Documentos obtidos pela Mongabay revelam que o Vantara, o polêmico zoológico privado na Índia administrado pelo bilionário Anant Ambani, iniciou negociações com o governo brasileiro para firmar uma “parceria estratégica de conservação” voltada para as espécies ameaçadas do Brasil.
O zoológico também propôs uma parceria de conservação para a ararinha-azul, espécie endêmica do Brasil e extinta na natureza; 26 dessas aves foram enviadas da Alemanha para o Vantara em 2023 sem o consentimento do governo brasileiro.
Representantes do Vantara se reuniram com membros do ICMBio e dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores em 2025 para discutir essa parceria. Uma delegação brasileira planejava visitar o zoológico indiano em 2026, mas a viagem foi cancelada na última hora.
Conservacionistas defendem que haja transparência quanto a qualquer acordo firmado com o zoológico, que é alvo de investigações no Brasil e no exterior pela suposta ligação com o tráfico de animais silvestres.
domingo, 11 de outubro de 2026
Zoo indiano e governo brasileiro negociam “parceria estratégica” para espécies ameaçadas
Criei esse Blog em 2013 com apenas 10 anos de idade! e ate hoje (atualmente com 23) eu mantenho ele ativo! também Sou formada em Auxiliar Veterinaria e Faço Medicina Veterinaria na Faculdade Anclivepa!!! o intuito deste blog é ajudar as Araras Azuis que estão em risco de extinção!!
Os riscos da humanização de psitacídeos
Olá Araras Azuis!!
Você sabia que a humanização de psitacídeos pode trazer consequências negativas para a saúde física e comportamental dessas aves? Araras, papagaios, cacatuas e periquitos são animais extremamente inteligentes, sociáveis e capazes de desenvolver vínculos afetivos. Entretanto, essas características não significam que devemos tratá-los como seres humanos ou ignorar suas necessidades naturais.
A humanização acontece quando atribuímos às aves comportamentos, sentimentos e necessidades exclusivamente humanos, interpretando suas atitudes apenas pela nossa perspectiva. Isso pode levar a práticas inadequadas, como impedir que expressem seus comportamentos naturais, estimular uma dependência excessiva dos tutores ou desconsiderar a importância das interações sociais próprias da espécie.
Um dos principais riscos é o desenvolvimento de problemas comportamentais. Psitacídeos que vivem em ambientes pouco estimulantes, sem oportunidades adequadas de exploração, forrageamento, voo quando possível e interação social, podem apresentar estresse, vocalizações excessivas e comportamentos repetitivos. Em algumas situações, também podem desenvolver arrancamento de penas, embora esse comportamento tenha diferentes causas e precise de avaliação veterinária.
Outro problema é a interpretação equivocada de suas necessidades. Uma ave que procura constantemente a atenção humana não necessariamente está demonstrando apenas carinho: seu comportamento também pode estar relacionado ao ambiente, à rotina, à aprendizagem e à falta de estímulos. Da mesma forma, interpretar determinados comportamentos como ciúmes ou birra pode levar o tutor a adotar medidas inadequadas, em vez de investigar o que o animal realmente precisa.
A humanização também pode prejudicar a socialização. Quando uma ave é estimulada a depender exclusivamente de uma pessoa, pode apresentar dificuldades para lidar com mudanças na rotina, com a ausência do tutor ou com outras pessoas e aves. Além disso, o manejo inadequado, a alimentação imprópria e a falta de acompanhamento veterinário podem comprometer sua saúde e qualidade de vida.
É importante lembrar que amar uma ave não significa tratá-la como uma pessoa, mas compreender e respeitar suas necessidades como animal. Os psitacídeos precisam de alimentação equilibrada, ambiente seguro, enriquecimento ambiental, estímulos cognitivos, oportunidades de expressar comportamentos naturais e acompanhamento de um médico-veterinário especializado em animais silvestres e exóticos.
Isso não significa que devemos evitar vínculos afetivos com nossas aves. Pelo contrário! É perfeitamente possível construir uma relação de confiança, carinho e respeito sem desconsiderar sua natureza. O problema não está em amar, conversar ou interagir com elas, mas em colocar nossas expectativas humanas acima de suas necessidades biológicas e comportamentais.
A educação ambiental e a conscientização são fundamentais para combater práticas inadequadas de criação e promover o bem-estar desses animais. Quanto mais conhecemos a biologia e o comportamento dos psitacídeos, mais preparados estamos para oferecer cuidados responsáveis.
Respeitar a natureza de uma ave também é uma forma de demonstrar amor.
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Um mês inativa, desculpa! A culpa foi dos estudos.
Peço desculpas por ter ficado um mês inteiro inativa e sem publicar nenhuma postagem por aqui! Estive bastante ocupada com os estudos da faculdade de Biologia, cheia de provas e trabalhos acadêmicos, além de estar procurando emprego na área de Auxiliar de Veterinária. Com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, acabei ficando sem tempo para me dedicar ao blog como gostaria.
Mas não se preocupem, pois estou de volta! Quero aproveitar este mês para compensar todo esse tempo sem publicações e trazer muitos conteúdos novos sobre as nossas queridas araras-azuis, sua conservação, biodiversidade e curiosidades.
