente humana. Acreditamos que sempre haverá tempo para agir. Mas essas espécies não desapareceram da noite para o dia. Elas foram se extinguindo lentamente, à medida que o mundo ao seu redor mudava, até que a ausência deixou de ser uma possibilidade e se tornou um ponto final.


Onde a vida parou

O maçarico-de-bico-fino era uma ave migratória que, durante séculos, percorreu a Eurásia e o Norte da África. Com sua silhueta esguia e bico curvo, habitava zonas úmidas e costas hoje profundamente transformadas. Seu canto suave, melancólico e raro era tão fácil de se perder na paisagem quanto a própria ave. O último registro confirmado data de meados da década de 1990. Desde então, silêncio.


A perda de habitat, a pressão humana nas áreas de invernada e a caça dizimaram o maçarico-de-bico-fino, uma espécie que já era rara antes de seu desaparecimento.

Outro caso particularmente simbólico é o da musaranha-da-ilha-Christmas, um pequeno mamífero insetívoro endêmico de uma ilha australiana. Tão discreta quanto vulnerável, foi vista pela última vez na década de 1980. Sua extinção resultou de uma combinação de ameaças: espécies invasoras, doenças introduzidas e a alteração progressiva de seu ambiente.


De fato, a Austrália responde por uma parcela significativa dessas perdas. A IUCN também confirmou a extinção de três espécies de bandicotes, pequenos marsupiais noturnos adaptados a ambientes muito específicos. Esses pequenos animais sobreviveram a climas extremos por milhares de anos.


No entanto, eles não resistiram à chegada de predadores introduzidos, à fragmentação do habitat e às mudanças aceleradas na paisagem. Seu desaparecimento faz parte de uma tendência alarmante: a Austrália é um dos continentes com o maior número de extinções recentes de mamíferos.


A Austrália é um dos continentes com o maior número de extinções recentes de mamíferos.

A lista completa-se com um invertebrado marinho, um caracol-cone pertencente a um grupo em grande parte invisível ao público em geral, mas crucial para a biodiversidade oceânica. O Conus lugubris, um caracol-cone único das costas de São Vicente (Cabo Verde), foi oficialmente declarado extinto após décadas sem avistamentos. O último registo confirmado data da década de 1980.


O desaparecimento deste caracol marinho está principalmente ligado à destruição do habitat costeiro na ilha. A maioria das extinções ocorre longe dos holofotes da mídia. Invertebrados, anfíbios, pequenos mamíferos e espécies insulares muitas vezes desaparecem quase despercebidos até que seja tarde demais.


O que não volta mais

A IUCN há muito alerta que a taxa atual de extinção é muito superior à taxa natural, impulsionada principalmente por atividades humanas. Destruição de habitats, espécies invasoras, super-exploração, poluição e mudanças climáticas estão levando as espécies à beira da extinção.


Estamos perdendo biodiversidade mais rápido do que conseguimos protegê-la ou mesmo compreendê-la. Algumas espécies desaparecem silenciosamente, quase imperceptivelmente. No entanto, até mesmo as menores formas de vida sustentam o equilíbrio de ecossistemas inteiros. E o que existe hoje pode se tornar mais um adeus definitivo amanhã.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Como ocorre imprinting entre aves e humanos

 

Olá, araras azuis!!

Hoje vim trazer um post sobre imprinting entre aves e humanos. Espero que gostem! Imprinting em aves é um tipo de aprendizado rápido e duradouro que acontece nas primeiras horas ou dias de vida do filhote. Nesse período sensível, a ave passa a reconhecer e se apegar ao primeiro “modelo” que vê, que normalmente é a mãe, mas também pode ser um ser humano ou outro animal.

Esse processo é muito importante para a sobrevivência, pois ajuda o filhote a aprender quem seguir, como se comportar, onde buscar alimento e como se comunicar. O imprinting é considerado praticamente irreversível, ou seja, depois de estabelecido, dificilmente pode ser mudado.

Se os pássaros jovens se apegam aos humanos, eles se identificarão com os humanos por toda a vida. Reverter o processo de apego é impossível  esses pássaros se identificarão com os humanos em vez de com sua própria espécie pelo resto de suas vidas. 

Pássaros que sofreram imprinting com humanos não são necessariamente "amigáveis" com humanos, nem significa que sempre gostem da proximidade humana. Pássaros que sofreram imprinting não têm medo de pessoas, e essa ausência de medo pode, às vezes, levar à agressividade e a outros problemas comportamentais complexos. Não é incomum que um pássaro que sofreu imprinting exiba comportamentos territoriais em relação a humanos, assim como faria com membros de sua própria espécie.


Pássaros que sofreram condicionamento humano frequentemente têm dificuldade em se comunicar com outros pássaros da mesma espécie  vocalizações, posturas e o medo de humanos são características que os pássaros aprendem com seus pais, irmãos e outros pássaros. Eles geralmente não são aceitos por outros pássaros da mesma espécie, provavelmente porque exibem comportamentos estranhos e não conseguem se comunicar adequadamente.

Em última análise, as aves que sofrem imprinting encontram-se numa "zona cinzenta" não conseguem interagir adequadamente nem com humanos nem com aves da sua própria espécie.

