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domingo, 11 de outubro de 2026

Zoo indiano e governo brasileiro negociam “parceria estratégica” para espécies ameaçadas

Olá Araras Azuis!! Trago Noticias!!! 

  • Documentos obtidos pela Mongabay revelam que o Vantara, o polêmico zoológico privado na Índia administrado pelo bilionário Anant Ambani, iniciou negociações com o governo brasileiro para firmar uma “parceria estratégica de conservação” voltada para as espécies ameaçadas do Brasil.

  • O zoológico também propôs uma parceria de conservação para a ararinha-azul, espécie endêmica do Brasil e extinta na natureza; 26 dessas aves foram enviadas da Alemanha para o Vantara em 2023 sem o consentimento do governo brasileiro.

  • Representantes do Vantara se reuniram com membros do ICMBio e dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores em 2025 para discutir essa parceria. Uma delegação brasileira planejava visitar o zoológico indiano em 2026, mas a viagem foi cancelada na última hora.

  • Conservacionistas defendem que haja transparência quanto a qualquer acordo firmado com o zoológico, que é alvo de investigações no Brasil e no exterior pela suposta ligação com o tráfico de animais silvestres.



domingo, 16 de agosto de 2026

MS tem maior contagem de araras-azuis no Brasil

 

Olá Araras Azuis!!! hoje trago excelentes notícias!!

Mato Grosso do Sul foi o estado brasileiro com o maior número de araras-azuis registradas durante a primeira edição do Big Day das Araras-Azuis, em 2025. Ao todo, 409 aves foram contabilizadas no estado, que liderou a mobilização nacional de observação da espécie.

Agora, o Instituto Arara Azul prepara uma nova edição da campanha, que acontece nos dias 1º e 2 de agosto e pretende ampliar a participação da população.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Filhotes de arara eazul de lear nascem na Bélgica; veja

 



Olá, Araras Azuis!! 

Hoje trago excelentes notícias! Estou muito animada com elas e mal posso esperar para compartilhar tudo com vocês. Espero que fiquem tão felizes quanto eu com essa novidade!

Dois filhotes de arara-azul-de-lear, uma espécie ameaçada de extinção encontrada na natureza apenas no Nordeste do Brasil, nasceram no início de julho no zoológico Pairi Daiza, na Bélgica.

O parque anunciou o nascimento na quarta-feira (29) e afirmou que, com o feito, se tornou o único centro público de conservação do mundo a reproduzir com sucesso as três espécies de araras-azuis.

Os filhotes nasceram nos dias 1º e 3 de julho e são os primeiros descendentes de um casal cuja primeira tentativa de reprodução, realizada no ano passado, não teve sucesso.

De acordo com o zoológico, o nascimento foi resultado de mudanças feitas no programa de reprodução da espécie. As adaptações buscaram recriar, dentro do parque, as condições do ambiente natural onde vivem as araras-de-lear.

Atualmente com cerca de três semanas de vida, os filhotes estão sendo alimentados manualmente e recebem acompanhamento constante da equipe veterinária. Os animais foram aquecidos em cobertores, pesados e alimentados durante os primeiros cuidados.


domingo, 26 de julho de 2026

Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo


Olá, araras azuis!!!

Hoje eu trago notícias revoltantes, que me deixaram com muita, mas muita raiva. Confesso que fiquei completamente indignada quando soube do que aconteceu, e acho importante compartilhar isso com vocês.

Animais silvestres e aves exóticas, incluindo uma arara-azul — espécie ameaçada de extinção —, uma arara-canindé, uma coruja suindara, cacatuas, papagaios e jabutis, além de felinos mantidos em caixas, foram resgatados pela Polícia Federal durante uma operação contra o tráfico de animais realizada na manhã desta quarta-feira (15), em Várzea das Moças, na Região Oceânica de Niterói. Um homem foi preso em flagrante por manter animais silvestres em cativeiro e por maus-tratos.

Batizada de Operação Bicho Solto, a ação foi realizada por agentes do Grupo de Repressão a Crimes Ambientais da Delegacia da Polícia Federal em Niterói, com apoio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado.


No imóvel, foram encontrados animais da fauna silvestre e aves exóticas mantidos em cativeiro, alguns em situação de maus-tratos. Entre as espécies identificadas estavam coruja suindara, cacatua galah, cacatua galerita, papagaio-verdadeiro, jandaia, marianinha, ring neck, arara-canindé, arara-azul e jabutis.


Além dos animais, os agentes apreenderam documentos com indícios de fraude, dinheiro e mídias que serão analisadas no decorrer da investigação.


Segundo a Polícia Federal, o investigado já havia sido alvo de apurações por suspeita de chefiar uma quadrilha interestadual especializada no tráfico de aves raras. Os animais seriam capturados em diferentes estados do país, incluindo espécies ameaçadas de extinção.


— A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação de combate ao tráfico de animais silvestres. No local, foram encontradas diversas espécies da fauna brasileira, algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul, além de espécies exóticas, todas mantidas em situação irregular. Alguns animais também estavam em situação de maus-tratos. Eles estão sendo recolhidos e encaminhados para um local apropriado, enquanto o responsável pelo imóvel foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Niterói e autuado em flagrante — afirmou o delegado federal Fernando César, responsável pela investigação.

Após a prisão, o suspeito foi levado para a Delegacia da Polícia Federal em Niterói, onde foi autuado em flagrante. Em seguida, será encaminhado ao sistema prisional do estado e ficará à disposição da Justiça.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bahia participa da maior contagem simultânea de araras-azuis do mundo; veja como colaborar

 


Olá, araras azuis!!!

