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domingo, 11 de outubro de 2026

Os riscos da humanização de psitacídeos

Olá Araras Azuis!!

Você sabia que a humanização de psitacídeos pode trazer consequências negativas para a saúde física e comportamental dessas aves? Araras, papagaios, cacatuas e periquitos são animais extremamente inteligentes, sociáveis e capazes de desenvolver vínculos afetivos. Entretanto, essas características não significam que devemos tratá-los como seres humanos ou ignorar suas necessidades naturais.

A humanização acontece quando atribuímos às aves comportamentos, sentimentos e necessidades exclusivamente humanos, interpretando suas atitudes apenas pela nossa perspectiva. Isso pode levar a práticas inadequadas, como impedir que expressem seus comportamentos naturais, estimular uma dependência excessiva dos tutores ou desconsiderar a importância das interações sociais próprias da espécie.

Um dos principais riscos é o desenvolvimento de problemas comportamentais. Psitacídeos que vivem em ambientes pouco estimulantes, sem oportunidades adequadas de exploração, forrageamento, voo quando possível e interação social, podem apresentar estresse, vocalizações excessivas e comportamentos repetitivos. Em algumas situações, também podem desenvolver arrancamento de penas, embora esse comportamento tenha diferentes causas e precise de avaliação veterinária.

Outro problema é a interpretação equivocada de suas necessidades. Uma ave que procura constantemente a atenção humana não necessariamente está demonstrando apenas carinho: seu comportamento também pode estar relacionado ao ambiente, à rotina, à aprendizagem e à falta de estímulos. Da mesma forma, interpretar determinados comportamentos como ciúmes ou birra pode levar o tutor a adotar medidas inadequadas, em vez de investigar o que o animal realmente precisa.

A humanização também pode prejudicar a socialização. Quando uma ave é estimulada a depender exclusivamente de uma pessoa, pode apresentar dificuldades para lidar com mudanças na rotina, com a ausência do tutor ou com outras pessoas e aves. Além disso, o manejo inadequado, a alimentação imprópria e a falta de acompanhamento veterinário podem comprometer sua saúde e qualidade de vida.

É importante lembrar que amar uma ave não significa tratá-la como uma pessoa, mas compreender e respeitar suas necessidades como animal. Os psitacídeos precisam de alimentação equilibrada, ambiente seguro, enriquecimento ambiental, estímulos cognitivos, oportunidades de expressar comportamentos naturais e acompanhamento de um médico-veterinário especializado em animais silvestres e exóticos.

Isso não significa que devemos evitar vínculos afetivos com nossas aves. Pelo contrário! É perfeitamente possível construir uma relação de confiança, carinho e respeito sem desconsiderar sua natureza. O problema não está em amar, conversar ou interagir com elas, mas em colocar nossas expectativas humanas acima de suas necessidades biológicas e comportamentais.

A educação ambiental e a conscientização são fundamentais para combater práticas inadequadas de criação e promover o bem-estar desses animais. Quanto mais conhecemos a biologia e o comportamento dos psitacídeos, mais preparados estamos para oferecer cuidados responsáveis.

Respeitar a natureza de uma ave também é uma forma de demonstrar amor. 

Um mês inativa, desculpa! A culpa foi dos estudos.

 Olá, Araras Azuis!! 

Peço desculpas por ter ficado um mês inteiro inativa e sem publicar nenhuma postagem por aqui! Estive bastante ocupada com os estudos da faculdade de Biologia, cheia de provas e trabalhos acadêmicos, além de estar procurando emprego na área de Auxiliar de Veterinária. Com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, acabei ficando sem tempo para me dedicar ao blog como gostaria.

Mas não se preocupem, pois estou de volta! Quero aproveitar este mês para compensar todo esse tempo sem publicações e trazer muitos conteúdos novos sobre as nossas queridas araras-azuis, sua conservação, biodiversidade e curiosidades. 

Muito obrigada a todos que continuam acompanhando o blog e apoiando este pequeno projeto que existe há tantos anos! Espero que gostem das próximas postagens. Preparem-se, porque teremos bastante conteúdo por aqui neste mês!

domingo, 25 de janeiro de 2026

A vida em bando da Arara Azul Grande

 

Olá Araras Azuis!! 

A arara-azul-grande  apresenta um padrão social caracterizado pela formação de bandos estruturados, especialmente fora do período reprodutivo. Esses agrupamentos têm papel fundamental na sobrevivência da espécie, pois favorecem a proteção contra predadores, a localização de recursos alimentares e a troca de informações ambientais entre os indivíduos. Os bandos podem variar em tamanho, sendo comuns agregações em áreas de alimentação e dormitórios coletivos, principalmente ao entardecer.

No contexto social, a espécie também se destaca pelo comportamento monogâmico. As araras-azuis formam pares estáveis e duradouros, frequentemente mantendo o mesmo parceiro ao longo da vida. Esse vínculo é reforçado por comportamentos afiliativos, como vocalizações coordenadas, proximidade constante e cuidado mútuo da plumagem, os quais contribuem para a coesão do casal e para o sucesso reprodutivo.

Durante o período reprodutivo, embora os indivíduos continuem associados ao bando, cada casal estabelece e defende seu território de nidificação, geralmente em cavidades naturais de árvores. O cuidado parental é biparental, com ambos os parceiros participando da proteção do ninho, da incubação indireta e da alimentação dos filhotes. Essa estratégia aumenta as chances de sobrevivência da prole e garante maior eficiência no investimento energético do casal.

Assim, a organização social da arara-azul-grande reflete uma combinação entre vida gregária e estabilidade conjugal, configurando um sistema adaptativo que favorece a manutenção da espécie em ambientes naturais, especialmente em biomas como o Pantanal e o Cerrado.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Como ocorre imprinting entre aves e humanos

 

Olá, araras azuis!!

Hoje vim trazer um post sobre imprinting entre aves e humanos. Espero que gostem! Imprinting em aves é um tipo de aprendizado rápido e duradouro que acontece nas primeiras horas ou dias de vida do filhote. Nesse período sensível, a ave passa a reconhecer e se apegar ao primeiro “modelo” que vê, que normalmente é a mãe, mas também pode ser um ser humano ou outro animal.

Esse processo é muito importante para a sobrevivência, pois ajuda o filhote a aprender quem seguir, como se comportar, onde buscar alimento e como se comunicar. O imprinting é considerado praticamente irreversível, ou seja, depois de estabelecido, dificilmente pode ser mudado.

Se os pássaros jovens se apegam aos humanos, eles se identificarão com os humanos por toda a vida. Reverter o processo de apego é impossível  esses pássaros se identificarão com os humanos em vez de com sua própria espécie pelo resto de suas vidas. 

Pássaros que sofreram imprinting com humanos não são necessariamente "amigáveis" com humanos, nem significa que sempre gostem da proximidade humana. Pássaros que sofreram imprinting não têm medo de pessoas, e essa ausência de medo pode, às vezes, levar à agressividade e a outros problemas comportamentais complexos. Não é incomum que um pássaro que sofreu imprinting exiba comportamentos territoriais em relação a humanos, assim como faria com membros de sua própria espécie.


Pássaros que sofreram condicionamento humano frequentemente têm dificuldade em se comunicar com outros pássaros da mesma espécie  vocalizações, posturas e o medo de humanos são características que os pássaros aprendem com seus pais, irmãos e outros pássaros. Eles geralmente não são aceitos por outros pássaros da mesma espécie, provavelmente porque exibem comportamentos estranhos e não conseguem se comunicar adequadamente.