Aves que sofreram imprinting humano são consideradas inadequadas para serem devolvidas à natureza devido a essas interações inapropriadas. 

sábado, 4 de janeiro de 2025

Comportamento Homoafetivo em Aves

 

Olá Araras Azuis! Hoje eu trago para vocês uma curiosidade muito pouco discutida, que é sobre as relações homoafetivas em aves, em especial as Araras. Isso na natureza é bem comum. Eu fiz algumas pesquisas em fontes confiáveis e pedi ajuda a uma professora para me auxiliar nesta postagem, evitando cometer erros

O comportamento homoafetivo em aves é um fenômeno amplamente documentado e observado em diversas espécies ao redor do mundo. Ele compreende interações sociais, sexuais e afetivas entre indivíduos do mesmo sexo e é interpretado dentro de um contexto biológico, comportamental e ecológico.

Ocorrência e Exemplos

Estudos mostram que mais de 450 espécies de aves apresentam comportamentos homoafetivos. Exemplos incluem pinguins, albatrozes, cisnes e papagaios. Entre os pinguins, por exemplo, é comum observar casais do mesmo sexo formando laços estáveis, construindo ninhos e até mesmo adotando ovos ou filhotes órfãos. Em albatrozes, principalmente em espécies como o albatroz-de-laysan, fêmeas frequentemente formam pares duradouros para criar filhotes juntas, especialmente em populações com desproporção de machos e fêmeas.

Interpretação Biológica

Os comportamentos homoafetivos em aves têm diferentes explicações adaptativas e sociais. Em algumas espécies, a formação de laços entre indivíduos do mesmo sexo pode ser uma estratégia para reforçar alianças sociais, compartilhar responsabilidades parentais ou otimizar a sobrevivência de filhotes. Também pode estar associado a níveis de hormônios ou a fatores ambientais, como a escassez de parceiros do sexo oposto.

Impacto no Estudo do Comportamento Animal

A observação de comportamentos homoafetivos em aves contribui para a compreensão da complexidade das interações sociais e desmistifica a ideia de que a sexualidade no reino animal é puramente reprodutiva. Esses comportamentos demonstram que vínculos afetivos e interações sociais podem desempenhar papéis importantes na sobrevivência e no sucesso reprodutivo das espécies.

Considerações Finais

O comportamento homoafetivo em aves destaca a diversidade natural existente no comportamento animal. Estudos contínuos sobre o tema não apenas ampliam o entendimento da biologia e ecologia dessas espécies, mas também reforçam a importância de respeitar e valorizar a diversidade nos sistemas naturais.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Conheça o Maracanã uma das Menores Espécies de Araras que Existe!


 Olá, Araras Azuis!! Hoje eu vim mostrar para vocês uma espécie de arara bem pequena, igual à ararinha azul. Muitos não conhecem essa espécie, mas vim apresentar a vocês o Maracanã (Ara nobilis), também conhecido como ararinha verde.A Ara Nobilis , é a mais pequena de todas as araras, medindo cerca de 30cm. Possuem cor vermelha na ponta das asas, tendo o resto do corpo coberto predominantemente com verde, e uma plumagem azul na zona da cabeça .As partes inferiores das asas e da cauda têm cor amarela A face é de cor branca e desprovida de penas , pelo que pode ficar com um tom mais encarnado quando o animal se encontra excitado, devido ao maior fluxo sanguíneo. O Bico é preto.Medem apenas 30 cm de comprimento, sendo as mais pequenas representantes das araras. Não existe dimorfismo sexual. A plumagem tem cor predominantemente verde-viva, mas a fronte é azulada e apresentam uma mancha vermelha na parte superior da dobra das asas (“ombro”). As partes inferiores das asas e da cauda têm cor amarela. Possuem pele nua de cor branca, nas faces. O bico é preto. As patas são zigodáctilas (têm dois dedos virados para a frente e dois dedos virados para trás; em geral, as aves apresentam três dedos virados para a frente e um para trás).
Como na ararinha, o verde domina a plumagem do corpo. Quando as condições de luz permitem, nota-se que o tom é mais claro dessa espécie em relação à anterior. É também menor. Pousada ou em vôo, a principal característica a distingui-la é o branco da parte superior do bico, o qual se conecta ao branco da pele nua ao redor dos olhos. Como a parte de baixo do bico é negra e o resto da cabeça verde, forma-se uma grande área de branco puro na cabeça.

Por baixo das asas em vôo, aparece uma mancha vermelha próxima à ponta. Essas penas vermelhas, algumas vezes, são visíveis com a asa fechada, sob a forma de um ponto ou mancha vermelha na dobra da mesma.

Embora seja freqüente nas matas ribeirinhas e matas secas do Pantanal, é muito menos comum que a ararinha. Como essa, vive aos casais no período reprodutivo e forma grupos após essa fase. Seus grupos, no entanto, são maiores e mais barulhentos do que os da ararinha. Em vôo, os gritos de contato são mais agudos e constantes.

Faz seus ninhos em ocos de árvores, com postura de 4 ovos. Choca durante 24 dias e os filhotes voam com os pais após o segundo mês de vida. Buscam seu alimento na copa das árvores, apanhando frutos e flores.

É observada nos seus longos deslocamentos matinais e vespertinos entre os pontos de dormida e alimentação, os quais cobrem toda a área da reserva. Pode ser mais facilmente encontrada nas matas ribeirinhas dos rios Cuiabá e São Lourenço, bem como nos cerradões da parte norte da RPPN.

O nome maracanã é tupi, sendo comum a várias espécies de araras pequenas em todo o Brasil. Ficou famoso com a denominação do maior estádio de futebol do mundo, no Rio de Janeiro, oriundo do nome do riacho Maracanã, localizado em suas proximidades.