Muito obrigada a todos que continuam acompanhando o blog e apoiando este pequeno projeto que existe há tantos anos! Espero que gostem das próximas postagens. Preparem-se, porque teremos bastante conteúdo por aqui neste mês!
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domingo, 16 de agosto de 2026
MS tem maior contagem de araras-azuis no Brasil
Olá Araras Azuis!!! hoje trago excelentes notícias!!
Mato Grosso do Sul foi o estado brasileiro com o maior número de araras-azuis registradas durante a primeira edição do Big Day das Araras-Azuis, em 2025. Ao todo, 409 aves foram contabilizadas no estado, que liderou a mobilização nacional de observação da espécie.
Agora, o Instituto Arara Azul prepara uma nova edição da campanha, que acontece nos dias 1º e 2 de agosto e pretende ampliar a participação da população.
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Novidades no Tik Tok do Blog
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terça-feira, 4 de agosto de 2026
Filhotes de arara eazul de lear nascem na Bélgica; veja
Olá, Araras Azuis!!
Hoje trago excelentes notícias! Estou muito animada com elas e mal posso esperar para compartilhar tudo com vocês. Espero que fiquem tão felizes quanto eu com essa novidade!
Dois filhotes de arara-azul-de-lear, uma espécie ameaçada de extinção encontrada na natureza apenas no Nordeste do Brasil, nasceram no início de julho no zoológico Pairi Daiza, na Bélgica.
O parque anunciou o nascimento na quarta-feira (29) e afirmou que, com o feito, se tornou o único centro público de conservação do mundo a reproduzir com sucesso as três espécies de araras-azuis.
Os filhotes nasceram nos dias 1º e 3 de julho e são os primeiros descendentes de um casal cuja primeira tentativa de reprodução, realizada no ano passado, não teve sucesso.
De acordo com o zoológico, o nascimento foi resultado de mudanças feitas no programa de reprodução da espécie. As adaptações buscaram recriar, dentro do parque, as condições do ambiente natural onde vivem as araras-de-lear.
Atualmente com cerca de três semanas de vida, os filhotes estão sendo alimentados manualmente e recebem acompanhamento constante da equipe veterinária. Os animais foram aquecidos em cobertores, pesados e alimentados durante os primeiros cuidados.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
A triste maneira como a sociedade antiga enxergava as Araras no passado
Hoje vim falar sobre uma realidade triste do passado, mas que, felizmente, vem mudando ao longo dos anos.
Aqui está um texto curto:
Durante muito tempo, a sociedade enxergou aves silvestres, como as araras, apenas como animais de estimação exóticos, atrações de circo ou objetos de entretenimento. Essa visão contribuiu para o aumento do tráfico de animais silvestres, já que a captura de filhotes na natureza era incentivada pela alta demanda. Além do sofrimento causado pelo transporte e pelo confinamento, muitas aves desenvolviam estresse crônico, alterações comportamentais e, em muitos casos, morriam antes mesmo de chegar ao destino. A retirada desses animais de seus habitats também causou sérios impactos à biodiversidade, reduzindo populações naturais e comprometendo funções ecológicas importantes, como a dispersão de sementes. Felizmente, a conscientização sobre a importância da conservação das espécies vem crescendo, reforçando que as araras pertencem à natureza e desempenham um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas.
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domingo, 2 de agosto de 2026
A Nova Biblioteca do Blog
Olá, Araras Azuis!!!
Lembram daquele drive que eu tinha montado? Infelizmente, alguns arquivos foram corrompidos, e muitas pessoas reclamavam que não conseguiam abrir os EPUBs e outros formatos.
Por isso, desta vez estou montando um novo drive com artigos, livros e pesquisas sobre araras, todos em PDF. Assim, ele será muito mais acessível para todos, além de os arquivos estarem organizados e separados entre materiais em português e em inglês.
Espero que essa nova versão seja muito mais útil e prática para todo mundo!
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sábado, 1 de agosto de 2026
Comportomaneto reprodutivo e monogâmico da Arara Azul
Olá, Araras Azuis!!!!
Hoje eu trouxe um artigo sobre o comportamento reprodutivo e monogâmico da arara-azul. Espero que vocês gostem da leitura e aprendam um pouco mais sobre essa espécie tão incrível e fascinante!!!!
A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) é uma das aves mais emblemáticas da fauna brasileira, reconhecida por sua plumagem azul intensa, grande porte e elevada inteligência. Além de sua importância ecológica como dispersora de sementes, essa espécie desperta interesse científico devido ao seu complexo comportamento social e reprodutivo. Um dos aspectos mais marcantes de sua biologia é a formação de casais estáveis, característica frequentemente associada à monogamia. No entanto, a monogamia observada nas araras-azuis deve ser compreendida como uma estratégia comportamental que favorece o sucesso reprodutivo e a sobrevivência da prole, sendo resultado de milhões de anos de adaptação evolutiva.
As araras-azuis atingem a maturidade sexual por volta dos seis aos oito anos de idade. Antes da reprodução, os indivíduos passam por um longo período de interação social até estabelecerem um vínculo com um parceiro. A escolha do casal é acompanhada por diversos comportamentos de aproximação, como vocalizações frequentes, limpeza mútua das penas, troca de alimento e voos sincronizados. Essas interações fortalecem o vínculo entre macho e fêmea, aumentando a cooperação durante a reprodução e a criação dos filhotes.