Em última análise, as aves que sofrem imprinting encontram-se numa "zona cinzenta" não conseguem interagir adequadamente nem com humanos nem com aves da sua própria espécie.

Aves que sofreram imprinting humano são consideradas inadequadas para serem devolvidas à natureza devido a essas interações inapropriadas. 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Problemas de Reprodução da Ararinha-Azul

 

Olá, Araras Azuis!!! Hoje eu trouxe uma pesquisa interessante sobre os principais problemas de reprodução da ararinha-azul.

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma das aves mais ameaçadas do mundo, e um dos principais desafios para sua conservação está na reprodução. Após quase desaparecer da natureza, a maioria dos indivíduos vive hoje em cativeiro. No entanto, a reprodução dessa espécie é difícil tanto em ambiente natural quanto em criadouros.

Um dos maiores problemas é a baixa diversidade genética, já que os poucos indivíduos sobreviventes são descendentes de um número muito pequeno de aves. Isso pode causar infertilidade, filhotes fracos ou doenças hereditárias. Além disso, em cativeiro, nem todos os casais se reproduzem, pois a ararinha-azul é muito seletiva na escolha de parceiro, e nem sempre há afinidade entre os pares formados artificialmente.

Outro fator preocupante é a perda de habitat. Mesmo com projetos de reintrodução na natureza, como o que ocorre na Caatinga brasileira, a destruição do ambiente e a falta de árvores adequadas para nidificação dificultam o sucesso da reprodução em liberdade.

Apesar desses desafios, esforços internacionais têm conseguido avanços, como o nascimento de filhotes e a reintrodução de algumas ararinhas em seu habitat natural. A preservação da espécie ainda exige muito cuidado, paciência e cooperação entre cientistas, governos e comunidades locais.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Plumagens, mudas e estrutura da Arara Azul Pequena

 

Olá, Araras-Azuis!

Hoje trago novas informações sobre a extinta arara-azul-pequena. Elas foram extraídas do site Birds of the World. Pelo que pesquisei em outros dois sites (Wikipedia e BlueMacaws.org), essas informações estão corretas. Essa ave foi extinta no século XX, e temos poucas imagens e informações sobre ela. As poucas que temos, irei postar aqui.


 Plumagens

A arara-azul-de-glauco tem 10 primárias de comprimento total (numeradas distalmente, do mais interno p1 ao mais externo p10), 12 secundárias (numeradas proximalmente, do mais externo s1 ao s9 para dentro e também incluindo 3 terciais, numeradas de t1 a t3 distalmente) e 12 retrizes (numeradas distalmente, do mais interno r1 ao mais externo r6 em cada lado da cauda). As descrições de plumagem a seguir são baseadas nas de Forshaw ( 2 , 3 , 4 ), Collar ( 5 ) e Juniper e Parr ( 6 ). Veja Molts para terminologia de muda e plumagem. Aparência definitiva provavelmente obtida após a segunda ou terceira muda pré-básica e sexos provavelmente semelhantes em plumagem, como em outrasAnodorhynchusararas .

Natal para baixo

Nenhuma informação sobre Arara-glauca.

Plumagem Juvenil (Primeira Básica)

Nenhuma informação para a Arara-glauca. A plumagem juvenil pode ser mais opaca do que as plumagens posteriores e provavelmente tem penas primárias e retrizes mais estreitas e mais afiladas nas pontas do que as penas básicas, como em outras araras.

Plumagem Formativa

Plumagem formativa provavelmente semelhante à plumagem básica definitiva, mas a coloração pode ser, em média, mais opaca. Primárias e secundárias juvenis retidas, sem dúvida, mais estreitas e mais afiladas nas pontas, e relativamente gastas e acastanhadas em comparação com as penas básicas, e retrizes juvenis retidas, sem dúvida, mais estreitas do que as retrizes básicas, mais gastas e acastanhadas a acinzentadas, como em outras araras e papagaios ( 7 , 8 ). Primárias e secundárias não têm clines de muda mostradas por pássaros básicos definitivos (veja abaixo e 7 ). As retrizes centrais também são possivelmente mais curtas do que em plumagens definitivas.

Plumagem Básica Definitiva

Plumagem geral azul-esverdeada. Cabeça impregnada de cinza, desbotando na nuca para o dorso azul-esverdeado. Garganta e peito superior cinza desbotando para uma barriga azul-esverdeada e coberturas inferiores da cauda; parte inferior da cauda cinza. As penas primárias, secundárias e retrizes básicas são, sem dúvida, mais largas e quadradas do que as penas juvenis, como em outras araras e papagaios ( 7 , 8 ). As primárias e secundárias mostram clinas de muda, com as primárias do meio (p6 ou p5) mais gastas e gradualmente renovando em ambas as direções para p1 e p10, e a secundária do meio (s5) mais gasta e mostrando gradualmente renovando para fora (em direção a s1) e para dentro em direção às terciais (ver Molts e 7 ).

Outras araras e papagaios grandes podem passar por mudas pré-básicas incompletas, resultando em ondas semelhantes às de Staffelmauser através das rémiges após sequências de substituição (ver Mudas ; 7 ). Isso pode resultar em Segunda Plumagem Básica (com penas juvenis retidas) ou plumagens básicas definitivas mais antigas, mas estas ainda não foram identificadas na Arara-glauca.

Arara Glauca Básica Definitiva. ML709638
Arara Glauca Básica Definitiva.

Um espécime coletado no Paraguai. As retrizes pretas e quadradas e as bordas brilhantes nas penas das asas indicam plumagem básica definitiva. Pode ser possível que as 2-3 primárias externas, com bordas mais acinzentadas, sejam penas básicas retidas da muda incompleta anterior, indicando uma ave com pelo menos três anos de idade.

  • Paraguai, Paraguai

Mudas

Em geral

A terminologia de muda e plumagem segue Humphrey e Parkes ( 9 ) conforme modificado por Howell et al. ( 10 ). A arara-azul-de-glauco, sem dúvida, mostrou uma estratégia de muda básica complexa (ver 10 ) com uma muda pré-formativa parcial e mudas pré-básicas completas, mas sem mudas pré-alternativas, como em outras araras e papagaios ( 7 ). Primárias e secundárias de papagaios e periquitos substituídas a partir de nós em p5-p6 e em s5, seguidas por substituição bidirecional desses nós dentro de cada trato. O início da muda primária varia entre p5 e p6 em papagaios, inclusive dentro de espécies, sugerindo que a posição do nó pode ser fluida dentro de uma área definida ao longo do trato alar; não se sabe qual primária ou primárias específicas podem ser nodais na arara-azul-de-glauco. Esse padrão de substituição é exclusivo de papagaios e falcões e pode indicar um padrão ancestral de muda evoluído antes que papagaios e falcões divergissem. A estratégia pode ter se desenvolvido para substituir todos os rémiges mais rapidamente nessas espécies, que dependem fortemente da capacidade de voo, sem incorrer em grandes lacunas nas asas. Veja Pyle ( 7 ) para mais detalhes. Sequência de substituição do rectrix pouco conhecida, mas geralmente substituída distalmente dos rectrizes centrais (r1) em cada lado da cauda, ​​com alguma variação provável; por exemplo, os rectrizes externos (r6) podem mudar de pele antes dos rectrizes centrais (r3-r5), como ocorre em outros papagaios ( 5 ).