Reprodução:
Nidificam em ocos de árvores e em termiteiras arbóreas. A postura é de cerca de quatro ovos, que são incubados durante 24 dias apenas pela fêmea. As crias são altriciais (totalmente dependentes dos pais durante os primeiros tempos de vida). Os juvenis só saem do ninho depois dos dois meses de idade.Na natureza costumam nidificar em cavidades em árvores. As fêmeas põem geralmente 4-5 ovos em cada postura, sendo a incubação de cerca de 25 dias. As crias abandonam o ninho aos 2 meses. A característica mais marcante no que toca à reprodução , é que regra geral podem reproduzir em comunidade, mantendo-se sociaveis .

Distribuição e Habitat:Reconhecem-se, atualmente, três subespécies nesta espécie sul-americana, entre as quais Ara nobilis nobilis, que se encontra no Leste da Venezuela, nas Guianas e no Norte do Brasil e que está representada no Zoo de Lisboa. As outras duas subespécies distribuem-se pelo Nordeste e Centro do Brasil, o Sudeste do Peru e o Nordeste da Bolívia. As araras-nanicas vivem em savanas dos tipos “cerrado” e “catinga”, em florestas de galeria, zonas pantanosas com palmáceas (dos géneros Mauritia ou Orbignya), em florestas secundárias e em terrenos de cultivo adjacentes a zonas florestadas.

Alimentação do Maracanã
Nozes, amendoins, frutas e legumes (pêra, manga, laranja, maçã, ameixas, banana, pepino, milho meio-amadurecido, cenoura, etc), mistura de sementes pequenas e grandes, trigo, aveias, sementes brotadas. Comida de pombo encharcada. Precisa de uma fonte de vitamina regular e suplementos de minerais (especialmente D e B), proteína animal (camarão seco, ovo, carne de galinha e ossos).
Estatuto de conservação e principais ameaças 
A espécie não está globalmente ameaçada (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza). Pertence ao Apêndice II da CITES. É relativamente abundante na sua área de distribuição e não tem sofrido pressões causadas pela destruição do habitat ou pelas capturas para o comércio ilegal de aves de cativeiro.



terça-feira, 30 de janeiro de 2024

A Alimentação das Araras em Vida Livre!!


 Olá, Araras Azuis! Hoje eu vim falar sobre a alimentação das Araras em vida livre. Irei abordar as três espécies de araras azuis (arara azul grande, arara azul de lear e ararinha azul), também falarei sobreoutras araras, como a arara canindé, arara vermelha e o maracanã. Lembrando que este post tem como referências minhas aulas do curso de auxiliar veterinário e também foi revisado pelos meus professores Akira e Tais. No final, serão apresentadas as fontes de cada conteúdo, sendo que algumas informações foram extraídas do Instituto Arara Azul, slides das minhas aulas e Wiki Aves. Vamos para a postagem então. As araras Alimenta-se de frutos e sementes, os quais variam de uma região para outra. Alguns frutos que fazem parte da sua dieta são a manga, o tamarindo, o jacarandá e o ingá.Cada espécie de arara, devido ao habitat onde vive ou até mesmo por costumes e fisiologias, possui hábitos, gostos e maneiras diferentes de se alimentar, inclusive seletividade alimentar.

Alimentação da Ararinha Azul
As ararinhas-azuis geralmente viajam em pequenos grupos familiares ou pares, caçando comida ao longo dos rios sazonais e nidificando e empoleirando-se juntas nas copas das árvores. durante o dia são ativas, movimentando-se de acordo com os recursos alimentares e disponibilidade de nidificação.As ararinhas-azuis são herbívoros (granívoros, frugívoros)  ela Gosta de comer sementes de pinhão, frutos do juazeiro, além de outros típicos do seu habitat. na natureza, comendo sementes e também frutas. Em cativeiro, eles geralmente são alimentados com uma variedade de sementes, frutas e nozes, bem como importantes suplementos minerais e vitamínicos através do consumo de pequenas quantidades de carne de cacto e casca de árvore. Se vocês não sabem a carne de Cacto é a Flor Cacto.Os frutos e a flor do cacto são alimentos para aves e abelhas, e a polpa serve para o consumo humano em ensopados, massas e bolos. Por causa das secas da Caatinga Os animais que habitam a Caatinga também possuem estratégias para sobreviverem nas condições climáticas locais, sendo altamente adaptados ao clima quente e seco.
No caso das aves  ocorre um processo de migração durante o período de estiagem, uma vez que essas aves migram para regiões mais úmidas como estratégia para sobreviver ao período mais seco da Caatinga. Já as espécies de mamíferos e répteis, por exemplo, buscam regiões mais úmidas da Caatinga, no geral, áreas próximas das fontes de água, e também, zonas de maior altitude, em razão do microclima desses locais, mais ameno e úmido. 
 Alimentação da Arara Azul Grande
A arara-azul-grande apresenta um bico bastante resistente, o qual a auxilia na sua alimentação. Esses animais alimentam-se, principalmente, de frutos de palmeiras, tais como buriti, licuri e macaúba. Geralmente, as araras-azuis são observadas alimentando-se sobre o solo e em bandos, diferentemente da maioria das espécies de araras que se alimenta no topo de árvores. A alimentação em grupo é uma forma importante de proteção. Elas também gostam de comer  frutas, nozes, sementes e néctar. Suas guloseimas favoritas no zoológico incluem castanhas-do-pará, amendoins e cranberries secas.A fêmea é a responsável pela incubação do ovo, que pode durar cerca de 28 dias. Nesse período, o macho fica responsável por alimentá-la. Quando os filhotes nascem, eles são alimentados pelos pais por cerca de seis meses.