A espécie apresenta monogamia social, ou seja, macho e fêmea permanecem juntos durante várias temporadas reprodutivas e, frequentemente, por muitos anos. Embora seja comum afirmar que as araras-azuis escolhem um parceiro para toda a vida, essa afirmação não significa que o indivíduo jamais formará outro casal. Caso um dos parceiros morra ou desapareça, o sobrevivente pode estabelecer um novo vínculo reprodutivo. Dessa forma, a monogamia representa uma estratégia adaptativa baseada na cooperação entre os indivíduos e não uma impossibilidade biológica de formar novos pares.
Durante o período reprodutivo, os comportamentos de corte tornam-se mais intensos. O casal permanece constantemente próximo, realiza demonstrações de afeto por meio da limpeza das penas e da alimentação compartilhada, além de emitir vocalizações específicas que reforçam a comunicação entre os parceiros. Após esse período ocorre a cópula, geralmente repetida diversas vezes durante a estação reprodutiva para aumentar as chances de fecundação.
A reprodução depende diretamente da disponibilidade de locais adequados para nidificação. No Pantanal, principal área de ocorrência da espécie, as araras-azuis utilizam principalmente cavidades naturais presentes em árvores de manduvi (Sterculia apetala). Como essas cavidades levam décadas para se formar, a escassez de árvores antigas representa um dos principais fatores limitantes para a reprodução da espécie. Os casais costumam reutilizar o mesmo ninho durante vários anos, realizando apenas pequenas adaptações antes do início de uma nova estação reprodutiva.
A fêmea normalmente coloca um ou dois ovos, embora eventualmente possa ocorrer a postura de um terceiro ovo. A incubação dura aproximadamente trinta dias e é realizada quase exclusivamente pela fêmea, enquanto o macho permanece responsável pela obtenção de alimento e pela defesa do território ao redor do ninho. Essa divisão de tarefas demonstra a elevada cooperação existente entre os parceiros e constitui uma das principais vantagens da monogamia social observada na espécie.
Após a eclosão, os filhotes permanecem totalmente dependentes dos pais durante vários meses. Ambos os adultos participam da alimentação da prole, embora o macho costume dedicar maior parte do tempo à busca de alimento, enquanto a fêmea permanece protegendo o ninho e aquecendo os filhotes durante as primeiras semanas de vida. Em muitas ocasiões apenas um filhote sobrevive até a fase de independência, consequência da competição entre irmãos e da limitação dos recursos alimentares disponíveis. Esse fenômeno, apesar de parecer desfavorável, representa uma adaptação natural que aumenta as chances de sobrevivência do filhote mais desenvolvido quando o alimento é insuficiente para todos.
Mesmo após deixarem o ninho, os jovens continuam acompanhando os pais por vários meses. Durante esse período aprendem técnicas de alimentação, reconhecimento de predadores, escolha de áreas de descanso e formas de interação social com outros indivíduos da espécie. Esse longo período de aprendizagem evidencia a importância da participação conjunta do casal no desenvolvimento da prole, reforçando a necessidade de manutenção do vínculo entre os parceiros.
O comportamento monogâmico proporciona diversas vantagens ecológicas. A cooperação entre macho e fêmea aumenta o sucesso reprodutivo, melhora a proteção contra predadores, reduz conflitos durante a criação dos filhotes e favorece a sobrevivência dos jovens até a independência. Casais experientes também tendem a apresentar maior eficiência na utilização dos ninhos e na criação da prole quando comparados a casais recém-formados, demonstrando que a estabilidade do vínculo pode contribuir para o aumento do sucesso reprodutivo ao longo dos anos.
Apesar dessas adaptações, a reprodução da arara-azul enfrenta inúmeras ameaças decorrentes das atividades humanas. A destruição do habitat, a remoção de árvores antigas utilizadas para nidificação, os incêndios florestais, as mudanças climáticas e o tráfico ilegal de animais silvestres reduzem significativamente as oportunidades de reprodução da espécie. A perda de árvores com cavidades naturais limita diretamente a formação de novos casais reprodutivos e compromete a manutenção das populações naturais.
Nas últimas décadas, diversos programas de conservação têm contribuído para a recuperação das populações de arara-azul em algumas regiões do Brasil. Entre as principais ações estão a instalação de ninhos artificiais, o monitoramento de casais reprodutores, a proteção das áreas de ocorrência e o desenvolvimento de projetos de educação ambiental voltados às comunidades locais. Essas iniciativas demonstram que a conservação do habitat é indispensável para garantir o sucesso reprodutivo da espécie e assegurar sua permanência nos ecossistemas brasileiros.
Conclui-se que o comportamento reprodutivo da arara-azul está intimamente relacionado à sua estratégia de monogamia social e ao elevado investimento parental realizado por ambos os indivíduos do casal. A cooperação entre macho e fêmea, a utilização de ninhos por vários anos e o longo período de cuidado com os filhotes representam adaptações fundamentais para o sucesso da espécie. Dessa forma, compreender esses aspectos comportamentais é essencial para orientar ações de conservação, contribuindo para a preservação de uma das aves mais importantes e simbólicas da biodiversidade brasileira.
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domingo, 26 de julho de 2026
Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo
Olá, araras azuis!!!