Partes nuas

Bill e Boquiaberto

O bico é cinza escuro acinzentado ( 11 , 1 ).

Íris e Pele Facial

A íris é marrom a marrom escuro. A pele periocular nua é amarela. A mancha semicircular (lappet) na base da mandíbula inferior é amarelo mais claro do que o anel orbital nu ( 11 , 1 ).

Tarsos e dedos dos pés

As pernas são cinza escuro ( 11 , 1 ).

Medidas

Medidas lineares

Comprimento total: 72 cm ( 11 ).

Bico: 63–68 mm ( 1 ).

Culmen exposto: Machos 64–68 mm (média 65,3; n = 5), fêmeas 66 mm ( n = 1) ( 11 ).

Asa: 352–373 mm ( 1 ). Machos 360–373 mm (média 365,0; n = 5), fêmeas 353 mm ( n = 1) ( 11 ).

Cauda: 340–381 mm ( 1 ). Machos 361–375 mm (média 370,6, n = 5), fêmeas 352 mm ( n = 1) ( 11 ).

Tarso: 34–40 mm ( 1 ). Machos 34–40 mm (média 36,6, n = 5), fêmeas 36 mm ( n = 1) ( 11 ).

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Algumas Pesquisas e Novidades

 

Olá, Araras Azuis!!!!

Eu tenho boas notícias e uma péssima. A péssima é que voltei ao Twitter porque lá era a única rede social onde meu conteúdo sobre araras tinha alcance. Por isso, desativei minha conta de estudos e criei uma nova conta pessoal, que está privada, somente para amigos e família.

Agora vamos para a boa notícia! A boa é que estou fazendo pesquisas em artigos científicos sobre a reprodução e os cuidados com os filhotes da arara-azul-de-lear. Pretendo trazer isso para o blog ou fazer uma revisão de literatura. Encontrei vários artigos em português e em inglês, tanto antigos quanto atuais, e isso é incrível! Quero entrar em contato com alguns institutos e biólogos para falar sobre o tema. Meu objetivo é trazer para o blog um artigo muito bem feito, que ajude as pessoas a entenderem mais sobre o assunto.

Por fim, tenho uma notícia que não sei se é boa ou ruim... Acho que é ruim. Bem, no ano passado, passei por um momento muito difícil e fiquei muito abalada emocionalmente. Por isso, tive que trancar a faculdade de Medicina Veterinária por recomendação médica.

Para não ficar parada, decidi começar o curso de Artes Visuais, já que gosto muito de arte em geral. Peço desculpas pela mudança inesperada de curso, mas, em breve, pretendo voltar para Medicina Veterinária, se Deus quiser. Amém!😊

sábado, 4 de janeiro de 2025

Comportamento Homoafetivo em Aves

 

Olá Araras Azuis! Hoje eu trago para vocês uma curiosidade muito pouco discutida, que é sobre as relações homoafetivas em aves, em especial as Araras. Isso na natureza é bem comum. Eu fiz algumas pesquisas em fontes confiáveis e pedi ajuda a uma professora para me auxiliar nesta postagem, evitando cometer erros

O comportamento homoafetivo em aves é um fenômeno amplamente documentado e observado em diversas espécies ao redor do mundo. Ele compreende interações sociais, sexuais e afetivas entre indivíduos do mesmo sexo e é interpretado dentro de um contexto biológico, comportamental e ecológico.

Ocorrência e Exemplos

Estudos mostram que mais de 450 espécies de aves apresentam comportamentos homoafetivos. Exemplos incluem pinguins, albatrozes, cisnes e papagaios. Entre os pinguins, por exemplo, é comum observar casais do mesmo sexo formando laços estáveis, construindo ninhos e até mesmo adotando ovos ou filhotes órfãos. Em albatrozes, principalmente em espécies como o albatroz-de-laysan, fêmeas frequentemente formam pares duradouros para criar filhotes juntas, especialmente em populações com desproporção de machos e fêmeas.

Interpretação Biológica

Os comportamentos homoafetivos em aves têm diferentes explicações adaptativas e sociais. Em algumas espécies, a formação de laços entre indivíduos do mesmo sexo pode ser uma estratégia para reforçar alianças sociais, compartilhar responsabilidades parentais ou otimizar a sobrevivência de filhotes. Também pode estar associado a níveis de hormônios ou a fatores ambientais, como a escassez de parceiros do sexo oposto.

Impacto no Estudo do Comportamento Animal

A observação de comportamentos homoafetivos em aves contribui para a compreensão da complexidade das interações sociais e desmistifica a ideia de que a sexualidade no reino animal é puramente reprodutiva. Esses comportamentos demonstram que vínculos afetivos e interações sociais podem desempenhar papéis importantes na sobrevivência e no sucesso reprodutivo das espécies.

Considerações Finais

O comportamento homoafetivo em aves destaca a diversidade natural existente no comportamento animal. Estudos contínuos sobre o tema não apenas ampliam o entendimento da biologia e ecologia dessas espécies, mas também reforçam a importância de respeitar e valorizar a diversidade nos sistemas naturais.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Feliz Ano Novo!!

 

Olá Araras Azuis!!

Um Novo Começo em 2025

Mais um ano está chegando ao fim, e com ele, carrego aprendizados valiosos. Olhando para trás, percebo que, apesar dos momentos bons, também cometi erros. Esses erros me ensinaram lições importantes sobre quem sou e quem desejo me tornar.

Admitir as falhas não é fácil, mas é um passo necessário para o crescimento. Com humildade, reconheço as áreas em que posso melhorar, tanto comigo mesmo quanto com as pessoas ao meu redor. Quero deixar para trás atitudes e comportamentos que não me representam mais e seguir em frente com o compromisso de ser alguém melhor.

2025 será um novo começo. Um ano para renovar as esperanças, corrigir o que ficou para trás e, sobretudo, crescer. Vou me esforçar para cultivar mais paciência, empatia e força de vontade, transformando sonhos em ações e ideias em realizações.

Aproveito este momento para desejar a todos um feliz ano novo, cheio de paz, amor e realizações. Que o próximo ano traga luz para nossos caminhos e coragem para enfrentar desafios. E que, juntos, possamos construir um 2025 mais próspero e cheio de boas transformações.

Com toda a sinceridade, quero que saibam: eu vou mudar. E estou animado para mostrar essa nova versão de mim mesmo ao longo do próximo ano. Um brinde ao recomeço! 🥂✨

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Afinal as Aves possuem Problemas Neurológicos?