 Alimentação da Arara Azul de Lear

A maior parte da dieta da arara-de-lear consiste nas nozes da palmeira nativa Licurí – outro fator que contribui para a distribuição limitada da ave. As palmeiras Licurí são frequentemente cortadas ou queimadas para dar lugar a campos agrícolas, e o gado doméstico, especialmente cabras, derruba as árvores jovens antes que possam crescer novamente.Cada arara-de-lear pode comer até 350 nozes de Licurí por dia, usando seu bico grande e forte para quebrar as cascas duras. Outras frutas e sementes, flores de agave e culturas cultivadas, principalmente milho, complementam a dieta desta ave quando os frutos de palma são escassos. As araras-de-lear comem desordenadamente, constantemente jogando sementes no chão enquanto se alimentam em pequenos grupos. Desta forma, os papagaios ajudam a sustentar as árvores das quais dependem. Outras aves frugívoras, como o tucano-de-bico-de-quilha e o sino-barbudo , também "replantam" árvores dessa forma durante a alimentação.


Alimentação da Arara Vermelha e Arara CanindéAs araras comem uma variedade de frutas maduras e verdes, nozes e sementes, flores, folhas e caules de plantas e fontes de proteínas como insetos e caracóis. Alguns se especializam em comer frutas duras e nozes das palmeiras. Um truque que eles usam para isso é procurar alimentos em campos onde vive o gado. O gado come as nozes de dendê, que passam pelo sistema digestivo e saem pela outra extremidade sem a casca dura da noz. Isso torna as nozes mais macias e fáceis de comer pelas araras! As araras também visitam margens de rios e falésias de solo argiloso, que comem. Os cientistas acreditam que o solo pode neutralizar quaisquer produtos químicos tóxicos que os pássaros possam comer nas sementes ou nos frutos verdes.
Cerca de 20% do que as araras comem consiste em frutas e vegetais. Seus favoritos são bananas, maçãs, frutas vermelhas, pêssegos, passas e melancia quando se trata de frutas, enquanto vegetais como cenoura, tomate, pimentão e batata doce são os preferidos.As araras obtêm suas proteínas comendo insetos como gafanhotos, besouros, baratas e caracóis.as araras comem argila! Isso geralmente é visto em margens expostas de rios em reservas naturais, onde centenas de araras se reúnem diariamente para lamber argila.Embora os pesquisadores não tenham certeza do que causa esse comportamento de lamber a argila, eles acreditam que é uma forma de incluir sódio na dieta.

Alimentação do Maracanã

Nozes, amendoins, frutas e legumes (pêra, manga, laranja, maçã, ameixas, banana, pepino, milho meio-amadurecido, cenoura, etc), mistura de sementes pequenas e grandes, trigo, aveias, sementes brotadas. Comida de pombo encharcada. Precisa de uma fonte de vitamina regular e suplementos de minerais (especialmente D e B), proteína animal (camarão seco, ovo, carne de galinha e ossos).

 




REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS: 
Nutrient requirements of poultry. 9. ed. Washington: National Academy Press, 1994. 176 p.

SCHNEIDER, L. Estudo etológico de arara azul (Anodorhynchus hyancinthinus) no Pantanal de Miranda MS. 2003. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) - Universidade Federal do Mato Grosso do sul, Campo Grande, 2003.

BORSARI, A.; OTTONI, E. B. Preliminary Observations of Tool Use in Captive Hyacinth Macaws (Anodorhynchus hyacinthinus). Animal Cognition, v. 8, p. 48-52, 2005. 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Estou Fazendo duas postagens sobre alimentação e nutrição em Araras!!

 

Olá, Araras Azuis! Hoje, venho avisar que estou escrevendo dois artigos sobre a alimentação e nutrição das araras. Irei abordar a alimentação em vida livre e em cativeiro, incluindo zoológicos e pessoas que têm araras como animais de estimação. Além disso, planejo entrevistar minha amiga Luisa, estudante de biologia e tutora de uma arara canindé. Vale ressaltar que esses posts não se limitarão apenas às araras azuis, mas abrangerão também outras espécies de araras. Espero que esta postagem contribua para o conhecimento de todos e proporcione aprendizado sobre nossa biodiversidade e manejo de animais silvestres. As postagens serão publicadas entre hoje e amanhã, ou até mesmo depois, pois só preciso terminar de escrevê-las. Garanto que adicionarei fontes confiáveis, como livros e slides do curso de auxiliar veterinário, e solicitarei a revisão cuidadosa dos meus professores Akira e Tais. 

Lembrando que irei recomendar rações que meus professores recomendam e afirmam serem boas. Na clínica onde eu fazia estágio e no CETAS do meu professor Rafael, essas rações são utilizadas na alimentação das araras e outros psitacídeos. Portanto, podem confiar que nenhuma dessas rações é ruim e apresentam ótimas qualidades para araras em cativeiro.Até logo!

sábado, 27 de janeiro de 2024

Neoplasias em psitacídeos

 

 Olá Araras Azuis! Hoje eu trago para vocês uma pesquisa acadêmica escrita pela médica veterinária Karina de Oliveira Araújo em julho de 2018, revisada pela orientadora Prof.ª Dr.ª Cátia Dejuste de Paula. Na época, essa moça ainda era estudante; atualmente, ela é formada. Bem, este artigo fala sobre as principais neoplasias em psitacídeos e o tratamento delas. É uma pesquisa bem interessante para se ler e estudar. Como estudante de medicina veterinária, eu amo ficar lendo essas coisas, sabe? Estudar me dá prazer e é tipo um hobby para mim.