Hoje eu trago notícias revoltantes, que me deixaram com muita, mas muita raiva. Confesso que fiquei completamente indignada quando soube do que aconteceu, e acho importante compartilhar isso com vocês.
Animais silvestres e aves exóticas, incluindo uma arara-azul — espécie ameaçada de extinção —, uma arara-canindé, uma coruja suindara, cacatuas, papagaios e jabutis, além de felinos mantidos em caixas, foram resgatados pela Polícia Federal durante uma operação contra o tráfico de animais realizada na manhã desta quarta-feira (15), em Várzea das Moças, na Região Oceânica de Niterói. Um homem foi preso em flagrante por manter animais silvestres em cativeiro e por maus-tratos.
Batizada de Operação Bicho Solto, a ação foi realizada por agentes do Grupo de Repressão a Crimes Ambientais da Delegacia da Polícia Federal em Niterói, com apoio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado.
No imóvel, foram encontrados animais da fauna silvestre e aves exóticas mantidos em cativeiro, alguns em situação de maus-tratos. Entre as espécies identificadas estavam coruja suindara, cacatua galah, cacatua galerita, papagaio-verdadeiro, jandaia, marianinha, ring neck, arara-canindé, arara-azul e jabutis.
Além dos animais, os agentes apreenderam documentos com indícios de fraude, dinheiro e mídias que serão analisadas no decorrer da investigação.
Segundo a Polícia Federal, o investigado já havia sido alvo de apurações por suspeita de chefiar uma quadrilha interestadual especializada no tráfico de aves raras. Os animais seriam capturados em diferentes estados do país, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
— A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação de combate ao tráfico de animais silvestres. No local, foram encontradas diversas espécies da fauna brasileira, algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul, além de espécies exóticas, todas mantidas em situação irregular. Alguns animais também estavam em situação de maus-tratos. Eles estão sendo recolhidos e encaminhados para um local apropriado, enquanto o responsável pelo imóvel foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Niterói e autuado em flagrante — afirmou o delegado federal Fernando César, responsável pela investigação.
Após a prisão, o suspeito foi levado para a Delegacia da Polícia Federal em Niterói, onde foi autuado em flagrante. Em seguida, será encaminhado ao sistema prisional do estado e ficará à disposição da Justiça.
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sábado, 25 de julho de 2026
Video: Em extinção Arara Azul de Lear Procria em centro de conservação
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sexta-feira, 24 de julho de 2026
Bahia participa da maior contagem simultânea de araras-azuis do mundo; veja como colaborar
Olá, araras azuis!!!
Hoje eu trago boas notícias! Espero que vocês gostem e fiquem tão felizes quanto eu ao saber delas. Espero também que essas novidades alegrem o dia de vocês. Vamos conferir?
Nos próximos dias 1º e 2 de agosto, o Instituto Arara Azul promove a segunda edição do chamado Big Day das Araras-Azuis. Trata-se de uma mobilização internacional de ciência cidadã voltada para o registro da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) em áreas de ocorrência da espécie no Brasil, Bolívia e Paraguai. A iniciativa é considerada a maior contagem simultânea de araras-azuis realizada na natureza.Inspirado no Global Big Day, tradicional evento mundial de observação de aves que reúne milhares de participantes para registrar espécies em campo, o Big Day das Araras-Azuis busca mapear a presença da arara-azul-grande, símbolo da biodiversidade brasileira. A espécie é monitorada pelo Instituto Arara Azul há mais de 30 anos e ainda enfrenta ameaças à sua conservação. primeira edição do Big Day das Araras-Azuis foi realizada em 2025 e trouxe resultados considerados expressivos pelos pesquisadores. Segundo a médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, os números demonstram o potencial da mobilização.
“No Brasil, Mato Grosso do Sul liderou a contagem, com 409 araras-azuis registradas e uma grande mobilização de observadores em diferentes municípios. O Pará também teve uma participação muito expressiva, com 335 indivíduos registrados e forte envolvimento da comunidade local”, explica.
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quinta-feira, 23 de julho de 2026
Comportamento em grupo da Ararinha Azul
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domingo, 28 de junho de 2026
Arara-Azul-Grande volta para lista nacional de espécies ameaçadas de extinção
Olá, Araras Azuis!!
Hoje eu trago péssimas notícias. Fiquei muito mal e devastada ao ler tudo o que aconteceu. Meu coração ficou apertado, e confesso que foi muito difícil receber essas informações hoje.
O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) colocou, pela segunda vez, a arara-azul-grande na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (18).
A nova lista reúne 789 espécies ameaçadas e nove extintas entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. De acordo com o MMA, a versão substitui a lista anterior, de 2022, e contempla os resultados das avaliações conduzidas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
As araras-azuis, especificamente, voltaram a integrar a relação após 12 anos. A espécie foi colocada pela primeira vez na década de 1980, onde, segundo o Instituto Arara-azul, mais de 10 mil aves foram retiradas da natureza em decorrência ao tráfico e a caça.
Espécies ameaçadas
Segundo o MMA, entre as espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como Criticamente em Perigo (CR), das quais 25 são consideradas Possivelmente Extintas (CR-PE). Enquanto outras 285 encontram-se na categoria Em Perigo (EN) e 336 são classificadas como Vulneráveis (VU).