 

Olá Araras Azuis!!! Vocês sabiam que as aves também assim como os mamíferos possuem transtornos neurológicos? A mais comum é a  encefalomielite aviária saiba tudo sobre essa doença nesse post.A encefalomielite aviária é uma doença infecciosa de origem viral, que afeta o sistema nervoso central das aves, sobretudo frangos e galinhas, perus, codornizes e faisões. Afeta geralmente as aves jovens, entre 1 e 3 semanas de idade, e os adultos em idade de postura. Também é chamada "tremor epidémico", devido aos movimentos da cabeça das aves jovens.Os sinais de infecção incluem tremores na cabeça, animais prostrados, ataxia e entorpecimento do olhar, sonolência, falta de coordenação, marcha instável. As taxas de morbilidade e mortalidade variam entre 40-60% e 25-50%, respectivamente, dependendo da presença ou ausência de imunidade passiva nos pintos. Em adultos, podem ser observadas cataratas e uma quebra nas taxas de postura e eclosão dos ovos. Causas: A encefalomielite aviária é uma doença infecciosa de origem viral. A contaminação pode ser:


Vertical ao nascimento: doença dos jovens (menos de 3 semanas de idade)

Horizontal: em poedeiras ou pintos no centro de incubação.A encefalomielite aviária é uma doença infecciosa de origem viral. A contaminação pode ser:


Vertical ao nascimento: doença dos jovens (menos de 3 semanas de idade)

Horizontal: em poedeiras ou pintos no centro de incubação. Não possui tratamento.

sábado, 4 de maio de 2024

Boas notícias!!Ararinha-Azul, Uma das espécies mais raras do mundo, ganha centro de conservação no Zoológico de São Paulo.

Olá Araras Azuis!!! Hoje eu trago notícias maravilhosas a Ararinha-Azul, Uma das espécies mais raras do mundo, ganha centro de conservação no Zoológico de São Paulo. Eu pretendo um dia visitar esse centro de conservação! Agora vamos para a postagem:
A Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, participou nesta sexta-feira, 03, da abertura do novo Centro de Conservação ararinha-azul, no Zoológico de São Paulo, zona sul da cidade. O espaço, exclusivo para os animais da espécie, possui 900 m² e conta com salas de incubação de ovos, “maternidade” com controle de temperatura e iluminação e sala para atendimento veterinário. O local ainda possui ambientes para as aves com espaços cobertos e ao livre com capacidade para abrigar até 44 ararinhas.

O objetivo do centro é, principalmente, oferecer padrões de cuidado para os animais existentes e fomentar sua reprodução para possibilitar o retorno de indivíduos à natureza. O grupo do zoológico é composto por seis casais, dos quais um é recém-formado. Os outros 15, são jovens e ainda vão alcançar a maturidade sexual.

“Para nós, essa iniciativa é muito importante. Ter esse espaço como referência, fortalece os nossos programas de parcerias, que trazem os investimentos em vários setores, além de ir ao encontro do Plano de Meio Ambiente, que estimula de forma transversal às políticas públicas em prol da biodiversidade, da fauna e da flora no Estado de SP”, comentou a Natália Resende.

Atualmente, a população mundial de ararinhas-azuis, mantidas sob cuidados humanos, conta com cerca de 334 indivíduos, dos quais 85 estão em instituições no Brasil. O zoológico hoje é responsável pelo cuidado de 27 destes animais, ou seja, aproximadamente 30% de toda a população.

Ararinha-azul – Com nome científico Cyanopsitta spixi, a ave é nativa e endêmica – isto é, não encontrada em nenhum outro lugar – da região de Curuçá, na Bahia, cujo bioma é a Caatinga. A ararinha-azul foi a espécie que inspirou o personagem “Blue” na animação Rio. Atualmente, a ararinha-azul é considerada “Extinta na natureza” de acordo com a Lista Vermelha Global de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN e categorizada como “Criticamente em Perigo de Extinção” (CR) na Lista Brasileira Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Concessão – O Zoológico, Zoo Safari e Jardim Botânico fazem parte do programa de concessões e parcerias público privadas do Governo de SP. Os locais foram concedidos ao Consórcio Reserva Paulista, em 2021. A vencedora, que registrou maior valor de outorga, representando ágio de 132%, tornou-se responsável por revitalizar e administrar essas áreas, além da operação e atendimento aos visitantes no período de 30 anos.
Vale destacar que a Biologa Neiva Guedes símbolo da conservação da Arara Azul Grande marcou presença na inauguração.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Explicando o motivo do Meu sumiço!! Faculdade,Bornout e Hackers!!

Olá, Araras Azuis! Peço desculpas pelo meu sumiço. Nos últimos meses, muitas coisas aconteceram: provas, trabalhos e aulas práticas de medicina veterinária. Além disso, fui diagnosticada com a Síndrome de Burnout, um distúrbio emocional caracterizado por sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, frequentemente resultante de trabalho desgastante que exige muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa dessa doença é, justamente, o excesso de trabalho. Diante disso, meu psiquiatra recomendou que eu me afastasse da faculdade por 30 dias, e eu precisei repousar.
Outro contratempo foi o ataque hacker à minha conta do blog: alguém invadiu minha conta e postou propagandas de um jogo. Felizmente, minhas amigas me avisaram e consegui entrar em contato com o Google. Eles mudaram meu celular e email de recuperação, e recuperar a conta foi um trabalho enorme. Agora que recuperei a conta, estou de volta e vou postar sobre histologia nas aves, uma matéria  que estou aprendendo na faculdade.
Até o próximo post! Prometo voltar com tudo, tanto na faculdade quanto no blog.
Para quem me acompanha no Twitter já viu tudo isso em tempo real kkkk!

domingo, 17 de março de 2024

Visita ao Museu de Zoologia da USP e muitas coisas sobre Araras!!

Olá Araras Azuis!! Como estudante de Medicina Veterinária ,pesquisadora e apreciadora de Araras Azuis gostaria de falar sobre minha visita ao @museu_zoologia da USP!! Eu e minha amiga de faculdade fomos lá para estudar e aprender mais sobre os animais e o que me surpreendeu e eu já imaginava ter lá era esses registros da Arara Azul Grande! Como um exemplar empalhada, uma bela iustração,um crânio de Arara e informações sobre ela! Também tinha uma arara Canindé e uma seção sobre extinção e risco de extinção na área dos dinossauros e animais silvestres!! Super recomendo vocês visitarem esse museu a entrada é gratuita e é um passeio incrível para todos no geral!! Poderiam ter mais exemplares de araras como a Ararinha Azul,Arara Azul de Lear ,Arara Azul Pequena e a Arara Azul vermelha!! Bem é isso!!

sexta-feira, 8 de março de 2024

Atualizações

 

Olá Araras Azuis!!!Perdoem pelo meu sumiço eu ando ocupada com a Faculdade de Medicina Veterinária e com os estudos em si.Não entrei para o grupo de estudos de animais silvestres já estou planejando minha iniciação científica e as aulas práticas de anatomia e histologia já começaram e estou super Feliz com isso em breve terei mais novidades e sim minha iniciação científica será sobre Araras e psitacídeo!!!Aliás minhas matérias favoritas são genética e Embriologia!!!


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Comportamento de arara-azul-de-lear em cativeiro e a influência da técnica flocking na interação de pares (Parte 2)

 

 Olá, Araras Azuis!! Aqui está a continuação da primeira parte daquele post sobre aquela pesquisa feita por Gabriela Rodrigues Favoretto, que apresentou uma dissertação ao Programa de Pós-Graduação em Conservação da Fauna (UFSCar/FPZSP) como parte das exigências para obtenção do título de Mestre Profissional em Conservação da Fauna, sob orientação do Prof. Dr. Augusto João Piratelli, na Universidade Federal de São Carlos e Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Essa pesquisa aborda o comportamento da arara-azul-de-lear em cativeiro e a influência da técnica de "flocking" na interação de pares. Bem, essa é a segunda e última parte da pesquisa, e pretendo em breve postar mais pesquisas acadêmicas que eu ando lendo e as revisões de literaturas que eu fiz. Então, vamos para a postagem.