Introdução

Neoplasias são descritas como lesões caracterizadas pela proliferação celular anormal, descontrolada, progressiva e autônoma, que podem ocorrer em qualquer tecido ou órgão (LATIMER, 1994; HORTA et al., 2013; GRESPAN & RASO, 2014). Porém sua autonomia não é total, pois dependem do organismo  em que se instalam para sua nutrição (KUMAR et al., 1994, citado por SINHORINI, 2008). Geralmente, as neoplasias possuem perda ou redução de diferenciação, por conta das alterações na diferenciação e multiplicação das células. O sufixo “-oma” designa neoplasia benigna, com algumas exceções como linfoma e melanoma; os termos carcinoma e sarcoma indicam, respectivamente, neoplasia maligna epitelial e neoplasia maligna mesenquimal. Para a diferenciação de neoplasias benignas e malignas são considerados: o grau de diferenciação e anaplasia, a velocidade de crescimento, invasão local e metástase (HORTA et al., 2013). As neoplasias benignas normalmente possuem células bem diferenciadas, semelhantes a células normais, baixo índice mitótico, crescimento lento, não recidivam após remoção cirúrgica, não infiltram ou desenvolvem metástase em locais distantes, e não há degenerações, necroses, hemorragias e ulcerações associadas. Já as malignas são, comumente, pouco delimitadas, têm alto índice mitótico, crescimento rápido, muitas vezes infiltram em tecidos adjacentes, e criam metástase em tecidos próximos e distantes, degenerações, necroses, hemorragias e ulcerações; as células são mais volumosas do que o normal e podem variar de bem diferenciadas a completamente indiferenciadas, dando a característica anaplásica à neoplasia (HORTA et al., 2013). Em aves, as neoplasias se assemelham às apresentadas por outros animais de companhia, por sua classificação e localização (GRESPAN & RASO, 2014). A maior parte dos relatos de ocorrência, características macroscópicas e microscópicas de neoplasias em aves foram realizadas com aves domésticas, especialmente as de produção (LATIMER, 1994). Aves de cativeiro, quando comparadas às de vida livre, apresentam um maior número de neoplasias diagnosticadas. Tal fato pode se dar por serem melhor observadas quanto ao aparecimento de processos patológicos, possuírem maior predisposição genética devido à alta chance de cruzamentos consanguíneos e também por tenderem a viver mais do que aves em vida livre (LATIMER, 1994; SINHORINI, 2008; GRESPAN & RASO, 2014).Dentre os casos de neoplasias encontrados em aves silvestres e domésticas, a maior parte foi descrita na ordem Psittaciformes (RATCLIFFE, 1933; LOMBARD & WITTE, 1959; REECE, 1992; SINHORINI, 2008). GARNER (2006) descreve 220 casos de neoplasia em 3545 Psittaciformes estudados, com 6,2% de prevalência. CASTRO et al. (2013), em estudo retrospectivo de afecções cirúrgicas em aves, observaram 30,15% de taxa de ocorrência de neoplasias dentre as cirurgias realizadas em tecidos moles, sendo que a ocorrência de neoplasias se deu exclusivamente em exemplares Psittaciformes. As neoplasias aviárias mais comumente relatadas são as de sistema tegumentar, variando de 12% a 70% da ocorrência nos relatos, destas as mais frequentes são lipoma e fibrossarcoma (LATIMER, 1994). REAVILL (2004) considera fibroma e fibrossarcoma comuns em aves (ao redor da cera e bico e em asas e pernas), lipoma e lipossarcoma comuns em periquitos-australianos, cacatuas, papagaios do gênero Amazona e calopsitas, e carcinoma de células escamosas em papagaios e periquitos-australianos. SINHORINI (2008) observou alta ocorrência de neoplasias em pele e subcutâneo, especialmente lipomas em subcutâneo de papagaios (32,4% dos casos de neoplasias). Na família Psittacidae, foram encontradas as porcentagens de 5,88% e 5,4% de neoplasias nos estudos feitos por CARVALHO (2004) e GODOY et al. (2009), respectivamente. Esses autores também encontraram a maior parte dos processos neoplásicos em Amazona aestiva (papagaio-verdadeiro), apesar de a espécie Melopsittacus undulatus (periquito-australiano) ser considerada a com maior ocorrência de neoplasias entre os psitacídeos (RATCLIFFE, 1933; LOMBARD & WITTE, 1959; LATIMER, 1994; SINHORINI, 2008). Estudos e relatos de psitacídeos incluem diversas neoplasias, sendo lipoma, fibrossarcoma, papiloma, hemangioma e hemangiossarcoma, colangiocarcinoma, linfoma e carcinoma as mais comumente encontradas (LATIMER, 1994). GODOY et al. (2009) relataram a ocorrência de colangiocarcinoma, colangioma, linfoma, hemangiossarcoma e carcinoma renal primário em sete psitacídeos, sendo que três deles apresentaram colangiocarcinoma. CARVALHO (2004) observou três animais com hepatocarcinoma, um com fibroma cutâneo e um com seminoma, demonstrando a possibilidade de variações na ocorrência de neoplasias nesses animais. Relatos de casos neoplásicos em papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) foram os mais encontrados. ELANGBAM & PANCIERA (1988) descreveram um caso de colangiocarcinoma, ARAÚJO et al. (2007) um caso de rabdomiossarcoma alveolar, CAMARGO FILHO et al. (2016) um caso de melanoma em úvea anterior e PACHALY et al. (2016) um caso de neurofribrossarcoma. Em araras foram relatados casos de neoplasia de células gingantes em osso e sarcoma em tecido mole da asa por AMANN et al. (2007) e BRAGA JUNIOR et al. (2016), respectivamente. FREITAS et al. (2014) descreveram a ocorrência de carcinoma de células basais em periquitoaustraliano e WEISSENGRUBER & LOUPAL (1999) relataram um caso de osteocondroma na parede traqueal de um Agapornis fischeri (agapornis). 