Hoje eu trago boas notícias! Espero que vocês gostem e fiquem tão felizes quanto eu ao saber delas. Espero também que essas novidades alegrem o dia de vocês. Vamos conferir?

Nos próximos dias 1º e 2 de agosto, o Instituto Arara Azul promove a segunda edição do chamado Big Day das Araras-Azuis. Trata-se de uma mobilização internacional de ciência cidadã voltada para o registro da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) em áreas de ocorrência da espécie no Brasil, Bolívia e Paraguai. A iniciativa é considerada a maior contagem simultânea de araras-azuis realizada na natureza.Inspirado no Global Big Day, tradicional evento mundial de observação de aves que reúne milhares de participantes para registrar espécies em campo, o Big Day das Araras-Azuis busca mapear a presença da arara-azul-grande, símbolo da biodiversidade brasileira. A espécie é monitorada pelo Instituto Arara Azul há mais de 30 anos e ainda enfrenta ameaças à sua conservação. primeira edição do Big Day das Araras-Azuis foi realizada em 2025 e trouxe resultados considerados expressivos pelos pesquisadores. Segundo a médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, os números demonstram o potencial da mobilização.

“No Brasil, Mato Grosso do Sul liderou a contagem, com 409 araras-azuis registradas e uma grande mobilização de observadores em diferentes municípios. O Pará também teve uma participação muito expressiva, com 335 indivíduos registrados e forte envolvimento da comunidade local”, explica.


domingo, 28 de junho de 2026

Arara-Azul-Grande volta para lista nacional de espécies ameaçadas de extinção

Olá, Araras Azuis!!

Hoje eu trago péssimas notícias. Fiquei muito mal e devastada ao ler tudo o que aconteceu. Meu coração ficou apertado, e confesso que foi muito difícil receber essas informações hoje. 

O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) colocou, pela segunda vez, a arara-azul-grande na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (18).


A nova lista reúne 789 espécies ameaçadas e nove extintas entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. De acordo com o MMA, a versão substitui a lista anterior, de 2022, e contempla os resultados das avaliações conduzidas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).


As araras-azuis, especificamente, voltaram a integrar a relação após 12 anos. A espécie foi colocada pela primeira vez na década de 1980, onde, segundo o Instituto Arara-azul, mais de 10 mil aves foram retiradas da natureza em decorrência ao tráfico e a caça.

Espécies ameaçadas

Segundo o MMA, entre as espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como Criticamente em Perigo (CR), das quais 25 são consideradas Possivelmente Extintas (CR-PE). Enquanto outras 285 encontram-se na categoria Em Perigo (EN) e 336 são classificadas como Vulneráveis (VU).

Apenas a espécie mutum-do-nordeste (Pauxi mitu) permanece na categoria Extinta na Natureza (EW), com exemplares mantidos apenas em cativeiro.

Já os invertebrados terrestres representam o maior grupo da lista de ameaçados de extinção, com 264 espécies ou subespécies. Na sequência aparecem as aves, com 242 registros, os répteis, com 123, os mamíferos, com 102, e os anfíbios, com 59 espécies ou subespécies.

Aproximadamente 180 espécies ou subespécies foram incluídas na lista de ameaçadas após o resultado do balanço técnico. Conforme descrito pelo MMA, esse grupo reúne espécies que demonstraram agravamento em seu estado de conservação.

Os principais destaques se dão pela reinserção da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus) na lista.

Embora o número seja considerado elevado, ainda houve uma melhora no indíce de espécies que deixaram a lista de ameaçados. O balanço aponta que cerca de 150 espécies não são mais consideradas por risco de extinção.

O MMA aponta que a mudança ocorre em função de diferentes fatores, como o avanço do conhecimento científico sobre as espécies, revisões taxonômicas e melhorias no estado de conservação de algumas populações.

Além disso, também houve alterações relacionadas a revisões taxonômicas e à reclassificação de espécies para categorias não ameaçadas, como Menos Preocupante (LC), Quase Ameaçada (NT) ou Dados Insuficientes (DD).

FONTE: CNN BRASIL

sábado, 20 de junho de 2026

Ambiental MS Pantanal doa mudas para recuperar habitat da arara-azul


 

Olá, araras azuis!

Hoje eu trago notícias maravilhosas! É muito bom ver pessoas fazendo o bem pelas araras-azuis e contribuindo para a conservação dessas aves tão especiais.

Um projeto piloto de reflorestamento no Pantanal Sul-Mato-Grossense começou a ser implantado com o objetivo de recuperar áreas degradadas e fortalecer a conservação da fauna nativa. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Arara Azul e conta com a parceria da Ambiental MS Pantanal, que realizou, no dia 27 de abril, a doação de 250 mudas nativas produzidas pelo Viveiro Isaac de Oliveira.


As mudas serão plantadas na região da Fazenda Caiman, em Miranda, em uma área impactada pelos incêndios registrados nos últimos anos, que afetaram diretamente a biodiversidade local. O projeto busca restaurar o ecossistema e fortalecer a preservação da arara-azul-grande, uma das espécies mais emblemáticas do Pantanal. Entre as espécies doadas estão tarumã, angico-preto, manduvi, macaúba, louro-preto, ipê-branco e ipê-roxo, consideradas estratégicas para a recuperação ambiental. Além de contribuírem para a recomposição da vegetação, essas árvores desempenham papel fundamental na alimentação e na reprodução da fauna pantaneira.


De acordo com a diretora-executiva do Instituto Arara Azul, Eliza Mense, o plantio tem impacto direto na sobrevivência da espécie.