Apenas a espécie mutum-do-nordeste (Pauxi mitu) permanece na categoria Extinta na Natureza (EW), com exemplares mantidos apenas em cativeiro.
Já os invertebrados terrestres representam o maior grupo da lista de ameaçados de extinção, com 264 espécies ou subespécies. Na sequência aparecem as aves, com 242 registros, os répteis, com 123, os mamíferos, com 102, e os anfíbios, com 59 espécies ou subespécies.
Aproximadamente 180 espécies ou subespécies foram incluídas na lista de ameaçadas após o resultado do balanço técnico. Conforme descrito pelo MMA, esse grupo reúne espécies que demonstraram agravamento em seu estado de conservação.
Os principais destaques se dão pela reinserção da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus) na lista.
Embora o número seja considerado elevado, ainda houve uma melhora no indíce de espécies que deixaram a lista de ameaçados. O balanço aponta que cerca de 150 espécies não são mais consideradas por risco de extinção.
O MMA aponta que a mudança ocorre em função de diferentes fatores, como o avanço do conhecimento científico sobre as espécies, revisões taxonômicas e melhorias no estado de conservação de algumas populações.
Além disso, também houve alterações relacionadas a revisões taxonômicas e à reclassificação de espécies para categorias não ameaçadas, como Menos Preocupante (LC), Quase Ameaçada (NT) ou Dados Insuficientes (DD).
FONTE: CNN BRASIL
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sábado, 20 de junho de 2026
Ambiental MS Pantanal doa mudas para recuperar habitat da arara-azul
Olá, araras azuis!
Hoje eu trago notícias maravilhosas! É muito bom ver pessoas fazendo o bem pelas araras-azuis e contribuindo para a conservação dessas aves tão especiais.
Um projeto piloto de reflorestamento no Pantanal Sul-Mato-Grossense começou a ser implantado com o objetivo de recuperar áreas degradadas e fortalecer a conservação da fauna nativa. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Arara Azul e conta com a parceria da Ambiental MS Pantanal, que realizou, no dia 27 de abril, a doação de 250 mudas nativas produzidas pelo Viveiro Isaac de Oliveira.
As mudas serão plantadas na região da Fazenda Caiman, em Miranda, em uma área impactada pelos incêndios registrados nos últimos anos, que afetaram diretamente a biodiversidade local. O projeto busca restaurar o ecossistema e fortalecer a preservação da arara-azul-grande, uma das espécies mais emblemáticas do Pantanal. Entre as espécies doadas estão tarumã, angico-preto, manduvi, macaúba, louro-preto, ipê-branco e ipê-roxo, consideradas estratégicas para a recuperação ambiental. Além de contribuírem para a recomposição da vegetação, essas árvores desempenham papel fundamental na alimentação e na reprodução da fauna pantaneira.
De acordo com a diretora-executiva do Instituto Arara Azul, Eliza Mense, o plantio tem impacto direto na sobrevivência da espécie.
“A espécie se alimenta basicamente de cocos como o acuri e a bocaiuva. Já para a reprodução, depende de árvores como o manduvi para a formação de ninhos. Mesmo quando utilizamos ninhos artificiais, é essencial que existam árvores altas e bem posicionadas”, explica. O Instituto Arara Azul e a Ambiental MS Pantanal mantêm parceria oficial desde 2025 em ações voltadas à preservação ambiental no Pantanal, especialmente por meio da doação de espécies nativas.
Para o analista ambiental da concessionária, Carlos Leal, a união entre as instituições amplia os resultados das ações ambientais. “A parceria permite somar esforços e conhecimentos, ampliando os impactos positivos no ecossistema, na biodiversidade e na saúde do Pantanal”, afirma. Eliza Mense também reforçou a importância da atuação conjunta entre diferentes instituições. “A conservação ambiental exige colaboração. Quando unimos os potenciais de cada parceiro em torno de um propósito comum, conseguimos resultados mais efetivos na preservação da biodiversidade”, destaca.
O projeto ocorre em um cenário de desafios crescentes para o bioma pantaneiro. Assim como em outras regiões do Pantanal, a área enfrenta impactos das mudanças climáticas, com altas temperaturas, estiagem prolongada e aumento da ocorrência de incêndios, fatores que tornam as ações de recuperação ambiental ainda mais necessárias.
O Instituto Arara Azul é uma organização não governamental, de direito privado e sem fins econômicos, voltada à promoção da conservação ambiental. Por meio do Projeto Arara-Azul, a entidade desenvolve, desde 1990, estratégias para manutenção de populações viáveis da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026
ICMBio transfere ararinhas-azuis negativas para circovírus para centro especializado ligado a universidade
Olá, araras azuis!
Trago atualizações importantes sobre o caso das ararinhas-azuis. Espero manter vocês bem informados sobre os acontecimentos e compartilhar as novidades mais relevantes.
Uma força-tarefa coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou nesta quarta (27) a transferência emergencial de 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que testaram negativo para circovírus do criadouro em que se encontravam, em Curuçá (BA). A ação é respaldada por decisão judicial.
Elas foram levadas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) — instituição especializada em manejo de fauna, localizada em Petrolina (PE). A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma espécie endêmica da Caatinga brasileira já extinta na natureza.