1 Lipoma



 Lipomas são neoplasias benignas caracterizadas pela proliferação de adipócitos bem diferenciados, de crescimento progressivo variando de lento a rápido. Frequentemente ocorrem nos tecidos subcutâneos do esterno (ao longo da quilha), asas, pernas e região abdominal, mas podem se desenvolver em qualquer parte do corpo, inclusive na cavidade celomática, onde se originam da gordura intratorácica e mesentérica. Podem ser únicos ou múltiplos, de coloração amarelada facilmente visível pela pele e, à palpação, são usualmente bem definidos (encapsulados), macios e não aderidos à pele (TURREL et al., 1987; LATIMER, 1994; GRESPAN & RASO, 2014). Lipomas são os tumores benignos mais comuns em psitacídeos, com incidência relatada de 10% a 40% em Melopsittacus undulatus e menor frequência em papagaios do gênero Amazona. Idade avançada, dietas de alto valor energético e obesidade são fatores predisponentes para o aparecimento dessas neoplasias. Massas muito grandes podem afetar a locomoção, voo e capacidade de empoleirar (TURREL et al., 1987; LATIMER, 1994; LIGHTFOOT, 2006; GRESPAN & RASO, 2014). Os lipossarcomas, formas malignas dos lipomas, são raros em psitacídeos. Já os xantomas são frequentemente reportados em psitacídeos, mas não são considerados neoplasias verdadeiras, são intumescências inflamatórias resultantes do acúmulo de macrófagos com lipídeos em seu interior, células gigantes e colesterol livre na pele, e podem estar associados a lipomas (TURREL et al., 1987; LATIMER, 1994; GRESPAN & RASO, 2014). 

2. Papiloma

 Papilomas cutâneos são neoplasias benignas importantes, acredita-se que induzidas por vírus do epitélio de aves de companhia. Papovavirus, Herpesvirus e Papillomavirus foram identificados por meio de microscopia eletrônica causando essas lesões. Duas síndromes clínicas diferentes foram identificadas; uma com partículas virais semelhantes às do Papovavirus e do Herpesvirus identificadas em papilomas pequenos, duros, brancos a acinzentados nos pés de araras, e a segunda manifestação clínica foi observada em Psittacus erithacus (papagaio-do-congo), com lesões proliferativas na face, ao redor das pálpebras e comissuras do bico, e foram associadas a vírus semelhante ao Papillomavirus. Também são comuns massas no trato digestório, principalmente em coana e cloaca (TURREL et al., 1987; GRESPAN & RASO, 2014).

 3. Fibrossarcoma



É o tumor maligno mais frequente em aves de estimação, surge dos fibroblastos e de outras células mesenquimais que produzem colágeno. Apresenta-se como massa firme branca a acinzentada, que muitas vezes infiltra em tecidos adjacentes, possui bordas irregulares e é frequentemente aderida à pele e ulcerada; pode induzir à hemorragia e infecção bacteriana secundária; metátases variam em 5% a 15% de chance de ocorrência (TURREL et al., 1987; LATIMER, 1994; REAVILL, 2004). Tecidos moles das asas, pernas e ao redor da cera e bico são comumente afetados, porém podem ocorrer em todo o corpo, assim como vísceras. Existem sarcomas indiferenciados que podem ser difíceis de classificar quanto ao tecido de origem. Sarcomas e fibrossarcomas são comuns em periquitos-australianos, araras e papagaios (TURREL et al., 1987; LATIMER, 1994; REAVILL, 2004; LIGHTFOOT, 2006). PACHALY et al. (2016) relataram um caso de neurofibrossarcoma em região cervical submandibular de um papagaioverdadeiro e BRAGA JUNIOR et al. (2016) relataram um caso de sarcoma em tecido mole da asa de uma arara canindé. 

4. Hemangioma e hemangiossarcoma



Hemangiomas são neoplasias benignas do endotélio vascular com formação de canais vasculares irregulares e espaços preenchidos por sangue. Podem ser externos ou internos, porém ocorrem com mais frequência em pele dos pés, pescoço, asas, cloaca e região inguinal e no baço. Macroscopicamente apresentam-se como lesões macias, de coloração avermelhada a púrpura ou negra e planas; quando sujeitas a traumas podem sangrar profusamente. Hemangiomas parecem ocorrer mais comumente que os hemangiossarcomas em aves, sendo essa segunda forma a versão maligna do hemangioma. Pés, pernas, asas, bico e cloaca são locais comuns de hemangiossarcomas cutâneos, que são invasivos localmente e podem provocar metástases em locais distantes, incluindo pulmões, fígado e miocárdio (LATIMER, 1994; REAVILL, 2004; LIGHTFOOT, 2006; SINHORINI, 2008).

.5. Colangiocarcinoma



É uma neoplasia maligna originária do epitélio dos ductos biliares, tem característica agressiva, localmente invasiva e foi relatada como capaz de desenvolver metástases. É o tumor hepático mais frequentemente encontrado em aves mantidas em cativeiro, sendo reportado por ELANGBAM & PANCIERA (1988) e GODOY et al. (2009) em Amazona aestiva. Sinais clínicos específicos não são frequentes, porém podem ser observados emagrecimento, fraqueza, ataxia, hepatomegalia, tremores e convulsões, sendo que geralmente as aves apresentam sinais agudos ou são encontradas mortas. Na avaliação macroscópica o fígado pode estar aumentado e com nódulos firmes, de tamanhos variados e coloração esbranquiçada a amarronzada distribuídos pelo parênquima (ELANGBAM & PANCIERA, 1988; LATIMER, 1994; REAVILL, 2004; SINHORINI, 2008; GODOY et al., 2009).