“A espécie se alimenta basicamente de cocos como o acuri e a bocaiuva. Já para a reprodução, depende de árvores como o manduvi para a formação de ninhos. Mesmo quando utilizamos ninhos artificiais, é essencial que existam árvores altas e bem posicionadas”, explica. O Instituto Arara Azul e a Ambiental MS Pantanal mantêm parceria oficial desde 2025 em ações voltadas à preservação ambiental no Pantanal, especialmente por meio da doação de espécies nativas.


Para o analista ambiental da concessionária, Carlos Leal, a união entre as instituições amplia os resultados das ações ambientais.  “A parceria permite somar esforços e conhecimentos, ampliando os impactos positivos no ecossistema, na biodiversidade e na saúde do Pantanal”, afirma. Eliza Mense também reforçou a importância da atuação conjunta entre diferentes instituições. “A conservação ambiental exige colaboração. Quando unimos os potenciais de cada parceiro em torno de um propósito comum, conseguimos resultados mais efetivos na preservação da biodiversidade”, destaca.


O projeto ocorre em um cenário de desafios crescentes para o bioma pantaneiro. Assim como em outras regiões do Pantanal, a área enfrenta impactos das mudanças climáticas, com altas temperaturas, estiagem prolongada e aumento da ocorrência de incêndios, fatores que tornam as ações de recuperação ambiental ainda mais necessárias.


O Instituto Arara Azul é uma organização não governamental, de direito privado e sem fins econômicos, voltada à promoção da conservação ambiental. Por meio do Projeto Arara-Azul, a entidade desenvolve, desde 1990, estratégias para manutenção de populações viáveis da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Projeto de reintrodução traz a ararajuba de volta aos céus de Belém

 
Olá, araras azuis!

Eu sei que a ararajuba não é uma arara-azul, mas ela é outra ave, um psitacídeo em risco de extinção, e considero muito importante falar sobre ela.

Quem acompanha o blog desde 2013 sabe que eu sempre procuro abordar não apenas as araras-azuis, mas também outras aves ameaçadas de extinção e até mesmo outros animais. Acredito que conscientizar as pessoas sobre a importância da conservação da fauna é fundamental para a proteção dessas espécies e de seus habitats.

 A ararajuba é tão colorida quanto barulhenta. Penduradas nos galhos, três dessas aves gritam enquanto olham para o biólogo Marcelo Vilarta, alguns metros abaixo, enquanto ele as observa. Também chamada de guarubas, essas parentes de araras e periquitos ostentam plumagem amarela vibrante, com pontas verdes nas asas, que chamam atenção na vegetação amazônica. No entanto, são essas cores que colocam sua população em risco de extinção.


O comércio ilegal de animais de estimação, aliado à perda de habitat, reduziu a população de ararajubas (Guaruba guarouba) a menos de 10 mil espécimes na natureza – um pequeno número para um grande bioma como a Amazônia, o único lugar na Terra onde são encontrados de forma nativa. Eles estão presentes principalmente no estado do Pará, com registros também no Maranhão e no Amazonas.


“Não há ararajubas [na natureza] em nenhum outro lugar do mundo”, diz Vilarta. Ele faz parte de um projeto de reintrodução dessas aves apoiado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e Biodiversidade (Ideflor-Bio) e pela Fundação Lymington.


O programa começou em 2017, e o primeiro bando de ararajubas foi liberado na natureza em janeiro de 2018, no Parque Estadual do Utinga, em Belém, cidade onde essas aves estão extintas há mais de cem anos. Os curiosos espécimes que observam Vilarta da árvore são três dos 50 que foram soltos aqui até agora.


“A ideia do projeto é reduzir a vulnerabilidade da população de ararajubas e criar uma nova população selvagem em uma área onde elas já estavam extintas”, diz o biólogo.

A Fundação Lymington, sediada no estado de São Paulo, tem criado ararajubas com sucesso nos últimos 20 anos para aumentar o número da espécie e, em 2017, uniu-se ao Ideflor-Bio para reintroduzir a ave de volta à natureza, com o apoio do Museu de Zoologia da USP. Belém foi escolhida para a reintrodução para trazer de volta “uma espécie a um lugar onde ela já havia desaparecido”, diz Vilarta.


O Parque Estadual do Utinga, no centro de Belém, é uma unidade de conservação e o maior espaço verde da cidade, com uma área de 1.393 hectares de ambiente amazônico natural amplamente preservado, o habitat preferido da ararajuba. A área é protegida por segurança privada e pela polícia ambiental pública, reduzindo a possibilidade de tráfico e desmatamento.


Os coordenadores do programa montaram dois aviários no meio do parque, onde dez ararajubas estão sendo preparadas para serem reintroduzidos na natureza. A maioria veio do programa de reprodução da Fundação Lymington, mas algumas foram resgatadas do tráfico ou de serem mantidas como animais de estimação. Dentro dos recintos, as ararajubas passam por um período de adaptação e aclimatação que leva pelo menos cinco meses.


O viveiro tem vegetação semelhante à que as ararajubas encontrarão na natureza, e elas são ensinados a reconhecer e consumir alimentos locais. As aves também são treinadas para reconhecer predadores, como jiboias, e para isso Vilarta e sua equipe colocam cobras vivas em segurança perto do recinto. Em seguida, os pesquisadores avaliam as reações das ararajubas às cobras, bem como às aves de rapina locais que caçam na área, e dão a elas uma nota de aprovação se emitirem coletivamente gritos de alarme quando os predadores se aproximam.