A operação em conjunto com a Polícia Federal, contou com apoio da Polícia Militar, do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia, além de médicos veterinários do ICMBio e do Cemafauna e de peritos veterinários da Polícia Federal.
A medida foi adotada após a confirmação de casos de circovírus entre as ararinhas-azuis e o descumprimento de medidas de biossegurança no criadouro, parceiro da organização alemã Associação para a Conservação dos Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês).
Dentre as normas descumpridas estavam medidas básicas de higiene, como limpeza e a desinfecção diária das instalações e comedouros (encontrados sujos, com acúmulo de fezes ressecadas) e a não utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos funcionários - reiteradamente flagrados utilizando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo dos animais, que são extremamente raros.
Dos 103 indivíduos que estavam no criadouro, 34 testaram positivo para o vírus. As 69 aves que apresentaram resultado negativo foram retiradas do local e permanecerão por tempo indeterminado no Cemafauna, onde receberão os cuidados adequados, serão submetidas a novo ciclo de testagem e ficarão em quarentena para avaliação de seu estado de saúde.
O circovírus dos psitacídeos é uma doença originária da Austrália e considerada uma das mais graves entre aves como araras, papagaios e periquitos. O circovírus afeta principalmente as penas e o bico dos animais. Entre os sintomas estão alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. A doença não tem cura e mata a ave na maior parte dos casos. Apesar disso, o vírus não infecta humanos nem aves de produção.
A separação entre aves positivas e negativas para o circovírus é fundamental para proteger os animais saudáveis e garantir segurança ao programa de reintrodução da ararinha-azul na natureza. A medida é considerada a forma mais eficiente de garantir a saúde e o bem-estar das ararinhas-azuis, bem como a viabilidade de longo prazo do programa de reintrodução de uma das espécies mais ameaçadas do planeta. No ICMBio, a Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootia (Coece/CGPeq/Dibio) coordena os trabalhos no tema.
Criei esse Blog em 2013 com apenas 10 anos de idade! e ate hoje (atualmente com 23) eu mantenho ele ativo! também Sou formada em Auxiliar Veterinaria e Faço Medicina Veterinaria na Faculdade Anclivepa!!! o intuito deste blog é ajudar as Araras Azuis que estão em risco de extinção!!
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Ameaçadas de extinção, araras-azuis nascem em zoológico de São Paulo
Olá, araras azuis!
Perdão pelo meu sumiço. Estive muito ocupada com provas e trabalhos acadêmicos da faculdade de Biologia.
Mas hoje trouxe notícias maravilhosas para compartilhar com vocês! Estou muito feliz em voltar e contar todas as novidades.
Duas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) nasceram no Zoológico de São Paulo no fim de abril. As imagens dos filhotes foram divulgadas nesta sexta, 22, que celebra o Dia Internacional da Biodivesidade. Os novos integrantes se juntam a outros 21 pássaros da espécie ameaçada de extinção que nasceram na instituição nos últimos onze anos, como parte do programa de conservação dos animais. Os filhotes são descendentes do casal de aves Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie registrados no zoológico na capital paulista. Parte das aves nascidas na instituição já foram incorporadas ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas conhecidas de ocorrência natural da espécie.
Criei esse Blog em 2013 com apenas 10 anos de idade! e ate hoje (atualmente com 23) eu mantenho ele ativo! também Sou formada em Auxiliar Veterinaria e Faço Medicina Veterinaria na Faculdade Anclivepa!!! o intuito deste blog é ajudar as Araras Azuis que estão em risco de extinção!!
quarta-feira, 8 de abril de 2026
As pistas invisíveis no combate ao tráfico de araras-azuis-de-lear
Mesmo após décadas de esforços de conservação, a arara-azul-de-lear ainda enfrenta uma ameaça persistente: o tráfico ilegal. Para ajudar a combater esse problema, a pesquisadora Isabela Prado, selecionada no Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro (2025) pelo Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla em inglês), ela usa pistas químicas deixadas no corpo das aves para revelar a origem de aves vítimas deste crime ambiental e, por meio da análise científica, gerar dados que fortaleçam as estratégias para conservação da espécie.
Endêmica da Caatinga do norte da Bahia, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) já esteve à beira da extinção. Em 1987, estimava-se que apenas 60 indivíduos viviam na natureza. Hoje, graças a ações de conservação, como proteção do habitat e programas de reintrodução, a população chega a aproximadamente 2,5 mil aves. Ainda assim, a espécie segue classificada como “Em Perigo”. Sua distribuição restrita, a dependência de áreas específicas para alimentação e reprodução e a baixa taxa reprodutiva aumentam sua vulnerabilidade.
Entre as ameaças, o tráfico se destaca. Casos recentes de araras apreendidas no Suriname e no Togo, além de registros de tráfico de ovos da ave, mostram que a espécie, com alto valor no mercado ilegal, segue na mira dos criminosos.
É nesse contexto que entra o projeto de pesquisa de Isabela. Sua proposta é usar informações químicas presentes em tecidos como penas, sangue e unhas para desvendar a origem e o histórico ambiental recente dos indivíduos.
“Tudo o que o animal consome e o ambiente em que vive deixam registros naturais no corpo”, explica a doutoranda da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no sul da Bahia. Essas marcas, que os cientistas chamam de assinaturas isotópicas, permitem identificar as características ambientais próprias de cada região, que resultam em combinações distintas, funcionando como registros naturais do local onde viveram ou se alimentaram.