 6. Linfoma



Neoplasia maligna originária de tecido linfoide periférico, comumente apresenta-se como como uma doença multissistêmica disseminada, caracterizada pelo desenvolvimento de massas de tecido branco-amarelado ou de características sarcomatosas, envolvendo todos os tecidos e órgãos do corpo, inclusive a medula óssea. As vísceras mais frequentemente acometidas são fígado, baço e rins, e a manifestação em locais isolados é rara, mas pode ocorrer na pele. É uma das neoplasias linfoides mais comuns de serem encontradas em aves. Um sinal clínico comumente associado ao linfoma com massa retrobulbar é a exoftalmia, pois existem agregados linfoides nesta região (LATIMER, 1994; REAVILL, 2004; LIGHTFOOT, 2006; GODOY et al., 2009).

7. Carcinoma de células escamosas 



O carcinoma de células escamosas é uma neoplasia maligna das células epiteliais escamosas, mais comum em calopsitas e psitacídeos como papagaios, periquito-australiano, agapornis e arara. Já foi descrita na pele da cabeça, pálpebras, peito, pescoço, asas, glândula uropigiana e ao redor do bico e no trato digestório superior (bico, cavidade oral, esôfago, inglúvio e proventrículo); todos estes são considerados sítios primários de ocorrência do carcinoma de células escamosas (TURREL et al., 1987). REAVILL (2004) afirma que existe uma tendência do desenvolvimento dessa neoplasia em locais de irritação crônica. O tumor é geralmente mal definido e muitas vezes aparece como uma ferida não cicatrizante, consiste em lesões crostosas e ulceradas; também pode apresentar-se como múltiplas massas elevadas com depressão ou ulceração central. É uma neoplasia muito invasiva, porém metástases distantes do foco primário são raras (TURREL et al., 1987; GRESPAN & RASO, 2014). Em geral, carcinomas em órgãos internos também são relativamente comuns e descritos com certa frequência em psitacídeos, alguns exemplos são carcinomas renais, gástricos, esplênicos, neoplasias em ovário e adenocarcinomas em fígado, ductos biliares e pâncreas (TURREL et al., 1987; LATIMER, 1994; REAVILL, 2004; LIGHTFOOT, 2006; SINHORINI, 2008; GRESPAN & RASO, 2014). GODOY et al. (2009) demonstram a ocorrência de carcinoma renal primário em um periquito-australiano e FREITAS et al. (2014) relataram um carcinoma raro de ser encontrado em aves, o carcinoma de células basais na pele da asa de um periquito-australiano. 


Diagnóstico

O histórico e a anamnese completos do paciente são de extrema importância para a seleção adequada de exames diagnósticos e tratamentos a  serem estabelecidos. Também é fundamental o exame físico da ave, palpação cuidadosa da neoplasia para verificar sua consistência (firme, macia ou flutuante) e se há aderências a outros tecidos, mensuração da massa em três dimensões e registro da sua localização exata. Um exame neurológico que inclua a avaliação dos padrões de marcha e de voo pode auxiliar no diagnóstico de lesões no sistema nervoso central ou periférico (TURREL et al., 1987). Lipomas geralmente são facilmente reconhecidos por veterinários experientes apenas por sua consistência, aparência macroscópica e história clínica com conhecimento de dieta inadequada do animal (GARNER, 2006). Exames auxiliares como hemograma, bioquímico e radiografias auxiliam na determinação da conduta clínica a ser adotada. O hemograma pode apontar alterações no número de hemácias e leucócitos, como anemia, leucopenia e leucocitose, presença de células tóxicas ou degeneradas. Detecção de linfocitose e observação de números variáveis de linfócitos imaturos (neoplásicos) no hemograma pode auxiliar no diagnóstico de neoplasias linfoides (LATIMER, 1994). Enzimas séricas elevadas podem ser úteis na identificação de neoplasias internas ou doença metastática. E quando os tumores se originam ou são adjacentes a ossos, radiografias da área são indicadas, para determinação da localização e grau de comprometimento ósseo e dos tecidos moles. Em casos suspeitos de neoplasias malignas, radiografias de corpo inteiro devem ser feitas para detecção de metástases antes de selecionar e iniciar tratamentos (TURREL et al., 1987). Todos os tumores devem ser citologicamente ou histologicamente examinados antes do tratamento, para que a quantidade máxima de informação esteja disponível ao tomar uma decisão terapêutica. O exame de citologia por meio de Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) ou imprint de tumores ulcerados ajuda a diferenciar massas neoplásicas de não neoplásicas e neoplasias benignas de malignas. A biópsia excisional (retirada de todo o tumor) com margens de tecido normais é ideal, pois além de diminuir a probabilidade de recidiva da neoplasia fornece tecido normal suficiente para histopatologia 13 comparativa. Biópsia incisional e punção com agulha fina podem ser feitas em casos de tumores muito grandes, invasivos e internos (TURREL et al., 1987). Algumas coletas de amostras neoplásicas podem levar a resultados errados ou inconclusivos. Como no caso de lipomas, muitas vezes não é possível distinguir lipomas e lipossarcomas de maneira fácil com citologia aspirativa, sendo o diagnóstico definitivo feito por meio da extração cirúrgica total (GRESPAN & RASO, 2014). Após a exérese, a neoplasia ou a parte retirada deve ser imediatamente acondicionada em recipientes grandes o suficiente para sua acomodação, com volume de fixador histológico cerca de 10 a 20 vezes maior do que o diâmetro do material, para que ocorra fixação adequada. O fixador mais utilizado é a solução de formol tamponado a 10%. A coloração por hematoxilina e eosina é utilizada para avaliação histopatológica, e então observa-se características de malignidade (delimitação da neoplasia, status de diferenciação, anisocitose e anisocariose, índice mitótico) e origem do tecido neoplásico (HORTA et al., 2013). Se não for possível a determinação da origem da neoplasia por meio da histologia, como em tumores indiferenciados, se faz necessária a realização de imunoistoquímica. Vimentina, citoqueratina AE1/AE3, CD68 e 1A4 são exemplos de marcadores imunoistoquímicos de células mesenquimais, células epiteliais, macrófagos e células musculares lisas, respectivamente (GODOY et al., 2009; HORTA et al., 2013).