A educação ambiental para o público em geral, especialmente em escolas e universidades e para os visitantes do parque, também desempenha um papel fundamental na proteção de longo prazo da ave. “O projeto intensificou a educação para aumentar a conscientização sobre a importância dessa espécie para a cidade de Belém, pois é essa ave que ajuda a propagar as espécies frutíferas típicas de nossa cidade”, diz Monica Furtado da Costa, diretora do Ideflor-Bio. As atividades educativas incluem a distribuição de cartilhas sobre a ararajuba para estudantes, a criação de jogos para crianças e a realização de uma exposição sobre a espécie no Parque Porto do Futuro, em Belém.


Até o momento, o programa de reintrodução está funcionando. Um estudo publicado em 2021 sobre o projeto constatou que “as aves liberadas foram muito bem-sucedidas em encontrar e consumir alimentos nativos, fugindo de predadores, e um casal conseguiu se reproduzir com sucesso”.


Apesar do sucesso, a reintrodução de todas as ararajubas, especialmente as capturadas anteriormente, nem sempre é fácil.


No viveiro, uma fêmea de ararajuba se equilibra na rede de malha dentro do recinto e se aproxima de Vilarta, demonstrando pouco medo das pessoas. O biólogo diz que ela já foi mantida como animal de estimação, criada ilegalmente no Pará, antes que o proprietário a entregasse para o projeto. “Você pode até falar com ela e ela responde”, diz ele.


Outra ave se agarra à rede próxima. Vilarta entra na gaiola, recolhe o animal usando uma vara longa e o coloca perto de uma caixa-ninho para protegê-lo do sol escaldante do meio da manhã. Antes de ser resgatado e entregue ao projeto, esse espécime em particular havia sido mantido em uma gaiola por 15 anos e nunca aprendeu a voar. Vilarta diz que a reintrodução dessas duas aves na natureza será um desafio, se é que será possível, devido à sua incapacidade de se adaptar à vida fora do cativeiro. “Pelo menos esses dois podem ser felizes e seguros aqui”, diz ele.

Atualmente, dez das cinquenta ararajubas selvagens reintroduzidas permanecem no Parque Estadual do Utinga e visitam o recinto diariamente para socializar com as aves em cativeiro e comer nos comedouros que Vilarta deixa para elas. Ele passa todos os dias ao lado dos recintos, monitorando as populações selvagens e em cativeiro.


As outras 40 que foram liberadas anteriormente se dispersaram para outras regiões. Antes de ser solta, cada ararajuba recebe um anel nas pernas e um colar no pescoço para ajudar a manter o controle da população. Os colares de rádio ajudam a monitorar as aves individualmente até certo ponto, mas não são eficazes em longas distâncias.


“Depois que elas são solas, é difícil mantê-las sob controle”, diz Vilarta. O plano agora é expandir o tamanho dos aviários atuais para acomodar mais ararajubas s e, em seguida, soltar outras 50 na natureza nos próximos dois anos. Os pesquisadores e conservacionistas esperam que essas aves continuem a criar suas próprias populações em Belém e além.


“Espero que haja mais filhotes em breve, porque agora eles precisam aumentar sua população naturalmente”, diz Vilarta. “Em algum momento, poderemos parar de soltar novas aves aqui e a população poderá se restabelecer naturalmente.”

FONTE: MONGABY

quinta-feira, 18 de junho de 2026

ICMBio transfere ararinhas-azuis negativas para circovírus para centro especializado ligado a universidade


Olá, araras azuis!

Trago atualizações importantes sobre o caso das ararinhas-azuis. Espero manter vocês bem informados sobre os acontecimentos e compartilhar as novidades mais relevantes.

 Uma força-tarefa coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou nesta quarta (27) a transferência emergencial de 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que testaram negativo para circovírus do criadouro em que se encontravam, em Curuçá (BA). A ação é respaldada por decisão judicial.  


Elas foram levadas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) — instituição especializada em manejo de fauna, localizada em Petrolina (PE).  A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma espécie endêmica da Caatinga brasileira já extinta na natureza.  


A operação em conjunto com a Polícia Federal, contou com apoio da Polícia Militar, do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia, além de médicos veterinários do ICMBio e do Cemafauna e de peritos veterinários da Polícia Federal. 


A medida foi adotada após a confirmação de casos de circovírus entre as ararinhas-azuis e o descumprimento de medidas de biossegurança no criadouro, parceiro da organização alemã Associação para a Conservação dos Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês).  


Dentre as normas descumpridas estavam medidas básicas de higiene, como limpeza e a desinfecção diária das instalações e comedouros (encontrados sujos, com acúmulo de fezes ressecadas) e a não utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos funcionários - reiteradamente flagrados utilizando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo dos animais, que são extremamente raros. 


Dos 103 indivíduos que estavam no criadouro, 34 testaram positivo para o vírus. As 69 aves que apresentaram resultado negativo foram retiradas do local e permanecerão por tempo indeterminado no Cemafauna, onde receberão os cuidados adequados, serão submetidas a novo ciclo de testagem e ficarão em quarentena para avaliação de seu estado de saúde. 


O circovírus dos psitacídeos é uma doença originária da Austrália e considerada uma das mais graves entre aves como araras, papagaios e periquitos. O circovírus afeta principalmente as penas e o bico dos animais. Entre os sintomas estão alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. A doença não tem cura e mata a ave na maior parte dos casos.  Apesar disso, o vírus não infecta humanos nem aves de produção. 


A separação entre aves positivas e negativas para o circovírus é fundamental para proteger os animais saudáveis e garantir segurança ao programa de reintrodução da ararinha-azul na natureza. A medida é considerada a forma mais eficiente de garantir a saúde e o bem-estar das ararinhas-azuis, bem como a viabilidade de longo prazo do programa de reintrodução de uma das espécies mais ameaçadas do planeta. No ICMBio, a Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootia (Coece/CGPeq/Dibio) coordena os trabalhos no tema.