Capítulo 2 A EFETIVIDADE DO FLOCKING NA INTERAÇÃO DE PARES DE ARARA-AZULDE-LEAR (Anodorhynchus leari) EM CATIVEIRO 

1. INTRODUÇÃO

O comportamento social é um processo dinâmico ligado ao desenvolvimento de relações entre indivíduos e entre esses e o ambiente. A formação de relações sociais é fundamental para muitas espécies, pois está relacionada à variação de níveis de bem estar, determinando o sucesso reprodutivo dos indivíduos envolvidos (LUCAS et al., 2003). Muitas espécies de aves são monogâmicas (DUNN; WHITTINGHAM; PITCHER, 2001) e uma das primeiras etapas comportamentais do processo reprodutivo dessas espécies é a escolha do parceiro sexual (SVEC; LICHT; WADE, 2009), sendo a formação de um casal e a vida em bando as formas de organização social nesse tipo de sistema reprodutivo (KUBITZA; BUGNYAR; SCHWAB, 2015). A seleção é feita visando o aumento do valor adaptativo dos indivíduos envolvidos com base em características comportamentais, fisiológicas e morfológicas (BOTTONI et al., 1993). Em relação às aves monogâmicas, as mudanças envolvidas no pareamento são sutis e ocorrem gradualmente em um processo muitas vezes prolongado, sendo, portanto, difícil de ser avaliado (CLAYTON, 1990). Um par pode ser definido como um casal por diversos critérios, sendo um deles o tempo despendido em comportamentos sociais afiliativos que não são desempenhados com outros membros adultos (ADKINS-REGAN, 2011). A formação desses casais pode ser avaliada pela realização de comportamentos sincronizados como alimentar-se conjuntamente, empoleirar-se próximo ou em contato com outro indivíduo, alisar as penas de outra ave, defender conjuntamente o ninho, tempo gasto dentro do ninho, perseguir uma ave ou defender parceiro pela aproximação de outros indivíduos, cortejar e solicitar cópula (CLAYTON, 1990; BOTTONI et al., 1993; ADKINS-REGAN, 2011). Em psitacídeos especificamente, o longo período de incubação associado a filhotes muito dependentes e com lento crescimento em relação a outras aves, colaboram com o desenvolvimento de um alto grau de interação entre o casal, já que requer muita cooperação mútua para que se atinja o sucesso reprodutivo de fato (KOENIG, 2001). Apesar dos programas de cativeiro terem por objetivo a criação de aves que futuramente possam ser capazes de sobreviver na natureza, pareando, reproduzindo e criando filhotes naturalmente, comumente na reprodução ex-situ os indivíduos são forçados ao pareamento, onde o macho e a fêmea selecionados são mantidos juntos em um recinto exclusivo, sendo observadas baixas taxas reprodutivas para certas espécies, em especial as ameaçadas (GAUDIOSO et al., 2002). Análises genéticas e demográficas de populações cativas fornecem informações que subsidiam estratégias reprodutivas em longo prazo, porém os objetivos imediatos dos programas de reprodução envolvem a manutenção e o sucesso reprodutivo de indivíduos pertencentes a populações cativas específicas. Neste sentido, se faz necessário a realização de estudos comportamentais em cativeiro que garantam a menor interferência humana no comportamento desenvolvido pelos animais com a produção de informações que possam ser relevantes para a melhoria de estratégias reprodutivas através da observação de comportamentos conspícuos que não são facilmente ou frequentemente observados na rotina de manejo (SIEBERT; CROWELL-DAVIS, 2001; FRANCISCO, 2012). Em relação aos pareamentos em cativeiro, as recomendações propostas geralmente envolvem apenas fatores genéticos, mas na prática um pareamento efetivo pode ser influenciado por fatores nutricionais, sociais, comportamentais, físicos e ambientais (MELLEN, 1994). A possibilidade de escolha do parceiro sexual em cativeiro aumenta a taxa de sucesso reprodutivo dos indivíduos envolvidos (IHLE; KEMPENAERS; FORSTMEIER, 2015). Sabe-se que esta liberdade de escolha é um fator que afeta diretamente parâmetros reprodutivos, como produção hormonal e taxa de defesa de ninho em espécies monogâmicas (BOTTONI, 1993). Klint, Enquist (1981) e Bottoni et al. (1993) afirmam que machos pareados por livre escolha possuem maior concentração de testosterona no plasma do que aqueles que foram forçados a parear e apresentam maiores taxas de defesa do ninho, já fêmeas que escolheram livremente seus parceiros tendem a realizar a primeira postura anos antes em relação as fêmeas que foram forçadas a parear, além de apresentarem maiores taxas de ovos fertilizado, de dispensarem mais tempo no ninho e de possuem maior taxa de postura do que fêmeas forçadas a um pareamento. A falta de sucesso reprodutivo sem causa aparente muitas vezes é consequência da incompatibilidade comportamental entre pares (BALTZ, 1998; FOX; MILLIAN, 2014), onde o pareamento forçado causa repressão na atividade reprodutiva dos indivíduos envolvidos (LUPO et al, 1990; BOTTONI et al, 1993, STONE et al, 1999) e ocasiona modificações das características fisiológicas e comportamentais relativas à reprodução, sendo extremamente importante o desenvolvimento de estratégias que sejam capazes de estimular respostas etológicas adequadas para indivíduos que possam futuramente integrar programas de reintrodução ou revigoramento (GAUDIOSO et al., 2002). A espécie Anodorhynchus leari encontra-se em perigo de extinção (BIRDLIFE INTERNATIONAL, 2013), com notória escassez de conhecimento sobre questões comportamentais e baixa taxa de casais reprodutivos em cativeiro (CORNEJO, 2015). A utilização do flocking como nova estratégia reprodutiva proposta pela FPZSP e aprovada pelo Programa de Cativeiro da arara-azul-de-lear/ICMBio permite a formação de novos casais baseada em análises comportamentais relacionadas às interações entre os indivíduos que possuem a possibilidade de livre escolha de parceiro sexual. Assim, o presente trabalho teve como objetivo acompanhar o primeiro flocking oficial realizado na história do programa de cativeiro da espécie, visando fornecer subsídios para o aprimoramento de estratégias de manejo ex-situ que possibilitem o aumento do sucesso reprodutivo de indivíduos mantidos em cativeiro.

2. MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo O trabalho foi realizado na sede da FPZSP, localizada na região sudoeste do município de São Paulo, e no Centro de Conservação da Fauna Silvestre do Estado de São Paulo (CECFau), localizado no município de Araçoiaba da Serra. A Fundação é membro do Programa de Cativeiro da arara-azul-de-lear e é durante o desenvolvimento do estudo era responsável pela manutenção de 17 espécimes, sendo eles 12 adultos, um juvenil e quatro filhotes. As aves são mantidas pela Fundação em áreas de acesso restrito descritas anteriormente (pg. 15-19). Coleta de dados Das doze aves adultas mantidas pela FPZSP, foram selecionadas seis fêmeas (STB 39, 57, 58, 59, 60 e 61), descritas previamente (pg. 19-21), para quantificação dos comportamentos afiliatiavos e reprodutivos (sócio-repodutivos) antes e durante a técnica flocking. A seleção das aves ocorreu através da avaliação do potencial reprodutivo desses espécimes, além de ter sido reforçada por questões judiciais que asseguravam a manutenção da maior parte dessas fêmeas pela Fundação, garantindo que estas não fossem transferidas para outras instituições ao longo do desenvolvimento da pesquisa. Após o detalhamento do repertório comportamental da espécie (Capítulo 1), foram selecionados 10 comportamentos relevantes ao estudo visando a sua quantificação, sendo eles comportamento sócio-afiliativos (alimentação conjunta, allopreening, chamar atenção, contato de bico, mutual allopreening) e reprodutivos (cortejo alimentar, pedido de cópula, copular, próximo ao ninho e dentro do ninho). A coleta dos dados ocorreu em duas fases com  aplicação da mesma metodologia para fins comparativos: uma fase prévia e uma durante o flocking. A planilha utilizada para a quantificação dos comportamentos pode ser consultada no Anexos II. A primeira etapa ocorreu na sede da FPZSP entre os dias 07/10/2014 e 04/02/2015. Os comportamentos das seis fêmeas selecionadas foram quantificados pela metodologia animal focal (ALTMANN, 1974) com registro instantâneo em intervalos de 30 segundos e duração de meia hora com três sessões diárias (às 8h, 13h e 16h) para cada indivíduo, totalizando 130 horas de observação. Também foi registrada a distância entre as aves (junto – até 30 cm; próximo – de 30 a 100 cm; longe – acima de 100 cm). Em agosto de 2015 foram transferidas oito aves mantidas pela FPZSP (STB 35 e 60, 38 e 39, 23 e 43, 61 e 58) para o CECFau e também três aves provenientes de outras instituições (STB 24, 37 e 175), totalizando 11 indivíduos disponíveis para o flocking (seis fêmeas e cinco machos). Foram mantidas separadas em pares (quando previamente pareadas) para adaptação aos novos recintos até a realização do flocking, que ocorreu no dia 29/09/2015. Em decorrência do sucesso reprodutivo alcançado pelo casal STB 47 e 59 antes das transferências, estes permaneceram na sede da Fundação. A fêmea STB 57 foi transferida posteriormente para Araçoiaba para participação de um possível segundo flocking, porém, por questões burocráticas e sanitárias o mesmo não ocorreu. Portanto, das fêmeas selecionadas para o estudo, quatro (STB 39, 58, 60, 61) foram transferidas e participaram do flocking, entretanto, uma precisou ser retirada logo no início do processo (STB 58), restando apenas três fêmeas para o desenvolvimento da segunda etapa. A segunda fase do estudo teve início no dia 17/11/2015 e se estendeu até 04/02/2016 com a aplicação da mesma metodologia desenvolvida na primeira fase, totalizando 94 horas. Todo o estudo comportamental foi realizado por um único observador. Durante o flocking, a movimentação de diversas araras simultaneamente dificultava a identificação individual, senso assim, marcações foram feitas nos espécimes (anilha de aço com fita colorida para identificação de instrumentais cirúrgicos (autoclavada), corte das retrizes, coloração do bico e das unhas, marcações de Kuraderm® nas asas ou cauda, além de marcas naturais quando presentes) com a finalidade de facilitar o reconhecimento individual (Anexo III). Em termos de durabilidade e visibilidade, as melhores marcações para este tipo de metodologia foram o corte das retrizes, as marcações naturais e a marcação com esmalte na parte central superior da maxila. As outras marcações mostraram-se pouco úteis e sem durabilidade. As marcas de Kuraderm® desaparecem com cerca de quatro dias, as anilhas tiveram suas fitas coloridas arrancadas e o esmalte nas unhas é pouco visível e tem baixa durabilidade. Análise de dados Para verificar a possibilidade de variação não aleatória nas frequências da aproximação entre as aves nas etapas pré-flocking e flocking foi utilizado o teste quiquadrado. Regressão de Poisson (modelo log-linear) foi aplicada para avaliação dos efeitos das variáveis independentes (flocking, indivíduo e período do dia) sobre a frequência dos comportamentos amostrados. Para análise específica da variação dos comportamentos reprodutivos (copular e pedir cópula) foi utilizado o teste Wilcoxon pareado. Os dados coletados durante a etapa pré-flocking para as aves que não participaram do flocking não foram utilizados nas análises. Todas as análises foram realizadas no software MYSTAT (SYSTAT Software, 2007) com intervalo de confiança a 95%. Para as análises estatísticas foram levados em consideração apenas os comportamentos com n > 10 em cada etapa. Vide Anexos IV e V para acesso aos dados. 

3. RESULTADOS 

A coleta dos dados resultou em um esforço amostral de 226 horas totais de observações. Em relação ao período pré-flocking, em 58% do tempo de amostragem não houve registro de comportamentos interativos, 36% do tempo foi dispendido no interior do ninho, 2% próximo a ele e em apenas 4% do tempo observou-se interações entre os pares (Figura 1a). Durante o flocking, o uso do paredão e área dos ninhos era feito apenas por um casal dominante, fazendo com que as outras aves deixassem de ocupar o interior e proximidades do ninho, o que ocasionou um acréscimo de 25% do tempo na permanência fora do ninho sem interação para as outras aves, porém observou-se um acréscimo de 2% no tempo investido em interações entre os pares (Figura 1b).


a) Flocking e frequência dos comportamentos sócio-reprodutivos As frequências dos comportamentos sócio-reprodutivos variaram de forma significativa em relação às etapas pré-flocking e flocking (χ 2 = 21553; g.l. = 9; p = 0,000; Loglinear), indicando a influência da técnica na alteração desses comportamentos. Esta diferença se deve ao aumento da frequência de comportamentos afiliativos como “alimentação conjunta”, “contato de bico”, “cortejo alimentar” e “mutual allopreening” observados durante o flocking (Figura 2), porém observou-se variação individual na resposta ao flocking (χ 2 = 21,35; g.l. = 2; p = 0,000; Log-linear), conforme a assimetria observada na dispersão dos dados (Figura 3).




Porém, em relação aos comportamentos reprodutivos “copular” e “pedir cópula” especificamente, não houve evidência de que a frequência tenha sido alterada pelo flocking (p = 0,42 e p = 0, 78, respectivamente; Wilcoxon), apesar do aumento significativo dos comportamentos afiliativos. Observou-se uma inversão de proporção de cópulas totais em relação aos meses, com um decréscimo das cópulas de novembro a fevereiro no período préflocking e o oposto para o período do flocking (Figura 4).