Tratamento e prognóstico

Em aves, o tratamento de neoplasias é pouco documentado. A maior parte dos relatos de protocolos de tratamento é anedótica ou envolve apenas um paciente, assim como muitos não são publicados. Frequentemente o tratamento é baseado no de outras espécies domésticas, em geral, a excisão cirúrgica é recomendada em casos de tumores sólidos, enquanto os processos neoplásicos sistêmicos (linfoma sistêmico, condições metastáticas) são tratados de maneira mais eficaz com o uso de quimioterapia sistêmica (LIGHTFOOT, 2006). O objetivo do tratamento é erradicar completamente a neoplasia, garantindo a função normal do órgão ou tecido. O tipo, localização e grau de infiltração do tumor, além da condição física da ave, são fatores que influenciam na escolha do tratamento. A extração cirúrgica ampla é a opção mais adequada para a maioria das neoplasias benignas e malignas de tamanho pequeno. Recomenda-se a retirada de pelo menos 0,5 cm de tecido normal além da margem palpável do tumor, porém o tamanho do paciente e a localização da neoplasia podem limitar o grau de ressecção cirúrgica (TURREL et al., 1987). A amputação pode ser utilizada em casos de neoplasias muito invasivas, infiltradas e grandes em membros (SINHORINI, 2008). Em todos os procedimentos cirúrgicos, biopsiais e punções é de extrema preocupação a hemostasia, pois os tumores normalmente são muito vascularizados e podem causar hemorragias profusas (HORTA et al., 2013). TURREL et al. (1987) descrevem a criocirurgia e a hipertermia como métodos alternativos utilizando a temperatura local para causar necrose e destruição de tecidos anormais. As indicações para o uso da criocirurgia são pequenos tumores dérmicos, orais e cloacais e citorredução de neoplasias grandes. Contudo, relatos com estas técnicas não são comuns em aves. A radioterapia é eficaz em neoplasias superficiais (menos de 3 mm de espessura), que podem ser tratadas com partículas de estrôncio-90, irídio-192 e iodo-125 selados em cápsulas de aço, para irradiação pós-operatória e implantados cirurgicamente em tumores superficiais ou profundos para concentrar a radiação no tecido tumoral (TURREL et al., 1987). LIGHTFOOT (2006) afirma que em casos onde a exérese total da neoplasia é difícil ou não é possível, podem ser utilizadas as formas alternativas de terapia local, incluindo radiação de feixe externo (cobalto 60 ou acelerador linear), terapia fotodinâmica, crioterapia e aplicadores de radiação manual. Para neoplasias disseminadas, como neoplasias linfoides ou tumores com metástase, é indicada a quimioterapia. Alguns agentes quimioterápicos são a ciclofosfamida, lomustina, antiinflamatórios esteroidais (prednisona e prednisolona), vincristina, doxorrubicina, cisplatina, carboplatina e L-asparaginase 15 (LIGHTFOOT, 2006). Porém a maioria dos quimioterápicos não é testada em aves, assim como não há protocolos de tratamento apropriados e toxicidades limitantes de dose bem definidos. Segundo TURREL et al. (1987), antiinflamatórios esteroidais foram utilizados para reduzir o volume de neoplasias como leucose linfoide e do linfossarcoma em aves, e existem relatos anedotais de sua utilização e eficácia. Algumas neoplasias foram relatadas com tratamentos eficazes. O lipoma pode regredir e tornar-se autolimitante com tratamento de obesidade em psitacídeos, evitando cirurgias (GILL, 2001, citado por GRESPAN & RASO, 2014; REAVILL, 2004). Tratamentos com remoção cirúrgica associada à quimioterapia com cisplatina ou carboplatina foram realizados em casos de adenocarcinomas ovariano e renal e colangiocarcinoma (LIGHTFOOT, 2006). ARAÚJO et al. (2007), BRAGA JUNIOR et al. (2016), PACHALY et al. (2016) e CAMARGO FILHO et al. (2016) realizaram excisões cirúrgicas de rabdomiossarcoma, sarcoma, neurofribrossarcoma e melanoma, respectivamente, em aves e obtiveram êxito, sem recidivas e sem necessidade tratamentos adicionais. Assim como as terapias, os prognósticos de neoplasias específicas são ainda limitados na área de medicina veterinária de aves. Fibrossarcomas, por exemplo, que são localmente invasivos, raramente desenvolvem metástases e têm potencial de recidiva moderado a alto, são considerados de prognóstico reservado, e os lipomas e mielolipomas com bom prognóstico quando realizada a excisão cirúrgica (REAVILL, 2004). LATIMER (1994) classifica as neoplasias do sistema nervoso central com prognóstico ruim.


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