Sobre as Redes sociais do Blog

 

Olá, araras azuis!

Vocês devem ter percebido que o Instagram e o TikTok do blog estão desatualizados há meses, e que o Twitter do blog foi excluído no ano passado.

A verdade é que estou tão ocupada com os meus estudos que mal consigo atualizar o blog, quem dirá as redes sociais dele. A faculdade de Biologia tem exigido bastante de mim, com muitas provas, trabalhos e atividades acadêmicas.

Às vezes, eu posto com mais frequência nos meus perfis dedicados ao colecionismo e à poesia, porque eles acabam sendo o meu refúgio para descansar e relaxar depois de dias cansativos de estudos.

Mesmo não estando tão presente quanto gostaria, o blog continua sendo muito importante para mim. Por isso, agradeço a todos vocês pela paciência, pelo carinho e por continuarem acompanhando este projeto.

Em breve, trarei mais novidades para compartilhar com vocês!

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ameaçadas de extinção, araras-azuis nascem em zoológico de São Paulo


 Olá, araras azuis!

Perdão pelo meu sumiço. Estive muito ocupada com provas e trabalhos acadêmicos da faculdade de Biologia.

Mas hoje trouxe notícias maravilhosas para compartilhar com vocês! Estou muito feliz em voltar e contar todas as novidades.

Duas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) nasceram no Zoológico de São Paulo no fim de abril. As imagens dos filhotes foram divulgadas nesta sexta, 22, que celebra o Dia Internacional da Biodivesidade. Os novos integrantes se juntam a outros 21 pássaros da espécie ameaçada de extinção que nasceram na instituição nos últimos onze anos, como parte do programa de conservação dos animais. Os filhotes são descendentes do casal de aves Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie registrados no zoológico na capital paulista. Parte das aves nascidas na instituição já foram incorporadas ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas conhecidas de ocorrência natural da espécie.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

As pistas invisíveis no combate ao tráfico de araras-azuis-de-lear

 Olá Araras Azuis, hoje trago uma matéria muito importante! Quero compartilhar algumas informações e curiosidades que muita gente não conhece, então leiam com atenção e, se possível, ajudem a divulgar para mais pessoas.

Mesmo após décadas de esforços de conservação, a arara-azul-de-lear ainda enfrenta uma ameaça persistente: o tráfico ilegal. Para ajudar a combater esse problema, a pesquisadora Isabela Prado, selecionada no Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro (2025) pelo Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla em inglês), ela usa pistas químicas deixadas no corpo das aves para revelar a origem de aves vítimas deste crime ambiental e, por meio da análise científica, gerar dados que fortaleçam as estratégias para conservação da espécie.


Endêmica da Caatinga do norte da Bahia, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) já esteve à beira da extinção. Em 1987, estimava-se que apenas 60 indivíduos viviam na natureza. Hoje, graças a ações de conservação, como proteção do habitat e programas de reintrodução, a população chega a aproximadamente 2,5 mil aves. Ainda assim, a espécie segue classificada como “Em Perigo”. Sua distribuição restrita, a dependência de áreas específicas para alimentação e reprodução e a baixa taxa reprodutiva aumentam sua vulnerabilidade.


Entre as ameaças, o tráfico se destaca. Casos recentes de araras apreendidas no Suriname e no Togo, além de registros de tráfico de ovos da ave, mostram que a espécie, com alto valor no mercado ilegal, segue na mira dos criminosos. 


É nesse contexto que entra o projeto de pesquisa de Isabela. Sua proposta é usar informações químicas presentes em tecidos como penas, sangue e unhas para desvendar a origem e o histórico ambiental recente dos indivíduos. 


“Tudo o que o animal consome e o ambiente em que vive deixam registros naturais no corpo”, explica a doutoranda da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no sul da Bahia. Essas marcas, que os cientistas chamam de assinaturas isotópicas, permitem identificar as características ambientais próprias de cada região, que resultam em combinações distintas, funcionando como registros naturais do local onde viveram ou se alimentaram.


“Essa abordagem é especialmente relevante porque araras podem ser capturadas ilegalmente na natureza, mantidas em criadouros clandestinos e posteriormente traficadas. Quando uma ave é resgatada, muitas vezes não existem informações confiáveis sobre sua procedência ou sobre o tempo que permaneceu em determinado ambiente”, detalha Isabela. “Podemos usar essas informações para reconstruir parte da trajetória de aves apreendidas no tráfico”, destaca. Isso abre caminho para decisões mais seguras sobre ações de manejo, como a reintrodução, e até para fiscalização. 


Para executar sua pesquisa, Isabela irá a campo nas duas unidades de conservação em que a espécie ocorre: a Estação Ecológica Raso da Catarina e o Parque Nacional Boqueirão da Onça, onde serão coletadas amostras biológicas das araras em vida livre. Somado a isso, o estudo irá acompanhar indivíduos que passaram por mudanças de ambiente em situações monitoradas, como processos de reintrodução; analisar amostras de aves apreendidas do tráfico; e as assinaturas de animais mantidos sob cuidados humanos no Brasil e no exterior. Todo esse esforço de coleta irá permitir a comparação isotópica entre diferentes contextos ambientais que servirão de base para criação de um banco de dados de referência para futuras ações de conservação da arara-azul-de-lear. 


“O apoio do programa Bolsas FUNBIO é fundamental para viabilizar as análises laboratoriais das assinaturas isotópicas, que possuem custo elevado, além de contribuir para despesas relacionadas ao campo, coleta e processamento das amostras biológicas”, pontua a doutoranda.