“Essa abordagem é especialmente relevante porque araras podem ser capturadas ilegalmente na natureza, mantidas em criadouros clandestinos e posteriormente traficadas. Quando uma ave é resgatada, muitas vezes não existem informações confiáveis sobre sua procedência ou sobre o tempo que permaneceu em determinado ambiente”, detalha Isabela. “Podemos usar essas informações para reconstruir parte da trajetória de aves apreendidas no tráfico”, destaca. Isso abre caminho para decisões mais seguras sobre ações de manejo, como a reintrodução, e até para fiscalização.
Para executar sua pesquisa, Isabela irá a campo nas duas unidades de conservação em que a espécie ocorre: a Estação Ecológica Raso da Catarina e o Parque Nacional Boqueirão da Onça, onde serão coletadas amostras biológicas das araras em vida livre. Somado a isso, o estudo irá acompanhar indivíduos que passaram por mudanças de ambiente em situações monitoradas, como processos de reintrodução; analisar amostras de aves apreendidas do tráfico; e as assinaturas de animais mantidos sob cuidados humanos no Brasil e no exterior. Todo esse esforço de coleta irá permitir a comparação isotópica entre diferentes contextos ambientais que servirão de base para criação de um banco de dados de referência para futuras ações de conservação da arara-azul-de-lear.
“O apoio do programa Bolsas FUNBIO é fundamental para viabilizar as análises laboratoriais das assinaturas isotópicas, que possuem custo elevado, além de contribuir para despesas relacionadas ao campo, coleta e processamento das amostras biológicas”, pontua a doutoranda.
Na prática, os resultados podem orientar estratégias de combate ao tráfico e o planejamento de ações mais eficientes de conservação, destaca. Ao transformar sinais invisíveis em informação concreta, a pesquisa abre novas possibilidades para proteger a arara-azul-de-lear e mostra como a ciência pode ser uma aliada decisiva na conservação da biodiversidade brasileira.
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quarta-feira, 25 de março de 2026
CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR E SUAS IMBRICAÇÕES COM O TURISMO DO RASO DA CATARINA
Hoje eu trouxe um artigo sobre a conservação da arara-azul-de-lear. Espero que gostem!
Se quiserem ler o PDF original, clique aqui
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Estudo mapeia áreas prioritárias para reduzir mortes de araras por choque elétrico
Olá Araras Azuis! Trago postagens novas!
A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie endêmica do norte da Bahia, quase foi extinta nos anos 1990. Graças a ações de conservação, sua população se expandiu para 2.500 indivíduos atualmente. A expansão das araras, porém, coincidiu com outra bem mais rápida, a da rede elétrica da região, que cresceu cerca de 30% entre 2018 e 2023. Como resultado, apenas entre janeiro e agosto de 2025, 35 araras foram encontradas mortas com sinais de eletroplessão, como se denomina a morte ou lesão acidental causada por energia elétrica.
Para mitigar o problema, um estudo apoiado pela FAPESP apontou os locais mais propícios para esse tipo de acidente nos municípios onde a espécie ocorre, 90% da população na região conhecida como Raso da Catarina. Entre outros fatores, o mapeamento levou em conta 78 eletroplessões relatadas entre 2005 e 2022, a composição da malha elétrica da região e a área de atividade da espécie.
No trabalho, publicado no Journal of Applied Ecology, os autores apontam que mudanças em 10% dos postes com maior risco levariam a uma redução de cerca de 80% dos acidentes conhecidos.
“O principal objetivo é apontar áreas prioritárias para mitigação, onde podem ser feitas alterações nos postes e evitar novas mortes e potenciais interrupções no fornecimento de energia. Nossas estimativas apontam um bom custo-benefício tanto para a empresa fornecedora quanto para a conservação da espécie”, afirma a brasileira radicada no Reino Unido Larissa Biasotto, senior science officer na BirdLife International e primeira autora do estudo.
Ainda no doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Biasotto conseguiu os dados de toda a rede elétrica nacional, fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio da Lei de Acesso à Informação. Sua ideia era entender as principais espécies de aves e biomas afetados pela rede elétrica.
Um dos primeiros resultados foi publicado em 2021. Aquele mapeamento já indicava a arara-azul-de-lear como uma das espécies prioritárias em relação ao risco de eletroplessão e desenvolvimento de medidas de mitigação.
Quando Biasotto publicou o artigo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cemave-ICMBio), e a pesquisadora Erica Pacífico estavam justamente observando um aumento significativo de eletroplessões da espécie em municípios como Canudos e Euclides da Cunha, na Bahia, onde Pacífico realiza suas pesquisas desde 2008. Apenas pela contagem de carcaças recolhidas próximas aos postes de energia elétrica por moradores, eram mais de 70 aves mortas desde então.
“Este é um número conservador, porque não considera todas que podem ter morrido em áreas pouco habitadas ou cujas carcaças foram consumidas por cachorros ou aves carniceiras. Há estimativas de que, na Caatinga, uma carcaça de animal dure no máximo três dias”, explica Pacífico, coautora do trabalho, coordenadora do grupo Pesquisa e Conservação Arara-azul-de-lear e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).