Analisando individualmente a variação dos comportamentos, foi observada a redução da frequência de cópulas e pedidos de cópula pela fêmea STB 39, porém com aumento dos comportamentos sociais (Figura 5a). Foi observado acréscimo no número de cópulas e de comportamentos sociais para a fêmea 60 (Figura 5b) e redução comportamentos sócioreprodutivos como “alimentação conjunta”, “pedido de cópula” e “cópula” para a fêmea 61, entretanto, comportamentos como “contato de bico”, “allopreening” e “cortejo alimentar” passaram a ser mais frequentes (Figura 5c).
 


b) Flocking e grau de aproximação entre pares O flocking exerceu influência significativa no tipo de aproximação entre os pares (χ 2 = 1295; g.l.: 2, p = 0,000; Qui-quadrado), sendo que as fêmeas apresentaram respostas divergentes (Figura 6). Apesar do aumento da frequência dos comportamentos sócioreprodutivos observados anteriormente, houve uma redução de 12% na permanência da fêmea STB 39 junto ao seu parceiro em relação ao observado para o período pré-flocking (Figura 6a), pois durante o flocking o macho passou mais tempo na região do ninho do que dentro dele junto a ela (Figura 7a) (como foi observado no período pré-flocking), o que ocasionou uma queda na aproximação da categoria de maior aproximação (junto). Entretanto, observa-se que a frequência do tempo permanecido junto ao macho em momentos que não envolviam interação (maior parte do tempo amostrado) teve um aumento de aproximadamente 30% em relação ao período pré-flocking (Figura 7b). O mesmo valor da redução da aproximação junto ao macho foi observado no aumento da permanência próximo a ele. Não houve diferença quanto à frequência do tempo permanecido longe do parceiro. Para a fêmea STB 60 foi observado um acréscimo de 30% do tempo junto ao macho durante o flocking em relação ao período pré-flocking, com decréscimo tanto na categoria “próximo”, quanto na categoria “longe” (Figura 6b). Para a fêmea STB 61 foi observado uma redução de 33% da proximidade junto ao parceiro com o dobro de tempo longe em relação ao período pre-flocking, já que esta fêmea teve sua parceira retirada do flocking antes do período de coleta de dados, se aproximando lentamente de um macho proveniente de outra instituição (Figura 6c).
DISCUSSÃO
A assimetria na frequência dos comportamentos é esperada, já que mesmo estando submetidas às mesmas condições de manejo, as fêmeas recebem e oferecem estímulos distintos em relação a cada parceiro, dependendo do tipo de afiliação existente previamente. A determinação de um par como um casal envolve uma variedade de critérios, existindo, portanto, diversas definições. Trillmich (1976) considera um casal um par de aves que copula ou tenta copular, com o macho dando assistência à fêmea no ninho. Cox, Goldsmith e Engelhardt (1993) considera um casal quando a cópula resulta na postura de pelo menos um ovo. Yamamoto (1989) considera que o que define um casal é a ocupação conjunta de um ninho. Com base nesses critérios, das três fêmeas analisadas para o projeto, tanto a fêmea STB 39 com o macho STB 38, quanto a fêmea STB 61 com a fêmea SBT 57 constituíram casais, não sendo o mesmo observado para a fêmea STB 60 pareada com o macho STB 35,pois apesar dos poucos eventos de cópula observados, a fêmea não explorava o ninho e o macho não fornecia assistência a ela. Todas essas configurações já eram observadas durante o período pré-flocking. Um casal tende a ser composto por um macho e uma fêmea, mas a formação de casais do mesmo sexo é relatada tanto em cativeiro quanto em vida livre (SEIBERT; CROWELL-DAVIS, 2001), e para um manejo efetivo em cativeiro, pares formados pelo mesmo sexo também devem ser considerados casais na tomada de decisões para subsidiar as estratégias de reprodução. Aves pareadas que passam longo período da vida juntas tendem a manter o vínculo mesmo na ausência de contato físico com o parceiro. Estudos demonstram que aves que foram separadas e mantiveram contato sonoro permaneceram durante seis meses preferindo o parceiro anterior a possíveis novos parceiros do mesmo grupo (STONE, 1999), o que foi também observado para o flocking. Após a retirada da fêmea STB 58, a fêmea STB 61 continuou manifestando interesse pela parceira até que esta fosse transferida novamente para a sede da FPZSP. Poucos dias depois, a fêmea STB 61 passou a desenvolver comportamentos afiliativos com o macho 175. A alta porcentagem de tempo registrada sem interações sociais ou reprodutivas está diretamente relacionada com a biologia da espécie. Em vida livre, essas aves passam 81% do tempo envolvidas em atividades de forrageamento ou descanso e apenas 5% em atividades sociais (BRANDT; MACHADO, 1990). Todas as aves previamente pareadas na sede da Fundação mantiveram seu pareamento durante o flocking, mesmo os pares que não foram considerados um casal. Isso pode ser explicado por questões de vantagens do pareamento. O flocking se mostrou uma técnica efetiva no estímulo de comportamentos afiliativos. O aumento da frequência desses comportamentos pode ser um reflexo da competição estimulada pelo flocking. A arara-azulde-lear é uma espécie altamente gregária, o que confere ao bando diversas vantagens, porém, em cativeiro a formação de bandos não é viável por limitação espacial, sendo uma das formas mais simples de gregarismo a formação de pares (SEIBERT; CROWELL-DAVIS, 2001). Quando indivíduos da mesma espécie compartilham um espaço limitado, há um aumento na competição direta por recursos, sendo que a formação e manutenção de pares representam uma vantagem no sentido adaptativo (WEST-EBERHARD, 1979). Pares dão assistência um ao outro em encontros agonísticos, assim como também inibem outras aves de atacarem seus parceiros, além de se apoiarem na competição por alimento e território (SCOTT, 1980). 84 A proximidade entre um par varia de acordo com a densidade do grupo, sendo observada maior aproximação quanto maior a densidade, permitindo assistência imediata em situações de ameaça (SCOTT, 1980), conforme o aumento da aproximação observado para a fêmea STB 60. Porém, o oposto foi registrado para as fêmeas STB 39 e STB 61. A queda da frequência de permanência do macho junto à fêmea STB 39 é justificada pela sua menor frequência na permanência dentro do ninho com a fêmea e maior frequência próximo e longe dela, porém sempre na região do ninho (paredão ou poleiro mais próximo). A possível ameaça oferecida pela presença de indivíduos que antes do flocking não tinham acesso à área ocupada pelo casal pode justificar este fato, já que previamente cada par ocupava um recinto exclusivo. A constante presença humana durante o flocking também pode ser um fator que influenciou na queda da frequência observada, pois quatro diferentes tratadores revessavam semanalmente na permanência diária no recinto para impedir possíveis brigas, sendo constante também a visita de técnicos e funcionários de manutenção. Neste sentido de defesa territorial, os machos tendem a ser mais agressivos que as fêmeas (SEIBERT; CROWELL-DAVIS, 2001), cabendo a eles a defesa e proteção do ninho, enquanto à fêmea cabe a responsabilidade da postura dos ovos e o maior investimento na manutenção dos filhotes (KOKKO; JENNIONS, 2012), justificando a maior permanência do macho na área externa do ninho. Porém, a permanência do macho no ninho no período de corte estimula comportamentos reprodutivos da fêmea (YAMAMOTO, 1989), sendo indicado, portanto, a redução de fatores que possam estimular o macho a permanecer fora do ninho como necessidade de defesa territorial. A inspeção do ninho para futura postura é iniciada pelo macho, sendo mais frequente em machos cuja fêmea realizou postura previamente (YAMAMOTO, 1989). Isto pode justificar o uso dos ninhos exclusivamente pelo casal STB 39 e STB 38, cuja fêmea já havia realizado posturas diversas vezes, porém as primeiras aves a explorarem os ninhos nos paredões foram o casal de fêmeas STB 61 e STB 58, sendo que esta última também já havia realizado posturas previamente. Depois da retirada da fêmea STB 58 do flocking, a ave STB 61 deixou de frequentar os ninhos, sendo então utilizados exclusivamente pelo casal STB 39 e STB 38, chegando à postura de oito ovos não férteis. A constante inspeção pelos técnicos e tratadores no ninho escolhido por esse casal resultou no início da exploração de outros ninhos, o que pode ter ocasionado a morte do macho STB 35, já que este macho costumava permanecer na área onde o casal passou a demonstrar interesse, sendo este macho atacado pelo casal, vindo a óbito em decorrência da gravidade das lesões e sua condição física já precária. 85 A variação da frequência dos comportamentos ao longo do dia também foi observada em vida livre. Assim como no presente estudo, Amaral et al. (2005) observou maior frequência de comportamentos relacionados a manutenção no período da manhã. Brandt e Machado (1990) observaram que o período da tarde é mais propício ao desenvolvimento de comportamentos sociais e afiliativos, em especial ao entardecer, quando os indivíduos se reúnem para retornar para os dormitórios.
 Considerações sobre os pares
 