Na prática, os resultados podem orientar estratégias de combate ao tráfico e o planejamento de ações mais eficientes de conservação, destaca. Ao transformar sinais invisíveis em informação concreta, a pesquisa abre novas possibilidades para proteger a arara-azul-de-lear e mostra como a ciência pode ser uma aliada decisiva na conservação da biodiversidade brasileira.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Estudo mapeia áreas prioritárias para reduzir mortes de araras por choque elétrico

 


Olá Araras Azuis! Trago postagens novas!

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie endêmica do norte da Bahia, quase foi extinta nos anos 1990. Graças a ações de conservação, sua população se expandiu para 2.500 indivíduos atualmente. A expansão das araras, porém, coincidiu com outra bem mais rápida, a da rede elétrica da região, que cresceu cerca de 30% entre 2018 e 2023. Como resultado, apenas entre janeiro e agosto de 2025, 35 araras foram encontradas mortas com sinais de eletroplessão, como se denomina a morte ou lesão acidental causada por energia elétrica.


Para mitigar o problema, um estudo apoiado pela FAPESP apontou os locais mais propícios para esse tipo de acidente nos municípios onde a espécie ocorre, 90% da população na região conhecida como Raso da Catarina. Entre outros fatores, o mapeamento levou em conta 78 eletroplessões relatadas entre 2005 e 2022, a composição da malha elétrica da região e a área de atividade da espécie.


No trabalho, publicado no Journal of Applied Ecology, os autores apontam que mudanças em 10% dos postes com maior risco levariam a uma redução de cerca de 80% dos acidentes conhecidos.


“O principal objetivo é apontar áreas prioritárias para mitigação, onde podem ser feitas alterações nos postes e evitar novas mortes e potenciais interrupções no fornecimento de energia. Nossas estimativas apontam um bom custo-benefício tanto para a empresa fornecedora quanto para a conservação da espécie”, afirma a brasileira radicada no Reino Unido Larissa Biasotto, senior science officer na BirdLife International e primeira autora do estudo.


Ainda no doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Biasotto conseguiu os dados de toda a rede elétrica nacional, fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio da Lei de Acesso à Informação. Sua ideia era entender as principais espécies de aves e biomas afetados pela rede elétrica.


Um dos primeiros resultados foi publicado em 2021. Aquele mapeamento já indicava a arara-azul-de-lear como uma das espécies prioritárias em relação ao risco de eletroplessão e desenvolvimento de medidas de mitigação.


Quando Biasotto publicou o artigo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cemave-ICMBio), e a pesquisadora Erica Pacífico estavam justamente observando um aumento significativo de eletroplessões da espécie em municípios como Canudos e Euclides da Cunha, na Bahia, onde Pacífico realiza suas pesquisas desde 2008. Apenas pela contagem de carcaças recolhidas próximas aos postes de energia elétrica por moradores, eram mais de 70 aves mortas desde então.


“Este é um número conservador, porque não considera todas que podem ter morrido em áreas pouco habitadas ou cujas carcaças foram consumidas por cachorros ou aves carniceiras. Há estimativas de que, na Caatinga, uma carcaça de animal dure no máximo três dias”, explica Pacífico, coautora do trabalho, coordenadora do grupo Pesquisa e Conservação Arara-azul-de-lear e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).


O trabalho integra o projeto “Uso de novas ferramentas de biorrastreamento e analíticas para o estudo da ecologia do movimento e conservação de aves na Caatinga”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Francisco Voeroes Dénes, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).


O estudo tem ainda entre os autores Fernanda Paschotto, que realizou mestrado no IB-USP sobre a área de vida e seleção de hábitat da arara-azul-de-lear com bolsa da FAPESP.



Casal de araras-azuis-de-lear em uma das áreas onde vivem, no sertão baiano: vegetação baixa da Caatinga pode ser uma das razões para aves pousarem em postes de energia elétrica (foto: Erica Pacífico)


Custo-benefício


Pacífico realiza o monitoramento contínuo da espécie desde 2008, catalogando ninhos e contando a população. Em 2017 passou a aplicar biologgers, coleiras que fornecem a localização por GPS, para coletar informações inéditas sobre o potencial de deslocamento diário de algumas das araras-azuis-de-lear e definir melhor sua área de atividade, composta em grande parte pelos locais de alimentação onde ocorre o licuri (Syagrus coronata). Os frutos da palmeira são a principal fonte de alimento da arara-azul-de-lear. Não por acaso, áreas de ocorrência do licuri são onde ocorre a maior parte das eletroplessões relatadas.



Arara com cachos de licuri no bico. Eletroplessões ocorrem sobretudo em áreas de ocorrência da palmeira, cujo fruto é o principal alimento da espécie (foto: Tathiana Andrade)


“Uma das inovações do trabalho é que não usamos a área de distribuição da espécie como um todo, como se costuma fazer em mapeamentos do tipo, mas a área de atividade, onde a probabilidade de eletroplessão é maior. É nesses locais que elas passam a maior parte do dia, se alimentando, interagindo entre si e se empoleirando em postes e fios de média tensão. Por serem mais altos do que a vegetação nativa, esses pontos oferecem uma visão privilegiada do território”, conta Biasotto.


A eletroplessão ocorre quando os animais tocam ao mesmo tempo um fio em que passa a corrente de energia e em outro em que ela não passa ou a voltagem é mais baixa. Por isso, uma solução proposta pelo Ministério Público da Bahia, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), é aumentar a distância entre os fios, o que demanda a troca dos postes iniciada pela empresa.