O trabalho integra o projeto “Uso de novas ferramentas de biorrastreamento e analíticas para o estudo da ecologia do movimento e conservação de aves na Caatinga”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Francisco Voeroes Dénes, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).
O estudo tem ainda entre os autores Fernanda Paschotto, que realizou mestrado no IB-USP sobre a área de vida e seleção de hábitat da arara-azul-de-lear com bolsa da FAPESP.
Casal de araras-azuis-de-lear em uma das áreas onde vivem, no sertão baiano: vegetação baixa da Caatinga pode ser uma das razões para aves pousarem em postes de energia elétrica (foto: Erica Pacífico)
Custo-benefício
Pacífico realiza o monitoramento contínuo da espécie desde 2008, catalogando ninhos e contando a população. Em 2017 passou a aplicar biologgers, coleiras que fornecem a localização por GPS, para coletar informações inéditas sobre o potencial de deslocamento diário de algumas das araras-azuis-de-lear e definir melhor sua área de atividade, composta em grande parte pelos locais de alimentação onde ocorre o licuri (Syagrus coronata). Os frutos da palmeira são a principal fonte de alimento da arara-azul-de-lear. Não por acaso, áreas de ocorrência do licuri são onde ocorre a maior parte das eletroplessões relatadas.
Arara com cachos de licuri no bico. Eletroplessões ocorrem sobretudo em áreas de ocorrência da palmeira, cujo fruto é o principal alimento da espécie (foto: Tathiana Andrade)
“Uma das inovações do trabalho é que não usamos a área de distribuição da espécie como um todo, como se costuma fazer em mapeamentos do tipo, mas a área de atividade, onde a probabilidade de eletroplessão é maior. É nesses locais que elas passam a maior parte do dia, se alimentando, interagindo entre si e se empoleirando em postes e fios de média tensão. Por serem mais altos do que a vegetação nativa, esses pontos oferecem uma visão privilegiada do território”, conta Biasotto.
A eletroplessão ocorre quando os animais tocam ao mesmo tempo um fio em que passa a corrente de energia e em outro em que ela não passa ou a voltagem é mais baixa. Por isso, uma solução proposta pelo Ministério Público da Bahia, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), é aumentar a distância entre os fios, o que demanda a troca dos postes iniciada pela empresa.
Segundo a análise de custo-benefício realizada pelos pesquisadores, ao mitigar os possíveis efeitos em 1% dos postes da área de risco mais alto de eletroplessão, 35% dos acidentes poderiam ser prevenidos, o que requereria intervenção em pelo menos 5.668 postes.
Uma vez que essa redução poderia ser insuficiente para a viabilidade populacional da espécie, os autores realizaram os cálculos considerando também 5% da área de maior risco (22.037 postes), o que preveniria 60% das eletroplessões.
Ao ampliar a modelagem para 10% e 20% das áreas de maior risco (o que requereria alterações em 37.412 e 63.966 postes, respectivamente), a redução de acidentes seria superior a 80% e 90% em cada cenário.
Conservação
A arara-azul-de-lear atualmente é definida como “ameaçada” tanto na lista brasileira de espécies em extinção quanto na da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Sua população é estimada em menos de 2.600 indivíduos, segundo o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Caatinga, do ICMBio. Por isso, os autores argumentam que reduzir as fatalidades em 60% pode não ser suficiente para garantir que a população seja viável em longo prazo.
“Até termos um estudo de viabilidade populacional da espécie, uma redução mais próxima de 90% seria mais cautelosa, realizando mudanças em 10% a 20% dos postes”, argumenta Pacífico.
Segundo Biasotto, além da troca dos postes, que provavelmente teria um custo elevado, outra solução seria o desenvolvimento de dispositivos que isolassem as estruturas elétricas e fornecessem um pouso seguro para as aves. Uma das tentativas foi isolar os fios com estruturas tubulares plásticas e, portanto, não condutoras. É uma solução em países europeus para proteger as aves de rapina, principais vítimas das eletrocussões naquela parte do planeta.
“No entanto, nos locais onde foram instaladas para testes na Bahia, as estruturas foram danificadas, provavelmente pela ação das condições climáticas e da instalação inadequada”, afirma a pesquisadora.
Diferentemente dos solitários rapinantes, as araras se congregam em grupos de até 50 indivíduos, exploram bastante o ambiente em que vivem e destroem com facilidade o material com seus bicos poderosos. Por isso, seria necessário desenvolver um dispositivo adequado à realidade do sertão e das aves que lá ocorrem.
Além de guiar futuras ações de mitigação de acidentes e proteger a arara-azul-de-lear, os pesquisadores argumentam que o modelo usado para o mapeamento pode, no futuro, incluir outras espécies de aves que ocorrem na região. O exemplo mais emblemático seria a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), extinta na natureza e atualmente parte de um programa de reintrodução. Por ter hábitos similares aos da arara-azul-de-lear, a ararinha-azul também poderia se beneficiar de um projeto de mitigação de eletrocussões.
No seu livro de 2002 sobre a saga para salvar a ararinha-azul, o autor Tony Juniper sugere que o último indivíduo da espécie teria morrido, justamente, eletrocutado.
O artigo Mapping priority areas to mitigate the risk of electrocution of range-restricted bird species pode ser lido em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70133.
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