As aves STB 47 e 59 foram mantidas pareadas pela Fundação durante mais de 10 anos e apenas em 2015 alcançaram sucesso reprodutivo com o nascimento do primeiro filhote, estando os pais com aproximadamente 10 e 14 anos de idade, respectivamente, não sendo então transferidos para participação no flocking. Este casal teve o sucesso reprodutivo alcançado sem que nenhuma alteração estrutural ou de manejo fosse feita, sendo que as aves demonstravam sinais claros de pareamento (constante aproximação, comportamentos afiliativos, permanência no interior do ninho e cópulas perfeitamente executadas), além de não apresentarem comportamentos agressivos em relação ao parceiro. Hoje, são pais de oito filhotes, sendo os outros sete nascidos no primeiro semestre deste ano. O casal STB 35 e 60 convivia bem na sede da FPZSP, desenvolvendo alguns comportamentos afiliativos, em especial de manutenção (allopreening e mutual allopreening). Permaneceram juntos por indicação do studbook em decorrência da boa variabilidade genética, porém não frequentavam o ninho e raramente tentavam copular. Alguns pares podem apresentar sociabilidade sem que sejam sexualmente compatíveis (BALTZ, 1998). Apesar de a fêmea possuir excelentes condições para reprodução (ovários desenvolvidos), o macho possuía testículos pouco desenvolvidos, condições físicas comprometidas (um olho cego e problemas pulmonares) e enfrentou algumas dificuldades durante o processo de estabilidade de dominância que ocorre naturalmente durante o flocking em decorrência disso. O casal STB 38 e 39, apesar das cópulas constantes, da ocupação do ninho e da postura de ovos (inférteis), apresentava idade avançada para reprodução (ambos com 19 anos) e alto índice de comportamentos agonísticos, como bicadas e afastamentos, podendo ser considerado um casal mais agressivo. A falta de sucesso reprodutivo pode estar relacionada a uma idade avançada, além do fato do macho não apresentar um desenvolvimento satisfatório do comportamento de cópula, tendo visível dificuldade em articular a cauda para cima,impedindo o acesso à cloaca da fêmea. Nenhuma lesão foi constatada até hoje, podendo ser a dificuldade uma disfunção puramente comportamental. As fêmeas STB 58 e 61 possuem boas condições reprodutivas segundo seus exames clínicos (ambas com 15 anos e ovários desenvolvidos). Após separação, a fêmea STB 61 demonstrou afinidade pelo macho STB 17. As constantes perturbações durante o início da aproximação entre o casal resultavam em afastamentos temporários com redução dos comportamentos afiliativos, porém sempre voltavam a se aproximar, indicando uma possibilidade viável de pareamento, desde que sejam mantidos sem contato com a antiga parceira da fêmea. As últimas informações recebidas, pós coleta de dados, relatam que esse casal se alimenta junto e permanece próximo boa parte do tempo (Angélica Sugieda, com. pess.). A fêmea STB 57 não participou do flocking por problemas sanitários e burocráticos que impediram a participação de indivíduos de outras instituições no período de realização deste estudo. Essa fêmea não demonstrou comportamentos reprodutivos enquanto na sede da Fundação, onde ocupava um recinto em conjunto com outra fêmea (não participante do projeto). Possui excelentes condições para reprodução segundo seus exames clínicos (13 anos e ovários bons), sendo imprescindível sua participação em um possível novo flocking. Desde o início do programa de cativeiro, a formação de pares reprodutivos tem sido baixa, com apenas oito casais produzindo descendentes de 1984 a 2015 (CORNEJO, 2015). Pares não reprodutivos são mantidos pareados por longos anos esperando que um dia reproduzam. Isto pode de fato ocorrer, como observado para o casal reprodutivo mantido pela FPZSP, porém não é o que se observa com frequência. Uma avaliação mais criteriosa das condições clínicas, da idade e da sociabilidade entre os pares associada a uma avaliação genética dos possíveis participantes da técnica podem contribuir com a formação de casais compatíveis e adequados geneticamente.

Conclusões:
A técnica flocking favoreceu a aproximação e os comportamentos afiliativos entre os pares, especialmente no período da tarde, no qual é indicado evitar perturbações em cativeiro. O flocking se mostrou também uma alternativa potencial na afiliação entre aves desconhecidas. O tipo de resultado alçado com a utilização desta técnica estará de acordo com o nível de relação social que as aves participantes tiveram previamente entre si. 87 Se o objetivo do manejo for a formação de novos casais (repareamento), é importante que aves previamente alocadas no mesmo recinto por muito tempo sejam separadas na participação do flocking, que deve ser realizado com indivíduos que não se conheceram previamente ou que não mantiveram contato prolongado, e neste caso, o acompanhamento científico poderá colaborar com a melhor compreensão dos critérios de seleção sexual da espécie. Porém, casais pareados previamente podem participar do processo caso o objetivo seja apenas estimular os comportamentos sócio-afiliativos das aves. É reconhecido o aumento da territorialidade e agressividade durante o período reprodutivo e em adição a isso, sabe-se que o estabelecimento dos casais ocorre antes do período reprodutivo na maioria das aves, sendo, portanto, indicado a realização desta técnica fora do período reprodutivo, com separação dos casais após constatação de compatibilidade para que possam ter livre acesso aos ninhos. O presente trabalho acompanhou o primeiro flocking oficial na história do programa de cativeiro de Anodorhynchus leari. Articular a comunicação e colaboração entre os membros é o papel fundamental dos Programas de Cativeiro estabelecidos pela Instrução normativa ICMBio n˚ 22, criando condições favoráveis para produção e compartilhamento de novos conhecimentos quanto às necessidades reprodutivas das espécies, visando assim, por uma alternativa viável em termos financeiros e estruturais, atingir os objetivos propostos. É indispensável o estabelecimento de um protocolo que padronize as observações comportamentais e que estabeleça critérios relativos ao melhor manejo e a escolha de indivíduos aptos a participarem desse tipo de projeto. As informações apresentadas neste estudo poderão servir de subsídios para o aprimoramento dos protocolos utilizados pelos centros de reprodução de instituições mantenedoras de psitacídeos ameaçados e este estudo traz algumas reflexões como um ponto de partida para que novas abordagens possam ser planejadas para as futuras realizações da técnica, que também devem ser acompanhadas cientificamente para que a produção e divulgação de informações sobre as relações sociais e preferências sexuais colaborem com melhor compreensão dos aspectos reprodutivos da espécie em cativeiro.