Segundo a análise de custo-benefício realizada pelos pesquisadores, ao mitigar os possíveis efeitos em 1% dos postes da área de risco mais alto de eletroplessão, 35% dos acidentes poderiam ser prevenidos, o que requereria intervenção em pelo menos 5.668 postes.


Uma vez que essa redução poderia ser insuficiente para a viabilidade populacional da espécie, os autores realizaram os cálculos considerando também 5% da área de maior risco (22.037 postes), o que preveniria 60% das eletroplessões.


Ao ampliar a modelagem para 10% e 20% das áreas de maior risco (o que requereria alterações em 37.412 e 63.966 postes, respectivamente), a redução de acidentes seria superior a 80% e 90% em cada cenário.


Conservação


A arara-azul-de-lear atualmente é definida como “ameaçada” tanto na lista brasileira de espécies em extinção quanto na da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Sua população é estimada em menos de 2.600 indivíduos, segundo o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Caatinga, do ICMBio. Por isso, os autores argumentam que reduzir as fatalidades em 60% pode não ser suficiente para garantir que a população seja viável em longo prazo.


“Até termos um estudo de viabilidade populacional da espécie, uma redução mais próxima de 90% seria mais cautelosa, realizando mudanças em 10% a 20% dos postes”, argumenta Pacífico.


Segundo Biasotto, além da troca dos postes, que provavelmente teria um custo elevado, outra solução seria o desenvolvimento de dispositivos que isolassem as estruturas elétricas e fornecessem um pouso seguro para as aves. Uma das tentativas foi isolar os fios com estruturas tubulares plásticas e, portanto, não condutoras. É uma solução em países europeus para proteger as aves de rapina, principais vítimas das eletrocussões naquela parte do planeta.


“No entanto, nos locais onde foram instaladas para testes na Bahia, as estruturas foram danificadas, provavelmente pela ação das condições climáticas e da instalação inadequada”, afirma a pesquisadora.


Diferentemente dos solitários rapinantes, as araras se congregam em grupos de até 50 indivíduos, exploram bastante o ambiente em que vivem e destroem com facilidade o material com seus bicos poderosos. Por isso, seria necessário desenvolver um dispositivo adequado à realidade do sertão e das aves que lá ocorrem.


Além de guiar futuras ações de mitigação de acidentes e proteger a arara-azul-de-lear, os pesquisadores argumentam que o modelo usado para o mapeamento pode, no futuro, incluir outras espécies de aves que ocorrem na região. O exemplo mais emblemático seria a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), extinta na natureza e atualmente parte de um programa de reintrodução. Por ter hábitos similares aos da arara-azul-de-lear, a ararinha-azul também poderia se beneficiar de um projeto de mitigação de eletrocussões.


No seu livro de 2002 sobre a saga para salvar a ararinha-azul, o autor Tony Juniper sugere que o último indivíduo da espécie teria morrido, justamente, eletrocutado.


O artigo Mapping priority areas to mitigate the risk of electrocution of range-restricted bird species pode ser lido em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70133.

 

Arara azul é resgatada em porta-malas de carro e morre no PI; ave tinha o bico serrado

 

Olá Araras Azuis!!! Hoje trago notícias revoltantes!!

Uma arara-azul foi resgatada após ser encontrada sendo transportada ilegalmente no porta-malas de um carro na BR-316, em Monsenhor Gil, na manhã desta quarta-feira (4). Apesar do resgate, a ave morreu.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a arara apresentava sinais graves de maus-tratos, incluindo o bico serrado.

O resgate foi realizado após a PRF receber uma denúncia sobre o transporte irregular do animal.

Durante a fiscalização, a PRF constatou também o transporte irregular de passageiros. A ave estava sendo levada sem autorização dos órgãos ambientais e enrolada em um arame.

"Apresentava sinais evidentes de maus-tratos", relatou o inspetor.

O condutor foi autuado. A arara foi encaminhada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

FONTE: G1

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Adeus para sempre! A IUCN confirma extinção de seis animais em 2025

 

Olá Araras Azuis!!! Hoje trago péssimas notícias. (Clique aqui para ler a matéria original.)

Algumas perdas passam despercebidas. Não vêm acompanhadas de manchetes urgentes ou imagens virais. Simplesmente acontecem. E quando finalmente são nomeadas, já não se trata de uma notícia recente ou de um alerta oportuno, mas sim de uma confirmação tardia de que uma forma de vida desapareceu sem testemunhas.


Desde 1964, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) tornou-se a fonte de informação mais abrangente do mundo sobre o estado de conservação global de animais, fungos e plantas. É um barômetro da vida. Extinções não são declaradas levianamente.


Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, em inglês) confirmou que pelo menos seis espécies animais desapareceram oficialmente do planeta.

Para que uma espécie seja considerada extinta, décadas devem transcorrer sem observações confirmadas, após buscas exaustivas em seus habitats históricos. Quando um nome ultrapassa esse limiar, não se trata apenas de mais uma estatística. Esse nome marca o encerramento definitivo de uma história evolutiva que não se repetirá.


Atualmente, mais de 48.600 espécies estão oficialmente ameaçadas de extinção, representando 28% de todas as espécies avaliadas. Entre esses grupos em risco, alguns, como os corais construtores de recifes, apresentam taxas de ameaça ainda maiores. Essas porcentagens não apenas refletem a perda de biodiversidade, mas também destacam a vulnerabilidade.


Pensar na extinção no presente é doloroso porque destrói uma ilusão profundamente humana. Acreditamos que sempre haverá tempo para agir. Mas essas espécies não desapareceram da noite para o dia. Elas foram se extinguindo lentamente, à medida que o mundo ao seu redor mudava, até que a ausência deixou de ser uma possibilidade e se tornou um ponto final.


Onde a vida parou

O maçarico-de-bico-fino era uma ave migratória que, durante séculos, percorreu a Eurásia e o Norte da África. Com sua silhueta esguia e bico curvo, habitava zonas úmidas e costas hoje profundamente transformadas. Seu canto suave, melancólico e raro era tão fácil de se perder na paisagem quanto a própria ave. O último registro confirmado data de meados da década de 1990. Desde então, silêncio.


A perda de habitat, a pressão humana nas áreas de invernada e a caça dizimaram o maçarico-de-bico-fino, uma espécie que já era rara antes de seu desaparecimento.

Outro caso particularmente simbólico é o da musaranha-da-ilha-Christmas, um pequeno mamífero insetívoro endêmico de uma ilha australiana. Tão discreta quanto vulnerável, foi vista pela última vez na década de 1980. Sua extinção resultou de uma combinação de ameaças: espécies invasoras, doenças introduzidas e a alteração progressiva de seu ambiente.


De fato, a Austrália responde por uma parcela significativa dessas perdas. A IUCN também confirmou a extinção de três espécies de bandicotes, pequenos marsupiais noturnos adaptados a ambientes muito específicos. Esses pequenos animais sobreviveram a climas extremos por milhares de anos.


No entanto, eles não resistiram à chegada de predadores introduzidos, à fragmentação do habitat e às mudanças aceleradas na paisagem. Seu desaparecimento faz parte de uma tendência alarmante: a Austrália é um dos continentes com o maior número de extinções recentes de mamíferos.


A Austrália é um dos continentes com o maior número de extinções recentes de mamíferos.

A lista completa-se com um invertebrado marinho, um caracol-cone pertencente a um grupo em grande parte invisível ao público em geral, mas crucial para a biodiversidade oceânica. O Conus lugubris, um caracol-cone único das costas de São Vicente (Cabo Verde), foi oficialmente declarado extinto após décadas sem avistamentos. O último registo confirmado data da década de 1980.


O desaparecimento deste caracol marinho está principalmente ligado à destruição do habitat costeiro na ilha. A maioria das extinções ocorre longe dos holofotes da mídia. Invertebrados, anfíbios, pequenos mamíferos e espécies insulares muitas vezes desaparecem quase despercebidos até que seja tarde demais.


O que não volta mais

A IUCN há muito alerta que a taxa atual de extinção é muito superior à taxa natural, impulsionada principalmente por atividades humanas. Destruição de habitats, espécies invasoras, super-exploração, poluição e mudanças climáticas estão levando as espécies à beira da extinção.


Estamos perdendo biodiversidade mais rápido do que conseguimos protegê-la ou mesmo compreendê-la. Algumas espécies desaparecem silenciosamente, quase imperceptivelmente. No entanto, até mesmo as menores formas de vida sustentam o equilíbrio de ecossistemas inteiros. E o que existe hoje pode se tornar mais um adeus definitivo amanhã.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Arara-azul-de-lear nascida em centro de conservação do Governo de SP voltará livre para seu habitat na Bahia

 

Olá Araras Azuis!! Trago boas notícias. Caatinga baiana, ganhará novas cores com a sexta soltura de araras-azuis-de-lear. Essa espécie, endêmica da região e já considerada uma das mais raras do planeta, continua a reconquistar seu espaço natural graças a um programa coletivo de revigoramento populacional que reúne órgãos ambientais, instituições de pesquisa e centros de reprodução, entre eles o Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

Desta vez, o momento será especial: Lídia, uma fêmea nascida em 2023 no Cecfau, será devolvida ao habitat onde sua espécie evoluiu. Filha do casal Francês e Lindsay, que juntos já geraram 20 filhotes, Lídia representa a 10ª arara enviada pela instituição para reforçar a população selvagem da espécie. 

No total, oito aves participarão desta nova etapa, sendo sete araras selvagens, repatriadas do tráfico e reabilitadas, e Lídia, criada sob cuidados humanos. Todas passaram por meses de adaptação e treinamento na Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), dentro da Área de Proteção Ambiental Boqueirão da Onça, aprendendo comportamentos essenciais para a sobrevivência, como reconhecer e consumir os cocos de licuri, base da dieta da espécie.

“Ver um animal que nasceu sob nossos cuidados ganhar o céu da Caatinga é a confirmação de que todo esforço vale a pena. Cada soltura é um passo para recuperar uma espécie que quase desapareceu da natureza. A Lídia leva com ela a dedicação de muitas mãos e o compromisso do Estado de São Paulo com a conservação da biodiversidade”, destaca Cauê Monticelli, coordenador de Conservação de Fauna Silvestre e Pesquisas Aplicadas da Semil.

O trabalho do Cecfau é reconhecido internacionalmente. Atualmente, é a única instituição brasileira a manter dois casais reprodutivos da arara-azul-de-lear, com 26 nascimentos registrados desde 2019. Dez indivíduos já foram destinados à soltura no Boqueirão da Onça, integrando um programa que envolve órgãos federais, estaduais e parceiros como Criadouro Fazenda Cachoeira para fins de conservação, Programa de Resgate da Arara-azul-de-lear, Loro Vet Consultoria, CEMAVE-ICMBio, Ibama e Polícia Federal.

A história dessa conservação é marcada por desafios: durante décadas, não houve registros de reprodução em cativeiro no mundo. Hoje, São Paulo se soma a um grupo seleto de instituições que tornaram possível a esperança de ver a arara-azul-de-lear voar livre novamente.